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Loulé assinalou Dia de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil

Por: Jorge Matos Dias / PlanetAlgarve

Igreja Matriz de Loulé acolheu uma Missa especial em honra da Padroeira do Brasil, com a participação da comunidade brasileira e do CONCID

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A Igreja Matriz de Loulé foi palco, na manhã de domingo, 11 de outubro, de uma Missa especial em honra de Nossa Senhora Aparecida, a Padroeira do Brasil.

A celebração iniciou com a imagem da santa transportada por Juliane Dias e Télio Ribeiro, voluntários do CONCID – Conselho de Cidadãos do Consulado-Geral do Brasil em Faro, e por jovens voluntários das Paróquias de Loulé, sob a batuta de Selma Ferreira.

“Somos um único povo”

O Padre Carlos Aquino explicou o sentido da celebração: “Porque a comunidade brasileira é uma expressão tão significativa no nosso concelho, nós quisemos hoje homenagear a Padroeira do Brasil, que aqui é muito pequenina, mas Deus, que é tão grande, faz também muito pequenino. Até as imagens, para falar do mistério de Deus, como Nossa Senhora, podem ser imagens muito pequeninas.

A data é celebrada no dia 12, em todo o Brasil, a santa que é hoje a padroeira do Brasil, e foi encontrada nas redes nas águas do rio. A Imaculada Nossa Senhora da Conceição Aparecida que une aquele povo, e que nós queremos que também seja um povo unido a nós. Somos um único povo. Vivamos no Brasil ou vivamos em Portugal, somos o povo de Deus”.
O sacerdote manifestou o desejo de organizar, no santuário, um domingo por mês com mais participação do povo irmão do Brasil, à semelhança do que já acontece com as comunidades de Cabo Verde e da Venezuela, para partilhar a fé que une e irmana.

Oração a Nossa Senhora Aparecida

No início da celebração, o Padre Carlos Aquino proferiu uma oração em nome da comunidade reunida, pedindo a intercessão de Nossa Senhora Aparecida: “Mãe Querida e Padroeira do Brasil, hoje vos acolhemos com imensa alegria, fé e amor, nesta nossa comunidade paroquial. Vós sois a Nossa Mãe. Caminhai com a luz da fé, fortalecei-nos nas dificuldades, consolai os que sofrem, amparai os doentes, protegei as nossas crianças e jovens e dai esperança a todos os que se sentem desanimados ou sozinhos. Ensinai-nos a dizer sempre sim à vontade de Deus e conduzi-nos ao encontro de Jesus, vosso Filho amado”.
“Sou louletana e digo isso com muito orgulho”

Selma Ferreira, presidente do CONCID, agradeceu esta homenagem ao povo brasileiro e à sua fé: “Muito obrigada por esse momento e pelo reconhecimento ao nosso povo, àquilo que nós representamos e às nossas ‘fés'”.

Numa nota pessoal, recordou: “Hoje quero agradecer, do fundo do meu coração, o acolhimento que há 30 anos atrás o Concelho de Loulé me fez. Agradeço a todos. Eu não tenho nacionalidade portuguesa ainda, mas sou louletana, e digo isso com muito orgulho”.

Selma Ferreira apelou à compreensão e à tolerância num momento conturbado do mundo: “Peço que neste momento do mundo, que é um momento confuso, onde muitas nacionalidades sofrem, cada um de nós semeie a tolerância, a fé e o amor. O povo português também precisa ser visto dentro do seu país. Se nós apregoarmos o amor, nós recebemos o amor”.

Visita do bispo em dezembro

O Padre Carlos Aquino informou ainda que o bispo do Algarve escreveu uma nota pastoral no início da sua missão, manifestando o desejo de visitar as comunidades para conhecer a realidade da diocese. D. Vitorino Soares virá a Loulé no dia 20 de dezembro, quarto domingo do Advento.

Declarações de Selma Ferreira ao PlanetAlgarve

Em declarações ao PlanetAlgarve, Selma Ferreira explicou que a missa foi um convite do Padre Carlos Aquino à comunidade brasileira: “Esta missa foi um convite do padre Carlos Aquino à comunidade brasileira para que nos pudéssemos juntar e comemorar a festa de Nossa Senhora de Aparecida, que é dia 12 de outubro, no Brasil. Aqui em Portugal, essa comemoração já é feita por algumas paróquias do Algarve, mas Loulé ainda não havia feito nada específico”.

Sobre a organização, explicou: “Com a ajuda do Conselho de Cidadãos Brasileiros, juntamos uma série de pessoas e, com a ajuda da comunidade local, conseguimos organizar essa missa e divulgar essa intenção, que é o simbolismo bem grande dessa missa, essa intenção de união religiosa, de todas as religiões. Seria muito bonito que nós pudéssemos um dia ter uma missa global com cada uma das expressões religiosas manifestando-se, todos juntos, debaixo do mesmo teto. Aqui em Portugal estamos debaixo do mesmo teto”.

Selma Ferreira sublinhou a importância de reconhecer também o povo português: “Essa intenção, esse desejo que nós temos de sermos aceites, recebidos e respeitados, e respeitar e aceitar e receber também todos os povos que aqui estão, é muito importante. Raramente se fala nisso: o povo português não tem só o dever de nos receber, tem o direito de ser bem tratado. É nossa obrigação olhar para ele com carinho também”.

Elogiou ainda o Coro da Igreja Matriz de Loulé, dirigido pela maestrina Arlete Nascimento, que cantou duas músicas alusivas a Nossa Senhora. “Ficamos extremamente felizes com esse momento. Muitos brasileiros emocionados, muitos portugueses emocionados. Não é só uma questão de se agradecer, é de nos emocionarmos juntos. E foi isso que aconteceu”.

Agradecimento especial ao PlanetAlgarve

“Quero também aproveitar esta ocasião para lhe agradecer o trabalho que tem desenvolvido. Costumo dizer que o seu, é um verdadeiro trabalho de formiguinha. No seu caso, já não é bem só assim: é um trabalho muito maior, construído passo por passo! Agradecemos-lhe por estar sempre disponível para acompanhar a comunidade, tanto imigrante como local, sem olhar as diferenças. Considero que o jornalismo que pratica e as reportagens que realiza são um importante instrumento de união, mostrando que, afinal, somos todos parte da mesma comunidade. Seja ao divulgar as danças de uma professora oriunda da Europa de Leste, seja ao dar visibilidade a iniciativas ligadas ao Brasil ou à Venezuela, o que verdadeiramente importa é que tudo acontece aqui, na nossa terra. E é isso que divulga, sempre com muito carinho. Por tudo isto, em nome do Conselho de Cidadãos, dos seus voluntários e de todos nós, quero deixar-lhe o nosso sincero agradecimento”.

O Dia de Nossa Senhora Aparecida

O Dia de Nossa Senhora Aparecida é celebrado em 12 de outubro, feriado nacional desde 1980, em homenagem à padroeira do Brasil, cuja imagem foi encontrada por pescadores no Rio Paraíba do Sul, em 1717.

Origem da devoção

A imagem foi descoberta por três pescadores, Domingos Garcia, João Alves e Filipe Pedroso, em 1717, no Rio Paraíba do Sul, em São Paulo. Após encontrarem primeiro o corpo e depois a cabeça, perceberam que as partes se encaixavam perfeitamente. A partir desse episódio, relatos de milagres e a crescente devoção popular levaram à construção de capelas e, posteriormente, da Basílica Velha (1888) e do Santuário Nacional.

Reconhecimento oficial

Em 1930, o Papa Pio XI proclamou Nossa Senhora Aparecida como Rainha e Padroeira do Brasil. Em 1980, a Lei n.º 6.802 oficializou 12 de outubro como feriado nacional dedicado à santa.

Como é celebrado

Milhões de fiéis participam de romarias ao Santuário Nacional de Aparecida, em São Paulo, o maior templo católico do país. Missas, procissões, novenas e festas populares ocorrem em todas as regiões do Brasil. A data coincide também com o Dia das Crianças, mas mantém forte caráter religioso.

Importância cultural

É uma das maiores celebrações religiosas do Brasil, ao lado do Círio de Nazaré. A devoção à santa é símbolo de fé, identidade nacional e tradição popular.

A pesca milagrosa

Na manhã de 12 de outubro de 1717, três pescadores lançaram os seus barcos no Rio Paraíba. Tinham sido encarregados de trazer peixes para o banquete que se realizaria no dia seguinte, na cidade de Guaratinguetá, por ocasião da visita do conde Assumar, Dom Pedro de Almeida Portugal, governante da capitania de São Paulo e Minas Gerais.

Após várias tentativas infrutíferas, João Alves lançou novamente a rede e pescou um pedaço de madeira que parecia fazer parte de uma estátua da Virgem Maria, sem cabeça. Ao lançar novamente a rede, encontrou o outro pedaço, que se encaixava perfeitamente. A partir daí, a pesca tornou-se abundante.

A veneração popular

No dia seguinte, os três pescadores juntaram os dois pedaços da estátua, limparam-nos e Filipe Pedroso colocou-a na sua humilde casa. Em pouco tempo, a notícia da pesca milagrosa difundiu-se e um grupo cada vez maior de pescadores começou a ir prestar homenagem à Virgem Maria. Deram-lhe o nome de “Aparecida”, que apareceu. Com o tempo, a multidão tornou-se tão numerosa que foi construído um primeiro oratório e, depois, em 1737, uma capela maior. Foram muitos os testemunhos de graças e milagres alcançados naquele pequeno santuário.

A nova igreja

Em 1834, foi iniciada a construção de uma igreja maior, a atual Basílica Velha, concluída em 1888, para onde a estátua foi transferida. Em 1904, a imagem foi coroada a pedido do Papa Pio X. Em 1908, a igreja recebeu o título de Basílica Menor, sagrada em 1909. Em 1930, o Papa Pio XI elevou-a a Basílica, declarando Nossa Senhora Aparecida Padroeira do Brasil.
O primeiro Papa no Santuário de Aparecida

O Papa João Paulo II foi o primeiro Papa a visitar o Santuário de Aparecida, em julho de 1980. Durante a sua Peregrinação Apostólica, disse: “O que buscavam os antigos romeiros? O que buscam os peregrinos de hoje? Aquilo mesmo que buscavam no dia do Batismo: a fé, e os meios de alimentá-la. Buscam os sacramentos da Igreja, sobretudo a reconciliação com Deus e o alimento eucarístico. E voltam revigorados e agradecidos à Senhora, Mãe de Deus e nossa”.

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