Quarteira

Festa dos anos 80 com o DJ Nuno Silva encerra com chave de ouro o Verão Ativo 2026

Por: Jorge Matos Dias / PlanetAlgarve

A noite em que Quarteira dançou como se o tempo não existisse

Há noites que não se medem pelas horas. Medem-se pelo que deixam dentro de nós. E a noite de domingo, 13 de setembro, na Praça do Mar, foi uma dessas noites, dessas que ficam guardadas na memória como um lugar quente a que voltamos sempre que precisamos de acreditar que a vida vale a pena.

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O Verão Ativo 2026 despediu-se com chave de ouro. Mas não foi apenas um encerramento. Foi um abraço coletivo. Foi uma despedida que soube a gratidão. Foi, talvez, a mais bonita celebração daquilo que nos une quando nos juntamos.

E tudo começou com uma bola de espelhos no centro do palco, a girar devagar, a espalhar pequenos pedaços de luz por cada rosto presente. Como se o próprio passado nos acenasse, a pedir licença para voltar, só por uma noite. E nós deixámos.

As luzes acenderam-se. E o tempo parou.

A Praça do Mar transformou-se numa discoteca a céu aberto, onde a nostalgia tinha pernas de licra, fatos de treino coloridos e t-shirts garridas. As headbands brilhavam à luz dos lasers. As pulseiras de neoprene apertavam-se nos pulsos. E os bastões luminosos, entregues a quem chegava, foram acendendo uma constelação improvável no meio da multidão.

As bolas de sabão cruzavam o recinto, levadas pela brisa, e houve quem as olhasse como se fossem pequenos milagres. Talvez fossem. Naquela noite, tudo parecia possível.

À frente da consola, o DJ Nuno Silva, do programa Rua 80, da Rádio Universitária do Algarve, foi mais do que um DJ. Foi um contador de histórias. Cada tema que lançava era uma porta que se abria para uma juventude que não volta mas que, por umas horas, voltou. E voltou com força.

Eles vieram de longe. E dançaram como se estivessem em casa.

As centenas de “zumbásticas” que, instantes antes, tinham enchido a Praça do Mar com a aula de Zumba Anos 80 conduzida por Bela Pereira, não arredaram pé. Ficaram. Porque aquela noite não era só para dançar. Era para estar.

Turistas ingleses, que passavam e ouviram os primeiros acordes, juntaram-se à festa. Galvanizados pelas músicas dos seus tempos de juventude, deixaram-se ficar. E dançaram. E riram. E foram, por umas horas, parte de uma comunidade que não fala a mesma língua, mas que sente a mesma coisa quando a música toca.

Foi então que percebemos: aquilo não era apenas uma festa dos anos 80. Era uma festa da humanidade. Daquilo que nos faz iguais, apesar de tudo o que nos separa.

Uma terra de gente que quer ser feliz

Sim, porque há uma Quarteira que não se vê nos folhetos turísticos. Uma Quarteira que se sente. Uma terra de gente que quer ser feliz e que procura, todos os dias, fazer feliz quem está ao lado. Sem reservas. Sem cálculo. Com o coração na mão.

Naquela noite, vi amigos a abraçarem-se sem motivo. Vi desconhecidos a dançarem juntos. Vi alguém a chorar de alegria quando o DJ lançou a música da sua adolescência. Vi um pai a dançar com a filha ao colo, ambos a rir.

Vi felicidade. Felicidade pura, simples, desarmante. Aquela que não se compra nem se planeia. Aquela que só acontece quando uma comunidade se junta e se lembra de que é comunidade.

Os que estiveram lá, do início ao fim

A festa contou com a presença do presidente da Câmara Municipal de Loulé, Telmo Pinto, e do presidente da Junta de Freguesia de Quarteira, João Romão. Eles estiveram lá. Não apenas como representantes institucionais, mas como pessoas que acreditam e que trabalharam, ao longo de todo o verão, para que momentos como aquele fossem possíveis.

O Verão Ativo 2026 promoveu a saúde e o bem-estar de forma gratuita, ao longo de toda a época estival. Mas fez mais do que isso. Criou laços. Criou memórias. Criou uma comunidade que se reconhece e que se celebra.

E se houve um travo a despedida…

Houve. Claro que houve. Quando as últimas músicas tocaram e as luzes começaram a apagar-se, houve aquele aperto no peito de quem sabe que algo bonito chegou ao fim. Houve abraços mais longos. Houve olhares que diziam o que as palavras não conseguiam.

Mas ficou também a certeza de que o Verão Ativo voltará. Porque em Quarteira, e isso ninguém nos tira, a energia, a comunidade e a vontade de dançar não têm estação.

Obrigado, Quarteira. Obrigada por nos ter ensinado, mais uma vez, que a felicidade não é um destino. É uma praça cheia de gente a dançar ao pôr do sol e pela noite dentro.

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