Silves

Muralhas e Porta da Almedina classificadas como Monumentos Nacionais

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Em Conselho de Ministros realizado ontem, dia 6 de dezembro, as Muralhas e a Porta da Almedina de Silves foram classificadas Monumentos Nacionais.

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Esta classificação vem assim reconhecer o valor cultural que a proteção e a valorização das Muralhas e da Porta da Almedina de Silves representam para a Nação.

A Medina de qualquer cidade muçulmana é um dos dois polos fundamentais da organização urbana, desenvolvendo-se sob a proteção da alcáçova, mas ligando-se a ela através de, pelo menos, uma porta.

No caso de Silves, e de acordo com o testemunho de Rosa Varela Gomes, parece haver uma pré-existência de origem romana no traçado das principais vias da Medina, dado que ainda hoje é possível distinguir dois eixos, dispostos de forma transversal entre si e entrecruzando-se sensivelmente ao centro da localidade, num modelo que recorda a adoção de um “cardus e de um decumanus” de ascendência romana. O primeiro eixo parte da Porta da Almedina (ou de Loulé) e coloca em comunicação esta entrada principal com a Porta da Alcáçova. O segundo eixo é constituído pela Rua de D. Sancho I e relacionava diretamente as portas poente e nascente da cidade. No local em que estas duas artérias se uniam, localizava-se a mesquita maior, transformada, a partir do século XIII, na atual Sé Catedral de Silves.

Toda a cidade (alcáçova e almedina) era rodeada por muralhas, numa extensão de mais de um quilómetro de distância e que rodeavam cerca de sete hectares.

Parte deste sistema amuralhado foi destruído, mas o remanescente é sobejamente importante ao ponto de elevar Silves ao estatuto de principal monumento militar islâmico citadino do país.

O sistema de portas revela também a complexidade da fortificação. A Porta da Almedina, apesar de muito alterada durante a época cristã, é uma estrutura maciça, protegida por duas torres de tipo albarrã e de configuração em cotovelo. As restantes portas eram defendidas por torres.

Silves, antiga capital islâmica do Gharb, ainda hoje se mantém como um desafio arqueológico de primeira importância. Apesar de parte do complexo militar ter sido suprimido nos séculos de domínio cristão, o que tem vindo a ser descoberto em sucessivas campanhas arqueológicas em vários pontos da cidade, assegura o estatuto de campo arqueológico de vital relevância para o conhecimento da época islâmica no nosso país.

De referir que mereceram, igualmente, classificação de Monumento Nacional o Santuário de Nossa Senhora de Aires, a Ermida do Senhor Jesus do Cruzeiro e o Terreiro da Batalha de Montes Claros (distrito de Évora), o Forte de S. Sebastião e demais elementos arquitetónicos que subsistem dos baluartes e revelins que o ligavam ao castelo de Castro Marim (distrito de Faro), as Termas Medicinais Romanas de Chaves (distrito de Vila Real), os Núcleos do Sítio Arqueológico de Abul (distrito de Setúbal), o Campo Militar de Trancoso (distrito da Guarda) e o Casal de Santa Maria – conjunto edificado e zona envolvente (distrito do Porto).

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