Desporto

Invisual tavirense melhora marcas nos mundiais de França

Nelson Gonçalves, praticante paralímpico da modalidade de atletismo adaptado na área da deficiência visual (cego total, classe F11), representou a região do Algarve no Campeonato do Mundo, em Lyon, França.

Nelson Gonçalves no lançamento do disco

Nelson Gonçalves no lançamento do disco

No dia 19 de julho, iniciou-se o Campeonato do Mundo de Atletismo Adaptado, em Lyon, França, decorreu entre 19 e 28 de julho, e foram transmitidos em direto aqui no PlanetAlgarve. O mundial disputou-se nas três áreas de deficiência: área visual, intelectual e motora. Portugal só não esteve com atletas presentes na área motora.

Nelson Gonçalves, na sua avaliação destes campeonatos, refere que “cada dia, cada ano, os países estrangeiros apostam mais e colocam as fasquias mais altas, Portugal tenta acompanhar, mas os nossos resultados são o reflexo de que a real aposta do nosso país, e das entidades que têm a responsabilidade de proporcionar as melhores condições e aquisições para a nossa Selecção Nacional não o estão a fazer a 100%; continuam a existir muitas lacunas”.

O atleta tavirense acrescenta: “Penso que deixei o Algarve bem visto e bem representado, apesar das minhas classificações não terem sido tão boas como nos jogos paralímpicos, pois esta minha participação correu com imprevistos”. A mais prejudicial foi uma lesão durante as competições, uma contratura muscular no braço com que Nelson Gonçalves lança.

Quanto aos resultados, o tavirense obteve o 10.º lugar na prova de disco, com a marca de 26,66m. Esta prova (na qual contraiu a lesão) foi, segundo o próprio, “a que se revelou mais fraca”. Nelson Gonçalves adianta que tal situação “já era um pouco prevista”, apesar da sua melhor marca da época ser 27,76m.

Na prova de dardo, o insivual tavirense obteve o 5.º lugar com a marca de 33,76m. Trata-se da sua melhor marca obtida até hoje em campeonatos internacionais, ficando assim próximo da melhor marca nacional, 34,05m, pertencentes ao próprio Nelson Gonçalves. O tavirense revelou mesmo que “o objetivo seria os 35m mas nesta altura já tinha a referida contratura”.

Finalmente, no peso, o atleta chegou ao 11.º lugar com a marca de 9,33m. «O objetivo seria melhorar a melhor marca da época (9,99m) a qual daria uma muito melhor posição de ranking.

Para o atleta, «dentro das condições físicas do momento, consideramos, eu e o meu treinador, que esta participação foi bastante boa, tendo em conta a lesão. Mesmo assim, aproximei-me bastante das marcas de referência. Apesar de alguns meios terem passado uma imagem negativa sobre a minha participação e eu ter de gerir toda a problemática da lesão mais a má imagem que tentaram passar de mim, os resultados, volto a referir, penso que tenham sido razoáveis (bons). O Algarve não ficou derrotado!”, garantindo “a minha continuidade no projeto paralimpico e continuação para o projeto paralímpico do Rio de Janeiro”.

Nelson Gonçalves, 38 anos, casado, é atleta do Grupo Desportivo Pic Nic, de Vila Real de Santo António. Foi medalha de bronze nos Europeus de 1999. Foi galardoado pela Câmara Municipal de Tavira com a distinção ‘Mérito Desportivo’.

Como episódio da sua carreira, destaca a manchete de um jornal holandês do dia seguinte a uma prova em que participou: “Português com pontaria para acertar no juíz de atletismo”.

5 medalhas de bronze no Campeonato do Mundo de Atletismo IPC – Lyon 2013

Terminou com a maratona o Campeonato do Mundo de Atletismo IPC Lyon 2013, a maior competição da modalidade desde os Jogos Paralímpicos de Londres 2012.

Portugal esteve representado por 21 atletas, os quais, ao longo de nove dias, competiram em 25 provas, tendo conquistado 5 medalhas de bronze. Nuno Alves abriu a medalheiro português com o bronze conquistado, ao primeiro dia de competição, nos 5000m, T11, seguindo-se Lenine Cunha, que repetiu o feito dos Jogos Paralímpicos de Londres 2012, com o bronze no salto em comprimento, T20. A terceira medalha foi conquistada por Maria da Graça Fernandes no salto em comprimento, T37/38. A fechar o medalheiro nacional, os maratonistas Gabriel Macchi e Joaquim Machado conquistaram o bronze nas maratonas T12 e T11, respectivamente.

Para o Chefe de Missão, Luís Figueiredo, o balanço é “muito positivo”. “Entre os 21 atletas presentes, tivemos 6 melhores marcas do ano, 4 recordes pessoais, 19 atletas nas finais e 5 medalhas de bronze. Esta competição realiza-se numa altura do ano em que os atletas sofrem o desgaste de uma longa época competitiva, para além das condições logísticas e climatéricas não serem as ideais, com as provas a serem disputadas com temperaturas acima dos 30 graus e humidade superior a 60%, no entanto os resultados apareceram”, afirmou Luís Figueiredo.

Texto: Jorge Matos Dias (PlanetAlgarve) com Ademar Dias (Rádio Horizonte) e Comité Paralímpico de Portugal

Foto: Comité Paralímpico de Portugal

Categories: Desporto, Tavira

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