Loulé

ALMANCIL | Moradores devastados após conclusão de linha de alta tensão de ferrovias da EDP

Um grupo de britânicos residentes na Torre, em Almancil, têm ficado devastados com a obra de uma linha de alta tensão contestada, que eles acreditavam que tinha sido embargada, e que ficou concluída no fim de semana passado pela EDP.

edp_almancil

Há dois anos e meio, um grupo de residentes estrangeiros na Torre têm lutado contra a linha de alta tensão Estoi-Almancil. Em 2011, logo após a colocação dos postes, os moradores lançaram uma ação legal contra a Direção Regional de Economia (DRE Algarve).

Em 14 de setembro de 2011, o Tribunal Administrativo de Loulé decidiu que a EDP deve “abster-se de continuar com qualquer construção na linha de alta tensão Estoi-Almancil 60KV LA 60-172”.

Consequentemente, a obra foi embargada e desde então os trabalhos foram interrompidos.

No entanto, na quinta-feira da semana passada (11 de julho), os residentes na área ficaram assustados ao ver os trabalhadores no local, preparando-se para completar o trabalho que foi iniciado dois anos antes.

O médico Robin Thomson, que vive no Algarve há 25 anos e está entre os moradores que instigaram a ação legal, disse ao The Portugal News na terça-feira passada que está “devastado” com este desenvolvimento.

“Eles vieram com os helicópteros e seguiram em frente com os trabalhos. Em dois dias, terminaram o que normalmente levaria semanas para fazer. É totalmente ilegal”, argumentou, acrescentando: “Os helicópteros também fizeram muitos estragos nos jardins”.

Robin Thomson alegou que ele é um de vários proprietários de imóveis na área cujas propriedades agora são “inúteis”, diz que a linha também tem dizimado o seu plano de reforma.

“Sou dono de uma quinta que tem uma dúzia de edifícios e eu ia desenvolvê-los como um projeto para a minha aposentadoria. Perdi a minha aposentadoria e uma vasta quantidade de dinheiro”.

Os moradores estão agora a considerar levar o caso aos tribunais europeus.

“Eu fui lá com a minha máquina fotográfica para tirar fotos, mas o o dono do terreno chamou a GNR, que veio, pegaram na minha máquina fotográfica e apagaram as fotos. Por que fariam isso se tudo é legal?”, diz Robin Thomson.

Contatada pelo The Portugal News, na sexta-feira passada, uma fonte do Tribunal de Loulé disse que, no que lhes diz respeito, o embargo continua em vigor.

Mas um e-mail da EDP enviado ao The Portugal News, no mesmo dia, confirma a continuação dos trabalhos nas linhas aéreas na Torre, explicando também que, como resultado de um inquérito realizado pelo Ministério da Economia ” dado a conhecer a todos os interessados” no dia 4 de outubro de 2012, “o embargo foi extinto e a decisão proferida pelo Tribunal em 14 de setembro de 2011 já não está em vigor”.

Um perito judicial perto do caso deu esta explicação, argumentando que “um embargo não expira assim. Pura e simplesmente não expira assim, um tribunal tem que decretar nesse sentido” e nesta situação isso não aconteceu.

A linha de alta tensão Estoi-Almancil é composta por um total de 54 postes, suportando uma linha que se estende por mais de 13.027 metros, afetando 123 proprietários. A EDP afirma que apenas os proprietários da Torre se opuseram à linha, apesar dessas propriedades serem “meramente atravessadas por via aérea pelos cabos da linha”.

A empresa diz que as suas instalações são projetadas e construídas “em estrita conformidade com as recomendações feitas pela União Europeia, pela Organização Mundial de Saúde e pela Comissão Internacional sobre a Radiação Não-Ionizante” e que as leituras tiradas das suas linhas de alta tensão apresentam “valores muito abaixo do mínimo recomendado”.

A EDP sublinha ainda que a linha em questão foi planeada para garantir um reforço da rede e melhorar a qualidade do serviço técnico prestado nos distritos de Loulé, Albufeira, Faro e Olhão, para os quais o atraso do prazo de entrega da obra é prejudicial para o interesse público, regional e nacional”.

Fonte: Carrie-Marie Bratley/The Portugal News

Tradução do original em Inglês: Jorge Matos Dias/PlanetAlgarve

VERSÃO ORIGINAL EM INGLÊS

Almancil residents “devastated” after EDP railroads High Tension Line completion

A number of British residents in the Torre area of Almancil have been left “devastated” after work on a contested High Tension Line, which they believed was embargoed, was completed this past weekend by national energy company EDP.

 For two-and–a-half years a group of foreign residents from Torre have been fighting the complet-ion of the Estoi-Almancil High Tension Line. In 2011, shortly after the pylons went up, the residents launched legal action against the Regional Algarve Economics Bureau (DRE ALG), a regional branch of the Ministry of Economy (MoD).

On 14 September, 2011, Loulé’s Fiscal and Administrative Court ruled that EDP should “abstain from continuing with any construction on the Estoi-Almancil 60KV LA 60-172 overhead High Tension Line.”
Consequently an injunction was placed on the work and since then no further labour had taken place.
However, on Thursday last week (11 July), residents in the area were startled to see workers at the site, preparing to complete the job that was commenced a couple of years earlier.
Dr. Robin Thomson, who has lived in the Algarve for 25 years and is among the residents who instigated the legal action, told The Portugal News on Tuesday this week that he is “devastated” at the development.
“They came in with the helicopters and just went ahead with the work. In two days they finished what would normally take weeks to do. It’s totally illegal”, he argued, adding: “The helicopters also did a lot of damage to gardens.”
Claiming he is one of several property owners in the area whose properties are now “worthless”, Dr. Thomson says the line has also wiped out his retirement plan.
“I own a farm that has a dozen buildings on it and I was going to develop them as a project for my retirement. I have lost my retirement and a vast amount of money.”
The residents are now considering taking their case to the EU courts.
“I went there with my camera to take pictures but the site manager called the police who came, took my camera and deleted the pictures. Why would they do that if everything is legal?” Dr. Thomson charged.
Contacted by The Portugal News last Friday, a source from Loulé Court said that as far as they were concerned the injunction was still very much in place.
But an email from EDP sent to The Portugal News that same day, confirming the work taking place on overhead lines in Torre, also explained that, as the result of an enquiry carried out by the MoD and “made known to all interested parties” on 4 October 2012, “the injunction was extinguished and the decision delivered by the court on 14/9/2011 is no longer in force.”
A legal expert close to the case slammed this explanation, arguing “an injunction does not expire like that. They don’t just expire, a court has to decree it” and in this situation that has not happened.
The Estoi-Almancil High Tension Line is made up of a total of 54 pylons supporting a line that extends over 13,027 metres, affecting 123 property owners. EDP claims that only property owners from the Torre area have opposed the line, even though those properties are “merely crossed aerially by the line conductors.”
The company says its installations are designed and constructed “in strict compliance with recommendations made by the EU, the World Health Organisation and by the International Commission on Non-Ionising Radiation” and that readings taken from their High Tension Lines are “far below the minimum recommended values.”
It further stressed that the line in question was planned to “guarantee a reinforcement of the network and improve the quality of technical service rendered in the districts of Loulé, Albufeira, Faro and Olhão, for which the [delayed] delivery time of its construction is damaging to regional and national public interest.”

Carrie-Marie Bratley/The Portugal News

Categories: Loulé

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.