Vilamoura, junho de 2026 – O desporto e a inclusão navegam lado a lado no projeto “Navegar pela Mente”, uma iniciativa pioneira promovida pela Associação Teia D’Impulsos, que tem no Município de Loulé e no CIMAV – Clube Internacional da Marina de Vilamoura dois pilares fundamentais. Este projeto, que leva crianças, jovens e adultos com doença mental e/ou diversidade funcional a experienciar a magia da vela adaptada, conta hoje com o envolvimento direto de quatro instituições do concelho de Loulé: a EXISTIR, a UNIR, a ASMAL e o Agrupamento de Escolas Padre João Coelho Cabanita, reforçando a ligação territorial desta iniciativa de caráter inclusivo.

No passado dia 8 de junho, a Marina de Vilamoura abriu as portas a um “Dia Aberto” do projeto, que nasceu no barlavento algarvio, mas que encontrou na Marina de Vilamoura a sua sede definitiva há cerca de ano e meio. Através da prática de modalidades náuticas, o “Navegar pela Mente” promove a igualdade de oportunidades, a inclusão social, o bem-estar e o desenvolvimento de competências pessoais e sociais dos seus participantes.
O projeto teve origem em Portimão, com o desporto adaptado para jovens com deficiência motora, mas a pandemia trouxe novos desafios sociais. Luís Brito , presidente da Teia D’Impulsos, recorda que foi a partir da ideia de colocar pessoas com doença mental, uma problemática que emergiu intensamente com a COVID-19, a navegar que o projeto se reinventou. A oportunidade de expansão surgiu através de uma candidatura ao Portugal Inovação Social, que exigia parcerias locais fortes. Na mesma altura, o CIMAV preparava-se para inaugurar um novo pontão em Vilamoura, reunindo-se assim “as condições ideais” para fixar o projeto no território de Loulé.
O projeto funciona ao longo de todo o ano, com maior intensidade durante o calendário escolar, uma vez que no verão as instituições alteram as suas rotinas e as escolas encerram. Contudo, o clima ameno da região algarvia permite a prática da navegação em todas as estações. “O ‘Navegar pela Mente’ foca-se na pessoa com doença mental, e aqui o espetro etário é total. Tentamos que todos tenham a oportunidade de ter esta experiência e que esta se torne uma atividade regular, que as ajude a desenvolver competências básicas que para eles são difíceis de gerir”, afirma Luís Brito.
A operação logística na Marina de Vilamoura conta com instalações adaptadas especificamente para o efeito. Isolete Coreia , presidente do CIMAV, destaca a construção de um pontão dedicado a esta atividade de vela adaptada, com o apoio essencial do IPDJ e da Câmara Municipal de Loulé . Todas as quartas-feiras, os jovens e adultos do projeto deslocam-se à Marina para vivenciar o contacto com o meio náutico. “Ficamos muito satisfeitos pelo retorno positivo das associações”, afirma a responsável.
O acompanhamento técnico combina competências desportivas e terapêuticas para garantir a evolução dos utentes. O CIMAV disponibiliza dois treinadores qualificados em vela adaptada, que trabalham em estreita colaboração com os técnicos da Teia D’Impulsos e com uma terapeuta ocupacional. Esta equipa multidisciplinar é responsável por guiar os participantes em segurança e potenciar os benefícios da atividade na saúde mental.
Para as instituições que apoiam a deficiência e a doença mental no concelho, a vela adaptada tornou-se um pilar fundamental. Miguel Mendes, técnico da Associação EXISTIR, sublinha que “o trabalho em parceria é a chave do sucesso”. A associação organiza grupos rotativos de cinco utentes, provenientes de diferentes salas da instituição, garantindo que todos beneficiam da experiência. “Temos criado estas rotinas às quartas-feiras, com grupos variados, e depois eles conseguem preparar-se para vir, já têm a noção de que à quarta há a vela”, explica.
No contexto escolar, os resultados são igualmente evidentes. António Pedro Santos, coordenador do Departamento de Educação Especial do Agrupamento de Escolas Padre João Coelho Cabanita, refere que a iniciativa começou com apenas duas sessões por período letivo. A reação extremamente positiva dos alunos com maiores limitações motivou a escola a reforçar a parceria, preparando já um novo protocolo para o próximo ano letivo, com o objetivo de aumentar as saídas de campo para uma frequência mensal. “Esta é uma forma de otimizar as capacidades destes miúdos e torná-los mais funcionais na sua vida. Desde logo com o facto de estarem na água, que é um meio estranho, eles ganham outra confiança e autoestima”, explica o professor.
A nível nacional, o “Navegar pela Mente” assume-se como um projeto único. Embora existam cerca de cinco ou seis clubes em Portugal a trabalhar a área da deficiência motora, a Teia D’Impulsos é a única organização a focar-se especificamente na doença mental. A associação aposta na partilha contínua de conhecimento com outros clubes para incentivar o surgimento de novas respostas.
O crescimento consistente do projeto em Vilamoura traz também novos desafios de cariz logístico e material, já que a embarcação adaptada atualmente em uso foi deslocada de Portimão de forma provisória para suprir as necessidades iniciais da operação. A associação está já a trabalhar na aquisição de uma embarcação adaptada própria em Vilamoura, com características específicas que permitam a entrada e permanência de pessoas com limitações severas, garantindo que o projeto continue a crescer e a integrar também novos utentes que ainda não se encontram integrados em respostas institucionais.
O presidente do Município de Loulé, Telmo Pinto, assegura que o apoio a esta iniciativa irá manter-se: “O desporto é uma das ferramentas mais poderosas de coesão, inclusão e transformação social de que dispomos. Ao trazer a prática da vela adaptada para o centro da estratégia de promoção da saúde mental e do bem-estar de cidadãos com vulnerabilidades ou deficiência, o ‘Navegar pela Mente’ materializa de forma perfeita a visão estratégica desta Autarquia: um desporto verdadeiramente inclusivo e acessível a todos”.
Vilamoura, 2026
Onde o mar se faz ponte e a vela une corações.




