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Fundação Ageas e Fundação ”la Caixa” anunciam parceria de cinco milhões de euros para investimento de impacto no setor social

A Fundação Ageas e a Fundação “la Caixa” com a colaboração do BPI acabam de anunciar uma parceria estratégica para o investimento de impacto no setor social nos próximos cinco anos, com o valor de cinco milhões de euros. A parceria dirige-se a projetos ligados à saúde, envelhecimento e deficiência e pretende colocar à disposição do terceiro setor um novo instrumento de financiamento de médio/longo prazo, que promova a inovação, a sustentabilidade e a capacidade de escala das organizações do terceiro setor.

João Machado e José Pena do Amaral

A nova parceria Fundação Ageas e a Fundação “la Caixa” com a colaboração do BPI vai permitir a estas organizações aceder ao chamado “capital paciente”, através de instrumentos financeiros híbridos de médio/longo prazo, como acordos de partilha de receita, títulos de impacto social e instrumentos de quase-capital, combinando o financiamento convencional com apoio não financeiro adaptado às necessidades de cada entidade. O modelo foi desenhado numa lógica de evergreen fund (fundo contínuo), onde o retorno do investimento é reinvestido noutras inovações sociais.

A estrutura de governo da Parceria prevê um Conselho Geral, uma Comissão de Investimentos e um Grupo Desafiador (Firechat Board) que integram profissionais do universo BPI e de ambas as fundações, com elevada experiência no financiamento de investimento, assegurando um elevado nível de exigência na seleção e de cada projeto.  

Um eixo complementar da Parceria é o impulso da Prescrição Social[1] em Portugal, uma abordagem inovadora que permite aos profissionais de saúde encaminhar Utentes para respostas comunitárias, muitas delas promovidas por organizações sociais (como grupos de atividade física, projetos de combate à solidão, programas intergeracionais ou iniciativas culturais). Ao conectar os Cuidados de Saúde Primários à rede comunitária, a Prescrição Social atua diretamente sobre determinantes sociais e emocionais da saúde, contribuindo para reduzir a pressão e os custos do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e a dependência de medicação.

Nos próximos cinco anos, a Parceria Fundação Ageas com Fundação “la Caixa”/BPI pretende, portanto, atingir dois grandes objetivos: consolidar o investimento de impacto como ferramenta relevante na filantropia social em Portugal e financiar soluções eficazes e com escala nas áreas da saúde, envelhecimento e deficiência; complementarmente, acelerar a agenda nacional de Prescrição Social, desenvolvendo capilaridade e capacidade de resposta nas comunidades envolvidas.

“A Fundação Ageas e a Fundação “la Caixa” juntaram-se para colaborar na disponibilização de capital paciente, flexível, em maior quantidade e que será acompanhado de apoio não financeiro personalizado. A ideia para esta parceria surgiu a partir da auscultação às necessidades dos empreendedores sociais e dos dirigentes das organizações da economia social. Constantemente, ao longo da última década, foi mencionada a inexistência de financiamento adequado às reais necessidades das organizações que pretendem fazer crescer a sua intervenção e chegar a mais beneficiários, devido ao facto de o financiamento existente estar focado em planos de curto prazo e ser restritivo face às despesas elegíveis”, refere João Machado, Presidente da Fundação Ageas.

“Esta parceria tem, para a Fundação “la Caixa”, dois grandes méritos: a abertura a novos métodos e instrumentos que permitam diversificar o apoio ao sector social, neste caso através do investimento de impacto, e, por outro lado, a valorização da colaboração entre as grandes instituições filantrópicas, como caminho para multiplicar a relevância das suas iniciativas e a convergência dos seus recursos, para ajudar a responder a problemas sociais complexos, com novas propostas, estratégias e soluções” indica José Pena do Amaral, Membro da Comissão de Responsabilidade Social do BPI e Membro do Conselho da Fundação “la Caixa” em Portugal.

O anúncio da parceria foi feito numa sessão focada no futuro da Economia Social, onde especialistas e agentes do ecossistema refletiram sobre a urgência da colaboração entre instituições e a importância de se apostar em instrumentos financeiros inovadores, que complementem os apoios filantrópicos tradicionais e que permitam que soluções sociais ganhem escala, se tornem sustentáveis e multipliquem o seu impacto. O evento, que decorreu no dia 30 de setembro, no Pavilhão de Portugal, contou ainda com a presença do Ministro da Presidência, António Leitão Amaro.

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