Loulé

Loulé reúne centenas de profissionais para desburocratizar licenciamento urbanístico

São centenas os processos que semanalmente dão entrada nos serviços de Urbanismo da Câmara Municipal de Loulé. Perante uma estrutura burocrática pesada, o executivo municipal quer agora implementar mudanças significativas para agilizar as respostas. Nesse sentido, a Autarquia promoveu uma reunião estratégica com centenas de profissionais do setor que lidam diariamente com os serviços municipais, com o objetivo principal de ouvir o território, aproximar os técnicos privados e lançar as bases para uma profunda reforma estrutural e informática nos circuitos de licenciamento do concelho.

Encontro na Black Box do Pavilhão Multiusos de Almancil

Na Black Box do Pavilhão Multiusos 25 de Abril, em Almancil, o presidente da Câmara, Telmo Pinto, e o vereador do pelouro, Paulo Trindade, ouviram engenheiros, arquitetos, projetistas, juristas e outros técnicos que atuam no concelho sobre as maiores dificuldades sentidas e a necessidade de desburocratizar os serviços. Em cima da mesa estiveram também a alteração em curso de dois regulamentos fulcrais: o Plano Diretor Municipal (PDM) e o Regulamento Municipal de Urbanização e Edificação (RMUE) e o contributo que estes profissionais poderão dar nesses processos.

Empatia e experiência do setor privado

Tanto Telmo Pinto como Paulo Trindade, ambos engenheiros de formação e profissão, assumiram total empatia com os profissionais da área, sublinhando que “partilham das mesmas preocupações” por também terem experiência no setor privado, e defenderam que os tempos de resposta têm de acompanhar o ritmo da sociedade atual.

O presidente da Autarquia revelou que já contratou ferramentas de Inteligência Artificial (IA) para acelerar a tramitação, mas alertou que a tecnologia não basta se persistirem as barreiras burocráticas internas. Nesse sentido, foi anunciado que este encontro representa o “primeiro degrau” de uma comunicação contínua, desafiando os profissionais a darem os seus contributos.

Falta de recursos humanos e soluções em curso

O executivo abordou também a escassez de recursos humanos, agravada pelo forte crescimento do concelho e pela falta de técnicos seniores no mercado. Para inverter a situação, o Município está a criar soluções atrativas de habitação para fixar jovens licenciados e a apostar fortemente na externalização de serviços. O objetivo é “libertar” os técnicos da casa, dando-lhes espaço, tempo e o necessário “conforto e apoio político” para decidirem “sem receios”, dividindo responsabilidades institucionais.

“Câmara tem de ser um braço para os profissionais”

O vereador com o pelouro do Urbanismo destacou a total disponibilidade dos serviços para resolver problemas individuais que possam ditar soluções coletivas. “A ideia é dar contributos para que os procedimentos sejam mais ágeis. Sabemos que vocês têm muita pressão. A Câmara tem de ser um braço para os profissionais, temos de funcionar de forma cooperativa”, afirmou, indicando ser fundamental a simplificação dos circuitos administrativos e o fim do excesso de formalismos. “O parecer tem de ser emitido em paralelo e não em série, tendo sempre a lei como baliza”, considerou ainda Paulo Trindade.

Constrangimentos apontados pelos técnicos

Durante o debate, os técnicos apontaram os principais constrangimentos que enfrentam no dia a dia, tais como:

  • Um sistema estruturado há 40 anos, “moldado pelas pessoas e não pela eficiência do serviço”;
  • A urgência de implementar um sistema informático de gestão de prazos que garanta uma purga de procedimentos desnecessários;
  • A dualidade de critérios, pareceres incoerentes, regulamentos desatualizados e a lentidão na obtenção de licenças de utilização;
  • A “pirâmide invertida” do poder, onde muitas vezes a falta de know-how de quem lidera os municípios encrava processos, gerando burocracia excessiva e o envio recorrente de projetos em desenvolvimento para o fim da fila de espera.

Elogios à equipa técnica da Autarquia

Apesar das críticas à máquina burocrática, os intervenientes elogiaram o elevado nível de formação e a disponibilidade dos técnicos da Autarquia de Loulé, reconhecida como uma verdadeira “escola” na região, embora enfrente uma pressão de volume de processos incomparavelmente superior a qualquer outro município algarvio. Foi ainda reforçado que os pareceres jurídicos emitidos devem passar a ser vinculativos para todas as situações idênticas.

Participação da Ordem dos Arquitetos

O encontro contou também com a participação de Ricardo Latoeiro, em representação da Ordem dos Arquitetos – Zona Sul, que alertou para o facto de o “Simplex se poder transformar num Complex”, lembrando que a partir de 3 de agosto todas as escrituras voltarão a exigir licença de utilização. O representante manifestou, contudo, otimismo na mudança de paradigma no Algarve através de três ferramentas em desenvolvimento: uma memória descritiva comum aos 16 municípios algarvios, uma plataforma urbanística unificada e o apoio da CCDR Algarve através do projeto IDEALG.

Compromisso de continuidade

O executivo municipal encerrou o encontro disponibilizando canais diretos de e-mail e uma caixa de sugestões, assumindo o compromisso de voltar a reunir com o setor já no início do próximo ano para avaliar os progressos e avançar com a revisão do PDM.

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