A Doença Venosa Crónica é tão comum quanto silenciosa e, muitas vezes, subvalorizada. Como refere Joana Ferreira, médica especialista em Angiologia e Cirurgia Vascular, persistem ideias erradas que condicionam a forma como encaramos esta patologia.

“Fala-se pouco do verdadeiro impacto da Doença Venosa Crónica na qualidade de vida. Muitas vezes é percecionada apenas como uma questão estética, quando, na realidade, estamos perante uma doença crónica que pode causar complicações e comprometer significativamente o bem-estar físico e emocional”. Reconhecer esta diferença é o primeiro passo para uma abordagem mais informada e atempada.
A comprová-lo está o facto de a Doença Venosa Crónica poder estar associada “a feridas nas pernas, trombose venosa superficial, a chamada flebite, e até varicorragia”. Complicações graves que afetam a qualidade de vida dos doentes e que vão muito além da estética.
Outro ponto que raramente é abordado é o facto de “estarmos a falar de uma doença que é progressiva. Ou seja, ao longo do tempo e sem o devido cuidado, pode piorar”. E há ainda um fator que muitos ignoram: a relação direta com o excesso de peso. “A Doença Venosa Crónica está fortemente associada à obesidade e um dos principais pilares do tratamento é um estilo de vida saudável.”
Para quem vive com a doença e não quer que esta se agrave, ou para quem deseja preveni-la, a especialista deixa conselhos simples, práticos e aplicáveis à rotina de qualquer pessoa, com o objetivo de transformar informação em ação.
Tudo começa com cuidados básicos: “É fundamental controlar o peso e praticar exercício físico.” A este conselho junta-se o cuidado da pele das pernas: lavá-las e hidratá-las diariamente e secar bem entre os dedos dos pés, assim como vigiar unhas e sinais de micose, já que, refere a especialista, “estes doentes têm, muitas vezes, infeções fúngicas, pelo que ter cuidado com as unhas é importante”.
Para quem passa longas horas sentado ou em pé, a recomendação é simples, mas fundamental: movimento. “Caminhar é sempre benéfico porque melhora o retorno venoso”, explica a especialista. Pequenos gestos ao longo do dia podem fazer a diferença. Por isso, “se trabalha sentado, experimente utilizar um pequeno apoio para elevar e baixar os pés, levante-se regularmente e dê pequenas caminhadas. Por outro lado, se passa muitas horas em pé, procure andar sempre que possível, alterne o apoio das pernas e sente-se alguns minutos sempre que puder”.
Para quem já tem sinais e sintomas, “é fundamental o tratamento farmacológico e uso de meias de compressão para controlar os sinais da doença”. E, ao final do dia, pernas ao alto. “A elevação dos membros inferiores tem muito impacto na Doença Venosa Crónica”.
A prática de exercício físico é uma das melhores receitas. E quando se trata de escolher o mais indicado, Joana Ferreira é clara: “É aquele que a pessoa gostar mais. Porque o importante é que o doente faça exercício, seja ele qual for.”. Só há um cuidado a ter em conta: “usar calçado confortável, principalmente calçado que minimize o impacto”.
Joana Ferreira é, este ano, a embaixadora da campanha #LegsFirst, uma iniciativa da Servier Portugal que visa sensibilizar para a Doença Venosa Crónica. Aqui, a mensagem é fácil de resumir: “os sinais e sintomas da Doença Venosa Crónica, mesmo os iniciais, como a sensação de pernas cansadas e pesadas, devem ser encarados como sintomas de uma doença séria”, reforça a médica. E, por isso, não devem ser ignorados. “Não se deve negligenciar estes sinais e sintomas, porque esta doença pode, nas fases mais avançadas, trazer complicações graves.”
Há que evitar, por isso, a normalização da sensação de cansaço nas pernas, tantas vezes atribuída à idade, ao trabalho, ao stress, que faz com que muitos adiem o diagnóstico e o tratamento.
A campanha #LegsFirst quer quebrar esse ciclo e que cada pessoa olhe para as suas pernas como um sinal vital da sua saúde, reforçando que pequenas mudanças diárias podem fazer uma enorme diferença.
Cuide de si, cuide das suas pernas! #LegsFirst.
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