
Durante os debates para as eleições presidenciais André Ventura passou grande parte do debate a elogiar o plano laboral para depois dizer que chumbaria o pacote. É assim que se percebe quando alguém está contra algo, se passar a vida a elogiar esse algo. O deputado disse que não precisamos desta nova lei laboral. Como tal, claro que está disposto a aprová-la.
Ainda em agosto de 2025 afirmava que a lei laboral tinha de mudar porque temos uma lei laboral dos anos 70. Percebo, o partido parece gostar mais da década de 50 onde o direito de dizer deus, pátria e família contava como direito trabalhista.
Partido este que claramente tem um conflito interno de opinião em grande parte dos temas. Vejamos alguns exemplos: em relação às greves gerais, o André Ventura dizia que “não precisamos de greves gerais”, e “com a grande parte dos sindicatos a gente não lhes pode ter em grande conta”, já o líder do Chega dizia que a greve era legítima e “há razões para um descontentamento generalizado nesta matéria…e têm razão”. Em relação ao aumento do subsídio de patrulha da PSP e da GNR o André Ventura em primeira instância votou contra, já o líder do Chega depois votou a favor. Até num debate televisivo vimos o André Ventura primeiro dizer que é “historicamente justo” comparar um curto período após o 25 de Abril com o período do Estado Novo para pouco tempo depois no mesmo debate o líder do Chega dizer que não se poderia “comparar 2 anos com 40”.
Em novembro de 2025 André Ventura dizia que a esquerda pensa que a nova lei vai trazer precariedade, o que ignorava dizendo que “o que nós temos que ter é mais emprego”. Já em dezembro de 2025 o líder do Chega estava muito preocupado porque a nova lei laboral: “não pode ser bar aberto para despedimentos para aumentar a precariedade”. É sempre aborrecido quando o líder do Chega e o André Ventura não têm o discurso alinhado, e é ainda mais irritante quando são a mesma pessoa.
Mais tarde parece que isso do bar aberto afinal pode, porque o importante é saber “Porque é que os portugueses têm menos férias que os outros?”, tal como perguntava em maio de 2026. Sendo isso tão importante, em junho mudou para “não podemos baixar a idade da reforma?”. Nada diz tanto antissistema como estar sempre a ceder ao sistema.
Já no dia 18 de junho de 2026, antes da votação, afirmava que a aprovação do novo pacote laboral seria “uma vitória dos trabalhadores”. Tentar vender isto como uma vitória dos trabalhadores é como dar uma chapada a alguém e dizer: vês como o vermelho na cara te fica bem?
Aliás, esta seria a única forma do deputado ter vermelho na cara, porque se estivermos dependentes da vergonha para isso, parece que não chega.
André Ventura é um homem de convicções, cada dia tem uma diferente.
Ainda no dia antes da votação disse que seria uma vitória aprovar a nova lei laboral, no dia 19 o Chega votou contra, sinto que não tarda vão reclamar: como raio ninguém aprovou?
Categorias:Opinião




