Quarteira celebrou ontem, dia 13 de maio, o 27.º aniversário da sua elevação a cidade (1999–2026), com um programa que combinou inaugurações, iniciativas culturais e momentos de proximidade com a comunidade. As comemorações reafirmaram o compromisso com o desenvolvimento sustentável e a qualidade de vida dos quarteirenses.
Um dos momentos centrais foi a homenagem a José Mendes Bota, o deputado que liderou o processo de elevação de Quarteira na Assembleia da República. Confira todos os momentos publicados em peças separadas.

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O processo que fez de Quarteira cidade
A cidade de Quarteira foi criada pela Lei nº 52/99, de 24 de junho, após aprovação unânime na Assembleia da República, a 13 de maio de 1999. A iniciativa legislativa partiu do Projeto de Lei nº 409/VII/2, de 16 de dezembro de 1997, apresentado e defendido pelo deputado Mendes Bota, um trabalho que contou com a colaboração de várias pessoas, nomeadamente o Prof. Carlos Gravata e João Batista, então presidente do PSD/Quarteira.
Quem é Mendes Bota
José Mendes Bota nasceu em Loulé a 4 de agosto de 1955, numa família de pequenos comerciantes com atividade desde meados do século XIX. Licenciou-se em Economia pelo ISCTE, em Lisboa.
Na sua carreira profissional, foi Diretor-Coordenador do Finibanco para a Zona Sul e Administrador-Delegado do Grupo de Empresas de Vale do Lobo.
Na política autárquica, foi Vice-Presidente da Câmara Municipal de Loulé (um mandato), Presidente da Câmara Municipal de Loulé (um mandato) e Presidente da Assembleia Municipal de Loulé (dois mandatos). Foi deputado à Assembleia da República durante oito legislaturas e ao Parlamento Europeu durante duas, totalizando 24 anos de mandatos parlamentares.
Foi cofundador e Presidente do Movimento Cívico Regiões Sim. Partidariamente, foi Vice-Presidente do PSD, Presidente da Comissão Política do PSD-Algarve e Presidente da Comissão Política do PSD-Loulé.
Condecorações
- 2013 — Medalha de Mérito Municipal Grau Ouro (Câmara Municipal de Loulé)
- 2014 — Cruz de Cavaleiro da Ordem de Mérito da República da Polónia
- 2023 — Comendador da Ordem de Mérito de Portugal (pelo Presidente da República)
O discurso de Mendes Bota (resumo)
A política em uníssono
Mendes Bota começou por saudar o Executivo do Partido Socialista, liderado pelo presidente João Romão, e agradeceu às bancadas do Chega e do PSD na Assembleia de Freguesia que fizeram a recomendação para a homenagem:
“Era bom que a política fosse sempre assim. Ver o Partido Socialista, o Chega e o Partido Social Democrata unidos num mesmo momento”.
As origens do projeto
O projeto de lei nº 409/VII/2 entrou na Assembleia da República a 27 de setembro de 1997, mas a sua génese remonta a 10 de maio de 1997, num evento partidário no Hotel Dom Pedro, em Vilamoura, onde lhe foi solicitado que Mendes Bota personificasse a proposta de elevar Quarteira a cidade.
“Quando me comprometo, proponho-me sempre cumprir aquilo que depende de mim”.
O significado simbólico
Mendes Bota reconheceu que a elevação a cidade é sobretudo simbólica, não trouxe mais receitas ou competências para Quarteira, mas é um ato de reconhecimento. Na altura, o requisito legal eram 8 mil eleitores; Quarteira já tinha 11.500. Hoje conta com 22.500 eleitores.
“Loulé é o único concelho do Algarve que tem três cidades: Loulé, Quarteira e Almancil. Nós orgulhamo-nos disso”.
A Quarteira antiga e a exposição “Com os Pés na Terra e as Mãos no Mar”
Mendes Bota invocou os seis mil anos de história de Quarteira: cartagineses, romanos, visigodos, o Cerro da Vila, o Foral de D. Dinis (1297), a família Barreto, a Fortaleza da Torre (demolida em 1936), a Torre da Vela que comunicava com Loulé por sinais de luz aquando dos ataques dos corsários mouros.
“Esta história estava ali, mas não bastava isso. O projeto de lei é uma fotografia de Quarteira em 1997”.
Sugeriu que alguém fizesse hoje uma comparação entre 1997 e 2026: número de camas, restaurantes, bares, hotéis, infraestruturas escolares, sociais e desportivas. “Não tem comparação”.
O Plano de Expansão Nascente e as grandes avenidas
Mendes Bota recordou o seu contributo enquanto vereador e presidente da Câmara de Loulé, nomeadamente o Plano de Expansão Nascente de Quarteira, que travou a desordem urbanística:
“Os prédios mais altos de Quarteira são anteriores ao 25 de Abril. Se não fosse esse plano, Quarteira seria insuportável e incomportável”.
Referiu a criação da Avenida Mota Pinto / Francisco Sá Carneiro e da Avenida de Ceuta:
“Ainda guardo recortes de jornal onde me chamavam megalómano. Para quê uma avenida com 100 metros de largura? Alguém deu a cara politicamente por isso”.
“Ninguém é dono da obra absoluta: uns têm a ideia, outros lançam, outros inauguram. É assim a política”.
A criação da Inframoura
Recordou ainda a sugestão do engenheiro João Meireles (Lusotur) para criar uma empresa mista entre a Lusotur e a Câmara de Loulé, que viria a dar origem à Inframoura, Infraquinta e Infralobo.
“Fui a primeira pessoa a defender a criação de empresas mistas num artigo no Expresso em 1985”.
Final
“Para mim é uma honra, mais do que um prazer. Seria cínico dizer que não se gosta de ser homenageado, é o reconhecimento de que valeu a pena o que demos a uma causa comum”.
Citou ainda o poeta quarteirense Manuel Pardal: “Quarteira tem o mar lá fora e o mar cá dentro. Tenho a certeza de que são estas gentes e este território que fazem de Quarteira um motivo de orgulho para o Concelho de Loulé, para o Algarve e para Portugal. Muito obrigado”.
Por: Jorge Matos Dias / PlanetAlgarve
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