Loulé

Guilherme d’Oliveira Martins recebeu Medalha de Mérito Municipal e dedicou distinção à família materna

“Sinto-me hoje, mais do que nunca, um verdadeiro louletano”, afirmou Guilherme d’Oliveira Martins, na passada sexta-feira, durante a cerimónia de atribuição da Medalha de Mérito Municipal de Loulé – Grau Ouro, que decorreu no Salão Nobre dos Paços do Concelho.

Perante uma plateia composta por várias personalidades louletanas ligadas à política, à área financeira e, sobretudo, à cultura, o presidente do Centro Nacional de Cultural manifestou a sua gratidão por este reconhecimento e não esqueceu os laços familiares que o ligam a Loulé, em particular à Freguesia de Boliqueime. “Dedico esta honra muito importante para mim, que me foi concedida pelo Município de Loulé, à memória da minha mãe e dos meus avós. Eles que sempre me ensinaram a amar esta terra”, sublinhou o antigo Ministro.

Nesta relação com Loulé, Oliveira Martins reportou-se também ao momento da assinatura da Convenção de Faro, do Conselho da Europa, firmada em território louletano,  em 2005, e em que o presidente do Centro Nacional de Cultura teve a responsabilidade de coordenação. “Tive enorme gosto de ver que essa assinatura da Convenção foi aqui na minha terra. É uma Convenção extremamente importante porque liga, pela primeira vez, o património cultural que recebemos das gerações passadas, à criação contemporânea. Não é uma realidade retrospetiva, é uma realidade viva, é uma realidade que tem a ver com o património arquitetónico, com o património natural, com o património material e imaterial, tem a ver também com a criação de uma cultura”, explicou.

Nesse sentido, o homenageado falou da importância desta Convenção para a qualificação do Algarve. “O Algarve precisa de uma forte aposta na exigência e na qualidade. Tem potencialidades que precisam de ser devidamente aproveitadas, há toda a história dos últimos anos de maus exemplos, mas sobretudo temos que apostar fortemente em criar condições para a exigência e para a qualidade. É fundamental preservarmos este nosso querido Algarve para podermos regressar às raízes, para podermos compreender a força dessas raizes e entender, afinal, que nada está perdido”, referiu, adiantando ser necesário o empenho de todos “na criação, no Concelho de loulé e na Freguesia de Boliqueime, de algo que permita constituir um exemplo das boas práticas”.

Neste momento de homenagem a esta “grande figura da vida portuguesa”, Seruca Emídio falou do simbolismo da cerimónia dos Agraciados como um momento de “gratidão de toda a comunidade”. “O respeito mútuo como princípio da ética política e que implica naturalmente a aceitação da diferença é bem demonstrativo da forma como Loulé sempre soube distinguir as mais diversas personalidades locais e nacionais”, disse o autarca louletano.

Relativamente ao percurso de Guilherme d’Oliveira Martins, quer como deputado, membro de vários governos constitucionais ou como presidente do Tribunal de Contas e do Centro Nacional de Cultura, o edil louletano considerou que “tem dado sempre mostras de uma visão global da sociedade portuguesa e europeia profundamente humanista, muito própria e singular, de grande clareza de pensamento, de determinação na ação, de qualidade na intervenção e de uma grande coragem”.

Enaltecendo o seu papel em prol da Cultura, o autarca louletano referiu dois importantes motivos que levaram à atribuição da Medalha de Mérito Municipal: as suas origens familiares ligadas ao Concelho e à Freguesia de Boliqueime e, por outro lado, a colaboração com a Autarquia em vários momentos da gestão local: a participação no júri do Prémio de Arquitetura e Urbanismo do Concelho de Loulé, em 2011, na qualidade de munícipe de reconhecido prestígio, altura em que considerou Loulé como das autarquias com boas práticas, a sua participação da Convenção de Faro, em 2005, e a Conferência “Património Cultural – Uma nova convenção do Conselho da Europa para o século XXI” onde ficou bem evidenciado a importância da preservação do património cultural como um todo, funcionando desse modo como um fator de paz.

Seruca Emídio falou ainda desta homenagem como “um ato de justiça” pela “intensa atividade profissional desenvolvida em instituições públicas do mais alto prestígio; a sua empenhada atenção aos problemas do País, associada a uma aguda perceção do serviço público fazem com que, nestes últimos anos, tenha vindo a exercer, com proficiência, equilíbrio e isenção, o delicado cargo de Presidente do Tribunal de Contas”.

Por seu turno, o presidente da Assembleia Municipal de Loulé, Mário Patinha Antão, referiu-se a esta “homenagem a alguém que tem os genes da terra na sua matriz, o seu prazer demonstrado pelos tempos que viveu nesta terra e as qualidades invulgares que tem tido em tudo o que foram as suas atividades dominantes e sentido de entrega à causa pública”.

Património como saída da crise

Quando questionado sobre se a crise financeira nacional e internacional poderá relegar para um segundo plano as questões do património, Guilherme d’Oliveira Martins referiu que a economia da cultura, que ganha cada vez mais importância, poderá ser a resposta para a crise. “Esta crise financeira deveu-se à valorização da especulação e à valorização do curto prazo. É chegado o tempo de valorizarmos a criação e o médio e longo prazo, o diálogo entre as gerações, o diálogo cultural”, explicou.

Por último, o presidente do Centro Nacional de Cultura considerou que esta é “uma oportunidade de pôr a cultura em primeiro lugar; a cultura como algo que está no centro da criação, no centro da resposta aos problemas da justiça”. “Hoje vivemos dramas terríveis, o desemprego aumenta. Precisamos de criar condições para, através da valorização da cultura, podermos dar o salto e avançar no sentido que é claramente o da superação desta crise”, concluiu.

O Município de Loulé

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