Loulé

Habitação acessível em Loulé: mais 20 fogos adquiridos para dar “lufada de ar fresco” a 60 pessoas

Depois de ter visitado Loulé em fevereiro passado, a secretária de Estado da Habitação, Patrícia Gonçalves Costa, regressou ontem à cidade algarvia para mais um passo concreto na estratégia habitacional do concelho: a formalização da escritura pública para aquisição de mais 20 fogos.

Escritura pública para a aquisição, por parte do Município de Loulé, de 20 fogos habitacionais na sede do concelho – CMLoulé – Mira

As habitações, distribuídas pelas tipologias T1 (2 fogos), T2 (6 fogos) e T3 (12 fogos), localizam-se na Urbanização de Vale de Rãs, freguesia de São Clemente, e foram adquiridas por 4,8 milhões de euros. A Autarquia submeteu uma candidatura ao PRR para apoiar o investimento. A grande vantagem desta solução é o facto de os fogos já se encontrarem edificados e em condições de habitabilidade imediata.

Cerca de 60 pessoas terão aqui um novo projeto de vida, uma lufada de ar fresco para poderem emancipar-se do ponto de vista financeiro“, destacou a secretária de Estado.

Uma política habitacional estruturada e diversificada

Estes fogos integram uma política habitacional que, segundo o autarca Telmo Pinto, é “estruturada e sustentada ao longo do tempo, não se limitando a uma resposta única, mas incorporando diferentes soluções, ajustadas à diversidade das realidades sociais”. Para além do arrendamento apoiado dirigido às famílias mais vulneráveis, a Estratégia Local de Habitação 2019-2032 contempla também soluções de arrendamento acessível para as classes médias.

Execução acima da média nacional

A secretária de Estado, que há dois meses visitou os investimentos em curso na cidade, elogiou “o momento de grande execução deste Município”. Loulé submeteu 21 operações, num total de 185 habitações contratualizadas, representando um investimento de cerca de 32 milhões de euros.

“Mas mais importante é que já foram entregues 135 habitações”, sublinhou a responsável.

Obras em curso e novas metas

A Câmara Municipal de Loulé tem atualmente várias operações em curso, totalizando 107 fogos habitacionais, com destaque para:

  • Empreendimento CLONA — 64 fogos
  • Reabilitação do Bairro Municipal Frederico Ulrich — 18 fogos
  • Intervenção em Salir — 12 fogos

A estes somam-se outros 60 fogos adquiridos em fevereiro, na mesma urbanização de Vale de Rãs.

Gestão profissionalizada e metas ambiciosas

Desde outubro de 2025, a gestão do parque habitacional e a promoção de 110 novos fogos passaram para a responsabilidade da empresa municipal Loulé Concelho Global, um modelo que permite “maior capacidade operacional e uma gestão mais especializada, ajustada à complexidade desta área”.

Em declarações à imprensa, Telmo Pinto avançou que, até ao final do ano, a Autarquia pretende lançar, *”em regime de conceção/construção, cerca de 100 a 200 casas”, contando com terrenos já adquiridos em Loulé, Quarteira e Parragil. O Município pretende ainda aumentar o valor do apoio ao arrendamento para *”muito em breve, chegar às 400/500 famílias apoiadas”.

Alerta para o aumento dos preços e impacto social

Num concelho que regista atualmente 1128 agregados familiares em situação de carência habitacional, o autarca sublinhou ser necessário um “esforço coletivo para acelerar a oferta habitacional e devolver o sorriso a tantas famílias”.

Telmo Pinto alertou ainda para o aumento do preço médio dos imóveis no território, cerca de 75% entre 2020 e 2025, classificando-o como “alarmante”:

“Isso exige que o Governo olhe para esta situação que tem impactado os agregados familiares de classe média. Estamos a empobrecer, e isso trará consequências graves para a nossa segurança, para a nossa educação e, consequentemente, para o desenvolvimento económico do nosso país”.

No caso do Algarve, a falta de habitação é “uma questão social, mas também económica e territorial”:

“Sem habitação acessível, não conseguimos fixar profissionais essenciais ao funcionamento da nossa sociedade: médicos, enfermeiros, professores, investigadores, forças de segurança”.

Continuidade do investimento e novos mecanismos financeiros

O autarca destacou os mecanismos de apoio financeiro, nomeadamente o aditamento ao acordo de colaboração com o IHRU, no âmbito do 1.º Direito, bem como os apoios do PRR, que garantiram cerca de 31 milhões de euros para investimento em habitação no concelho, “em condições muito favoráveis, nomeadamente a fundo perdido”. Telmo Pinto apelou à governante para a necessidade de novos mecanismos nacionais e europeus que assegurem a continuidade deste trabalho.

Habitação pública como pilar de desenvolvimento

A secretária de Estado reforçou a visão estratégica da pasta:

“A habitação pública é mais do que construção. É a estabilidade social, é a fixação da população, é a qualidade de vida e, num projeto como este, é a qualificação das nossas cidades, a regeneração dos nossos territórios”.

Patrícia Gonçalves Costa destacou ainda os apoios financeiros garantidos até 2030, como a “Linha do BEI” (Banco Europeu de Investimento), um programa de financiamento que disponibiliza 1340 milhões de euros para a construção e renovação de cerca de 12.000 habitações em Portugal.


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