Quarteira

Quarteira celebrou a vida e o afeto num desfile de moda onde a elegância foi o sorriso

Por: Jorge Matos Dias / PlanetAlgarve

Banco de Tempo de Quarteira promoveu um desfile único na Praça do Mar, com a participação de utentes da AHDPA e de membros da comunidade, provando que a beleza não tem idade

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Na tarde de hoje, 9 de outubro, a renovada Praça do Mar, em Quarteira, transformou-se num palco de emoções puras. O Banco de Tempo local promoveu um Desfile de Moda diferente de todos os outros, onde a maior elegância foi a dos sorrisos e a melhor passarela foi a do afeto.

Um desfile que este ano contou com a participação de diversos cães vestidos por Verónica, Maria João, Bia e Marta, do projeto Tia Anica: Reciclagem e Reutilização com base nas técnicas da Costura (Loulé Criativo).

O coração aberto da comunidade

Isabel Pinto, coordenadora do Banco de Tempo de Quarteira, não escondia a emoção: “Estes desfiles fazem parte da Semana do Idoso. Temos de ter em atenção que as pessoas todas têm de se recolher cedo às suas instituições, por isso estes desfiles acabam por também ser muito cedo. Mas tudo se coordena. Este desfile é um bocadinho sui generis, não é o que é habitual. Mas todos nós, quando chegamos a uma certa idade, temos muitas recordações. Uns com vontade de recordar aquilo que já fizeram, como se mascararam, como foram para os bairros, como andaram. Outros que tiveram sempre um sonho de se vestir assim, outros de se vestir assado e não conseguiram. Estes desfiles são para que as pessoas se sintam úteis e se sintam visíveis. Nós não temos idades. A nossa idade está na cabeça, está no coração, está no espírito e na alma. O corpo é só um envelope. De maneira que precisamos da alegria e muitas coisas destas. Agradeço-os e espero que compreendam e que gostem daquilo que nós apresentamos desta vez”.

“Uma verdadeira aspirina para a longevidade”

João Romão, presidente da Junta de Freguesia de Quarteira, sublinhou a importância da iniciativa: “Apenas salientar que a aposta continua, é sempre um prazer ver esta faixa etária em diversas, muitas, muitas atividades, sempre ocupados, sempre com uma dinâmica positiva. E cabe-nos a nós proporcionar estes momentos e esta possibilidade de eles continuarem a viver, a desfrutar de momentos que para eles são verdadeiras aspirinas para a longevidade. Este é o caminho, esta é a nossa aposta e ficamos sempre contentes de vos ver porque ficam sempre bem em todas as ocasiões e apresentam-nos sempre grandes trabalhos”.

Mais que um desfile, uma declaração de amor

Utentes da AHDPA – Associação Humanitária dos Doentes de Parkinson e Alzheimer e membros do Banco de Tempo – Agência de Quarteira não foram apenas espetadores. Foram estrelas. Desfilaram na passarela entre aplausos, num gesto corajoso que desmontou preconceitos.

A apresentadora Selma Ferreira, com a sensibilidade que marcou o evento, definiu o propósito: “Não há velhos. Todas as pessoas são iguais. Toda a gente tem um minuto, um dia de visibilidade. E os nossos modelos vão mostrar-nos que isso é verdade”.

Gerações unidas pela emoção

O desfile tornou-se num diálogo entre gerações. As alunas que tinham desfilado na edição de 2025, então no 4.º ano da Escola da Fonte Santa, “o nosso futuro”, como lhes chamou Selma, fizeram questão de desfilar também na edição deste ano, ao lado de quem tem uma vida de experiências. Juntas, provaram que a beleza não tem idade.

“Nós começamos por onde nós começamos e nada mais bonito que a infância para começar o desfile, a ter uma idade para lembrar aquilo que nós fomos, de onde nós viemos e aquilo que nós prezamos mais, que não deixa de ser a marca do nosso futuro. Então nós vamos começar com quatro meninas lindas que estiveram connosco no ano passado e este ano, quando nós fizemos o convite, insistiram em dizer que sim e estar aqui connosco. Então é com muita alegria que eu queria começar este desfile de hoje com muita música, com ritmo”.

Reflexões e música

Entre passarelas, houve espaço para reflexões profundas sobre o lugar dos idosos na sociedade.

A iniciativa culminou com a atuação do Grupo Coral de Quarteira, dirigido pelo Prof. Ricardo Silva. Mas a verdadeira música foi a dos corações que saíram mais cheios de visibilidade, de dignidade, da simples mas profunda alegria de se sentirem vistos e amados.

Num mundo com pressa, Quarteira parou para celebrar o que realmente importa: que cada pessoa é única, tem valor e merece ter coragem de o mostrar.

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