Loulé

Projeto “(In)Formar para a Igualdade” promove cultura cívica e não-discriminação desde a infância em Loulé

Loulé, junho de 2026 – A Escola EB1/JI Professor Manuel Martins Alves, em Loulé, acolheu, no passado dia 16 de junho, uma sessão para famílias integrada no projeto “(In)Formar para a Igualdade”, uma iniciativa pioneira no ensino público que visa promover uma cultura cívica voltada para a igualdade e para a não-discriminação desde a infância, junto de crianças da Educação Pré-Escolar e do 1.º Ciclo do Ensino Básico.

O projeto, inspirado num modelo desenvolvido numa instituição de ensino privada em Lisboa, nasce de uma parceria entre a Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG) e a Câmara Municipal de Loulé, contando com o acompanhamento e monitorização científica de uma equipa de investigação da Universidade do Algarve.

Baseado na premissa de que “é preciso uma aldeia para educar uma criança”, como sublinhou Isabel Cruz, responsável da CIG, o projeto envolve ativamente docentes, não docentes, pais, mães e encarregados de educação, alinhando as práticas locais do ensino público com a Estratégia Nacional para a Igualdade e a Não-Discriminação e a Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania.

Três anos de implementação e transformação

A ação, que integra as políticas do Município para esta temática, arrancou no ano letivo de 2024/25 e estende-se por três anos letivosHelena Gomes, conselheira externa da Câmara de Loulé para a Igualdade, recordou o historial da iniciativa e o desafio de aplicar a mesma metodologia na rede pública.

O percurso formativo iniciou-se de forma gradual:

  • 1.º ano (2024/25): autorreflexão sobre assimetrias sociais e necessidade de as diluir, envolvendo docentes e pessoal não docente;
  • 2.º ano (2025/26): transposição destes conceitos para as práticas letivas, dentro e fora da sala de aula;
  • 3.º ano (2026/27): alargamento da formação a professores das AECs, direção e outras escolas, com aposta numa linguagem mais inclusiva e na visibilidade do feminino.

Resultados da monitorização científica

Os resultados do primeiro ano de implementação foram apresentados pelos investigadores António Guerreiro e Maria Leonor Borges, da Universidade do Algarve, com base num estudo que envolveu:

  • 235 crianças do pré-escolar, 2.º e 4.º anos;
  • 43 profissionais docentes e não docentes;
  • 205 pais, mães e encarregados de educação.

Recorrendo a inquéritos, grupos focais e observação direta, as conclusões revelaram que abordar estas temáticas é mais fácil na Educação Pré-Escolar do que no 1.º Ciclo. Persiste ainda uma diferenciação entre meninos e meninas, seja ao nível dos brinquedos e brincadeiras, seja na perceção sobre profissões, sendo o contexto familiar o ambiente com maior diferenciação nas atividades.

A monitorização continuará até ao final dos três anos, estando previsto um relatório com as conclusões globais.

Frutos visíveis no quotidiano escolar

O trabalho realizado nos últimos anos começa já a dar frutos. Exemplo disso é o conjunto de trabalhos expostos no pavilhão da escola e as apresentações realizadas pelos alunos e alunas durante a sessão, que espelham bem a importância da igualdade plena entre homens e mulheres.

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