Albufeira

Vidas CM entrevista Marta Viveiros: “Tive de crescer muito rápido”

Cresceu numa família onde o dinheiro escasseava. Cedo começou a trabalhar para ajudar os pais. Agora diz estar a viver um sonho na CMTV e emociona-se quando fala da família, que emigrou em busca de melhores condições de vida.

Marta Viveiros

Marta Viveiros

– A sua história é a do ‘Patinho Feio’, do pato que se transformou em cisne?

– [Risos] Isso é o que nós, a minha família e os meus amigos, costumamos dizer. E eu, quando era pequena, também costumava dizer que era o patinho feio da família.

– Os seus pais emigraram para França…

– Eles emigraram há um ano, porque estavam desempregados e o salário mínimo, que era o que conseguiam ganhar cá, não dava para pagar as despesas.

– É filha única?

– Não. Somos quatro irmãos.

– E a Marta, quando eles emigraram, resolveu mudar-se para Lisboa?

– Não. Eu pensava ir com eles e estudar em França, porque eles disseram que me pagavam os estudos. Mas entretanto, fiquei cá a tomar conta do meu irmão mais novo, e depois, em setembro, fui levá-lo a França e conhecer a cidade. E não gostei, não era aquilo que eu queria. Regressei e voltei para o emprego que tinha no Algarve. Estava sozinha e deu para refletir e decidi mudar-me para Lisboa.

– Mas em França não gostou de quê?

– Eles estão em Besson e lá os emigrantes portugueses são vistos da mesma forma que alguns imigrantes são vistos cá. E pensei: “posso ser bonita, mas eles vão ver-me como uma emigrante e não vou alcançar os meus objetivos”.

– Que são…

– Comecei a estudar representação na Escola Secundária de Albufeira. Entretanto, fiz uns castings, fui selecionada para os ‘Morangos com Açúcar’ [TVI] e fui para Lisboa sozinha, com 18 anos acabados de fazer. Mas os meus pais não tinham posses para me manter lá e passei algumas dificuldades e resolvi, para não passar fome, voltar para o Algarve e deixar esse pequeno sonho de lado. Mas o bichinho ficou durante estes anitos.

– A representação? Quer ser atriz?

– O meu sonho era entrar na televisão. E agora estou no ‘Cem Maldades’ [CMTV] com o Nuno Graciano e estou a adorar. Nunca tinha pensado ser apresentadora, pensava sempre em ser atriz, mas confesso que estou a gostar imenso.

– Sozinha em Lisboa como é que ultrapassa as saudades?

– Pois. Eu sou ‘a filhinha do papá’ por isso é lógico que tenho muitas saudades deles. Eu criei o meu irmão mais pequeno, que tem agora 11 anos. Os meus pais trabalhavam no comércio, restaurantes, cafés …

– A Marta teve uma vida difícil?

– Tive, mas gosto da vida que tive. Somos uma família muito unida.

– Sentia-se acarinhada, amada apesar das dificuldades económicas?

– Sim. Se um de nós está mal vou ter com ele. Nós apoiamo-nos muito. Os meus pais sempre tiveram restaurantes. Nós sempre trabalhámos desde pequeninos. E eu sempre ajudei a minha mãe. Não tenho vergonha de dizer que a minha mãe limpava casas e eu ia com ela, ajudá-la. Para não pagarmos empregadas a família ajudava.

– Nasceu no Barreiro e foi para o Algarve com 13 anos.

– É verdade. Fomos para o Algarve, porque o meu pai, que é construtor civil, recebeu uma proposta de emprego e partiu. Nós, eu e os meus irmãos, ainda ficámos com a minha mãe em Sintra, mas depois a minha mãe pegou em nós e fomos todos para junto do meu pai, em Albufeira.

– Já a viver em Albufeira, a Marta foi eleita Miss Algarve.

– [Risos]. Eu, quando era pequenita, era o patinho feio. Usava óculos e não podia ter aquelas roupas mais giras que as outras miúdas tinham. Era uma maria-rapaz, usava o cabelo apanhado porque tenho o cabelo encaracolado e não gostava mas também não podia alisá-lo.

– Mas gostava de moda?

– Gostava e com 16 anos fiz um workshop de moda. Gostava de moda mas não gostava de mim. A minha mãe é que sempre me incentivou.

– Não gostava de si porquê?

– Eu era muito alta [1,77 metros]. Sou muito alta. Cresci muito depressa. E todos gozavam comigo por causa disso e por ser uma maria-rapaz e andava sempre com os rapazes.

– Refugiava-se neles?

– Gostava mais de brincar com eles e sempre tive mais amigos do que amigas. Ainda hoje. Acho que os homens são mais verdadeiros e identifico-me mais com eles. Tudo o que tenho a dizer, digo. E o meu pai, desde pequenina, pôs-me logo em artes marciais para eu aprender a defender-me.

– Ele tinha medo que lhe fizessem mal?

– Se calhar [risos]. Eu sempre fui a protetora da família. Quando alguém tinha um problema era a Marta que ia lá. Ainda agora é assim.

– É a primeira a chegar-se à frente?

– Sim sou. E como tenho este ar de matulona, pareço muito forte. E sou forte.

– Exterior e interiormente?

– Exatamente. Tenho algum estofo. Ganhei-o com a vida, com a minha infância. Tive de crescer muito rápido. Nunca brinquei com bonecas. A minha irmã, como foi a primeira… Os meus pais, quando eu nasci, eram de classe média depois perderam o que tinham e a minha irmã mais velha ainda teve tudo do bom. Eu já não e consegui habituar-me, ao contrário da minha irmã. Ela recusava-se a fazer tudo, a cozinhar. E eu sempre fui de ajudar. Acho que isso tem a ver com os feitios.

– E hoje dá-se bem com a sua irmã?

– Damo-nos muito bem. Somos unidas. E ela agora olha para mim com orgulho porque, infelizmente, ela está desempregada e eu faço de tudo para ajudá-la.

– As dificuldades moldaram-na a têm-na ajudado a vingar?

– Sim, porque não estou habituada a grandes luxos. Fui para Lisboa com um trabalho nada seguro. Eu ganhava 500 euros.

– E como é que se governava?

– Quando mudei para Lisboa fui para casa da minha irmã, perto de Sintra. Como estava longe pedi à minha tia, que é médica, para me deixar ficar em casa dela, em Lisboa. Depois consegui arranjar a minha casa e um trabalho num restaurante. Com o ordenado conseguia comer e pagar a casa, que era o essencial.

– A Marta consegue viver com o básico?

– Consigo e vivo com o básico.

– Mas já se pode dar a alguns luxos.

– Já, mas não gosto.

– Compro sempre o mais barato e recuso-me a dar muito dinheiro por roupa. Não consigo. Prefiro ir ter com a minha família, pegar neles e irmos jantar fora e pagar-lhes o jantar…

– Tem agora a possibilidade de oferecer-lhes coisas…

– Agora ajudo-os. Vou com eles às compras e pago eu. E eles ficam contentes porque me veem contente por poder ajudá-los. Os primeiros meses em que estive em Lisboa eles também me ajudaram com o que podiam.

– É poupada?

– Não sou poupada na comida, porque era o que via em casa. Era essencial haver comida, ter a despensa cheia.

– Estudou teatro. Concluiu o curso?

– Não. E agora já não quero teatro. Até fazer o casting com o Nuno Graciano [para o ‘Cem Maldades’], que me conheceu no restaurante onde eu trabalhava, eu pensava ir para a universidade tirar Desporto. Entretanto, entrei na CMTV e agora estou a pensar inscrever-me no início do próximo ano letivo em Comunicação Social. Acho importante, essencial, estudar.

– A Marta tem uma maturidade…

– Eu cresci cedo e não tive infância. Comecei a trabalhar com 16 anos numa lojinha a ganhar 112 euros. Assim ganhava dinheiro para pagar as minhas coisas. Fui eu que paguei os meus livros do 9º ano. Desde pequenina… Eu para ganhar dinheiro engraxava os sapatos dos moradores do prédio da minha avó e das minhas vizinhas.

– Tinha que idade?

– Uns sete anos. E limpava as casas das minhas tias. Eu queria era ganhar dinheiro.

– A vida dura que teve não lhe roubou o sorriso.

– Pois não. Os meus pais são tudo. Eles deram-nos tudo e deram-nos o amor que muita gente rica não tem.

– Nunca teve inveja das outras meninas?

– Quando era mais nova elas iam às compras e eu ficava triste, claro. Gostava de me maquilhar e não podia fazê-lo, gostava de ser mais feminina. Mas elas não tinham a família que eu tinha.

– A Marta é uma pessoa positiva?

– Sou. Mas quando eu precisava de uns ténis a minha mãe fazia um esforço e dava-mos. Eu andava bem apresentada, não tinha era aquelas coisas de luxo e de marca que as outras tinham. Mas nunca chorei por causa disso. A primeira vez que chorei foi no Natal. Eu queria uma trotineta e a minha mãe deu-me a trotineta, mas primeiro deu-me o capacete e eu olhei para aquilo: “para que é que eu quero o capacete?!”.

– É uma mulher confiante?

– Sou. Se não já tinha desistido há muito tempo.

– O que é que a fez não desistir?

– Não sei. Qualquer coisa aqui dentro dizia-me para não desistir. O meu pai dizia: “desiste. Há muitas miúdas que têm conhecimentos”. Mas aqui dentro algo me dizia que tinha de ir para Lisboa e que tinha de tentar. Chorei muito quando trabalhava no restaurante em Lisboa.

INTIMIDADES

– Quem gostaria de convidar para um jantar a dois?

– Fátima Lopes, a apresentadora. Adorava conhecê-la. Em miúda via os programas dela e chorava quando ela chorava… Acho-a muito emotiva.

– Quem é para si o homem mais sexy?

– O meu pai, Francisco Viveiros.

– O que não suporta no sexo oposto?

– Serem convencidos.

– Qual o seu maior vício?

– Doces.

– O último livro que leu?

– ‘O Segredo’.

– O filme da sua vida?

– O que me marcou mais foi ‘Lagoa Azul’.

– Cidade preferida?

– Lisboa.

– Um desejo?

– Ter a minha família toda junta
outra vez.

– Complete. A minha vida é…

– Um mar de emoções.

PERFIL

Marta Viveiros tem 23 anos. Nasceu no Barreiro, cresceu em Sintra e aos 13 anos foi para Albufeira. No Algarve ganhou o título de miss e começou a trabalhar para ajudar os pais. Empregada em lojas, sonhava com a televisão. Mudou-se para Lisboa em busca do sonho, onde conheceu Nuno Graciano com quem divide a apresentação de ‘Cem Maldades’, na CMTV.

Fonte: Vidas CM

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