Por: Jorge Matos Dias / PlanetAlgarve
Quarteira, 3 de julho de 2026 – As obras do futuro Mercado Municipal de Quarteira foram palco, no dia 2 de julho, de um simulacro de segurança que testou a resposta a acidentes de trabalho em cenários complexos. O exercício, proposto pelo próprio empreiteiro, simulou um acidente a 7 metros de profundidade (piso -2), causado por um objeto (um balde com materiais para a obra) que se deslocava em altura, provocando um traumatismo num dos trabalhadores.

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Perante a gravidade do cenário fictício ( uma hemorragia na cabeça e ferimentos na perna esquerda) foi ativado o Grupo de Salvamento Especial dos Bombeiros Sapadores de Loulé, uma equipa preparada para o socorro em condições adversas. “Estamos preparados para o socorro em cenários difíceis, em profundidade, em locais de reduzida manobra ou em escarpa”, explicou Irlandino Santos, comandante da corporação.
A equipa utilizou técnicas de resgate com cordas para estabilizar e extrair a vítima com sucesso, num exercício que envolveu meios técnicos especiais e uma articulação precisa entre os bombeiros e a equipa de obra. “A intenção primária foi chegar junto à vítima, estabilizá-la o mais rápido possível, enquanto parte da equipa preparava todo o material necessário para a extração. Assim que a vítima estava estabilizada, procedeu-se imediatamente à extração e ao encaminhamento para o hospital”, detalhou o comandante.
O teste serviu para olear mecanismos de socorro e articulação preventiva entre a Proteção Civil e as equipas em obra, minimizando os “riscos especiais” associados à fase de escavação, como notou Pedro Guerreiro, responsável da Divisão de Gestão de Projetos, Mobilidade e Edifícios da Câmara Municipal de Loulé. Os trabalhos irão até à quota do piso -2, a cerca de oito metros de profundidade, para completar a estrutura da fundação e o rebaixamento do nível freático, pelo que este tipo de exercícios de segurança é fundamental.
Segurança em Obra: Uma Prioridade Inegociável
O presidente da Autarquia de Loulé, Telmo Pinto, esteve presente e sublinhou a importância deste tipo de iniciativas: “A segurança é fundamental em todas as obras, mas muitas vezes as pessoas desvalorizam. Perceber como é que as nossas equipas de segurança, os Bombeiros e a Proteção Civil estão preparados para situações destas é extremamente importante. Os próprios atores da obra são os primeiros a esquecer-se da segurança. As quedas em altura, aquelas que se pensa que não acontecem mais, acontecem muitas vezes. Chegar ao dia que acontece efetivamente e dizer: ‘Olha, agora estou pronto, estou mecanizado’. Isso é fundamental”.
Também o coordenador do Serviço Municipal de Proteção Civil, Paulo Santos, destacou a importância do treino preventivo: “É importante, em cenários de risco, treinar procedimentos, articulando com as entidades externas. Estamos sempre disponíveis para colaborar”.
Obra a Bom Ritmo e Dentro do Planeamento
A empreitada do Mercado Municipal, orçada em 20 milhões de euros (com 3,5 milhões já executados), decorre a bom ritmo e “dentro do planeamento”, como frisou Pedro Guerreiro. O responsável detalhou os avanços: “Neste momento, as fundações e a direção periférica das paredes moldadas estão concluídas. As estacas de fundação também já estão concluídas. Na próxima segunda-feira, teremos a conclusão da primeira fase da banda de lajes do piso -1”.
O projeto, focado na integração urbana e eficiência energética, inclui dois pisos subterrâneos para estacionamento, com um sistema de rebaixamento do nível freático que permitirá escavar até ao piso -2 e completar a estrutura da fundação. A cobertura do parque de estacionamento exterior contará com um sistema fotovoltaico, e está prevista a requalificação dos espaços envolventes ao edifício, nomeadamente o Passeio das Dunas, que será integrado no projeto.
“É uma obra que puxa muito por nós, não só na tipologia da construção, porque é única, mas também em termos da dinâmica que temos que criar e em que já estamos a trabalhar neste momento para este Mercado funcionar”, adiantou Telmo Pinto.
O prazo total de execução é de 1.276 dias, e a conclusão da obra está prevista para abril de 2029, de acordo com o cronograma inicialmente estabelecido.
Quarteira, 2026
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