Faro

Novos equipamentos desportivos inaugurados no Dia do Município

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O Dia do Município foi assinalado com a abertura ao público de dois novos equipamentos desportivos – o Ginásio do Mercado Municipal de Faro e o Pavilhão Desportivo Municipal da Penha.

No primeiro caso, a gestão do Ginásio do Mercado foi entregue ao Judo Clube do Algarve que, mais de dez anos volvidos, regressa ao piso 1 do edifício do Mercado Municipal de Faro, num espaço amplo e renovado, que permite a prática de várias modalidades desportivas, com destaque para o Judo, a miúdos e graúdos e a preços bastante competitivos.

Relativamente ao Pavilhão Desportivo Municipal da Penha, chega ao fim mais de uma década de atrasos e recuos num equipamento que será de gestão municipal e irá ser utilizado, inicialmente, por cerca de quinze associações desportivas do concelho de Faro, em modalidades como ginástica, basquetebol, voleibol, futsal, ténis de mesa, desportos de combate, danças, entre outros.

É constituído por uma área desportiva – nave principal e ginásio multiactividades, arrecadações para arrumos de equipamentos desportivos, seis balneários para praticantes e dois balneários de árbitros, bancada fixa com cerca de 500 lugares sentados e bancada amovível com capacidade para cerca de 400 pessoas, bar, área técnica,  e receberá o Gabinete Faro Ativo, de promoção e aconselhamento da atividade física e ainda todos os utilizadores do projeto Sénior Ativo (cerca de 500 praticantes) em atividades durante o dia;

Faro carecia, há muitos anos, da realização deste investimento público. Em respeito pelos valores da ética desportiva, pela assunção de compromissos de uma vida saudável e, acima de tudo, por respeito às necessidades, aptidões e interesses dos munícipes.

Intervenção do Presidente da Câmara Municipal, José Macário Correia:

O Dia do Município, com a solenidade e as circunstâncias próprias, suscita, obviamente, algumas palavras de reflexão por parte dos seus principais responsáveis.

Estando o mandato a poucos dias do seu fim, não me caberá fazer aqui hoje, grandes promessas e estabelecer compromissos para os próximos anos. Por razões, porventura não totalmente conhecidas, não serei julgado e avaliado eleitoralmente pelos farenses com quem tenho trabalhado de forma muito intensa e franca.

Sei da minha original vontade e presumo não me enganar na de muitos deles, mas isso fica na consciência de cada um de nós.

A crise de ordem financeira e económica que atravessou este mandato, a todos e a tudo condicionou de modo drástico. Só que as dificuldades do Município de Faro, para pior têm raízes e causas anteriores.

Por dificuldades processuais longas e imprevistas, não se conseguiu até hoje desbloquear o empréstimo para acudir aos antigos credores, com anos de angustiante espera.

Todavia, tomaram-se medidas adequadas ao reequilíbrio das contas municipais.

E conseguiu-se algum equipamento público. Nuns casos, com investimento municipal, em outros com iniciativas do Estado ou de empresas privadas.

Temos melhorias no abastecimento de água e no tratamento de esgotos desde a Culatra aos Gorjões;

A rede de respostas sociais cresceu no Montenegro, Estoi, em Santa Bárbara de Nexe e na cidade;

Criaram-se espaços desportivos, na Penha, no Mercado, no Patacão, em Gambelas e outros locais;

As escolas secundárias foram modernizadas.

O aeroporto bastante melhorado;

Diverso investimento privado no comércio, no turismo e na saúde;

O Parque das Figuras é uma realidade e o Parque Ribeirinho está em obra;

Aos poucos vai-se fazendo a escola da Lejana e já se ampliaram as de Bordeira e de Vale Carneiros;

A rede de transportes públicos está melhor.

Fica-nos a mágoa de ver a variante norte parada e os concursos para o cais comercial e para a doca exterior enrolados nas indecisões dos serviços do Estado.

A posição de Faro no contexto regional, na sua capitalidade, exige equipamento estruturante, que ainda não temos.

Faltam hotéis, um pavilhão multiusos com dimensão, centros empresariais e áreas para realização de novas atividades que tenham efeito de âncora.

O planeamento e a boa execução dos objetivos estratégicos de Faro, exigem visão, ambição e estabilidade governativa nos órgãos do Município. Mas por circunstâncias variadas, esta última não se tem verificado.

A cidade e o concelho fazem-se não apenas de obras físicas, mas também com valores, com atitude, com presenças e posturas.

Hoje, no dia nobre de Faro, têm lugar as distinções e os reconhecimentos.

Na parte que me toca, agradeço à Federação de Bombeiros do Algarve e à Liga dos Bombeiros Portugueses o gesto com que me quiseram distinguir.

Num momento de luto e de sofrimento dos bombeiros portugueses é para eles que o nosso respeito e as nossas homenagens se devem dirigir.

O que eu tenho dedicado às causas dos bombeiros, derivou do entendimento que faço das minhas funções e da motivação de ser útil a quem vive aflições e angustias.

Hoje também saudamos os funcionários municipais com mais de 20 ou de 35 anos de bons serviços. Nos tempos que correm, perante tantos problemas que caem sobre os servidores públicos, é de louvar os que persistem de forma dedicada e continuada ao serviço dos outros.

Os nossos homenageados de hoje, são também instituições sociais e ilustres cidadãos.

A missão da Santa Casa e da Cáritas Diocesana, sempre foi de grande relevo e de forte e exemplar e genuína dádiva ao bem dos outros. Nestes tempos difíceis ainda mais exigente e nobre se sentem as suas funções.

Carlos Simões representa uma dedicação à cultura e um saber histórico e bibliográfico excecional. Não sendo um académico, é um profissional que presta aos investigadores e aos amadores de todas as leituras os melhores conselhos e ajudas.

Afonso Dias na voz e em atividades multifacetadas, tem dado vida, desenvolvido e valorizado a cultura portuguesa. O Algarve e Faro, devem-lhe muito.

Francisco Lameira conhece a arte e a história de Faro como poucos. O que tem publicado e orientado constituem uma marca de elevado prestigio para todos nós.

Mas a mais sentida homenagem é para quem aqui não está!

O Prof António Rosa Mendes deixou-nos de modo muito doloroso há apenas três meses. Todas as nossas palavras são poucas para reconhecer e agradecer o que fez pela história do Algarve, por esta cidade e pela vida académica e cultural que abraçou de modo tão intenso e apaixonado.

Quero também nesta ocasião deixar uma palavra de agradecimento às instituições de Faro com as quais trabalhei nestes últimos anos, aos funcionários do Município e aos autarcas do concelho em geral.

Faro e o Algarve estiveram profundamente na minha vida.

Aqui fui estudante e daqui parti para Lisboa, há quase 40 anos, abrigado pelo Refugio Aboim Ascensão.

Fiquei por Lisboa cerca de 20 anos, onde fui estudante e presidente associativo, Diretor Geral na administração pública, docente universitário, deputado por Lisboa e por Faro, membro do Governo, Vereador da Câmara Municipal de Lisboa e dirigente desportivo do ciclismo.

Regressei ao Algarve, desiludido com a fraca produtividade da vida parlamentar e durante 16 anos fui presidente de duas câmaras municipais, dirigi durante uma dúzia de anos a AMAL e tive funções executivas de responsabilidade em quase todas as instituições de serviço público da região: nas Águas do Algarve, na ALGAR, na Entidade Regional de Turismo, na Agência Regional de Energia (a qual presidi 8 anos),na Comissão Regional de Autorização Comercial, no Centro de Arbitragem de Conflitos de Consumo, na Globalgarve, na Comissão Diretiva dos Fundos Europeus e em representação da região no Conselho Económico e Social em Lisboa ou no Comité das Regiões em Bruxelas, entre tantas outras missões associativas, desde a Federação dos Bombeiros, aos círculos culturais, à Orquestra Regional e a tantas outras tarefas.

Fiz tudo isso, numa alegre e motivante entrega, sem férias, nem descanso, todos os dias e a toda a hora.

Conheci muita gente e muita gente me conheceu a mim. Tem sido o período mais intenso e mais exigente da minha vida.

Por circunstâncias diversas e todas elas injustas, com raízes diferentes, vou deixar todas estas funções dentro de dias. Nunca mais voltarei a exercer nenhuma destas atividades. Disso estou certo.

Não estou arrependido de ter ajudado sempre os outros desinteressadamente.

Não estou arrependido de nenhum dos meus atos.

Disse sempre de modo claro e frontal o que pensava sobre os assuntos, sem hipocrisia, nem oportunismos cínicos.

Fui solidário com todas as causas públicas e ajudei a construir muitas soluções regionais fora dos concelhos que dirigi.

Sei como se tomaram as decisões para a conclusão das ligações ao Estádio Algarve, para a linha elétrica Tunes-Estoi, para a constituição da Orquestra Regional, para a unidade de radioterapia, para o Centro Regional da formação em saúde mental, bem como espaços comerciais que decidi tangencialmente, entre tantos outros.

Deixo com saudade o Município de Faro, dói-me profundamente a situação da FAGAR e dos jardins públicos (contra a minha opinião), preocupam-me os complexos dossiês que atravessam a Câmara Municipal e sei de quanto eles complicam os próximos tempos do meu sucessor que será livremente escolhido.

Onde quer que esteja, estarei sempre disponível para de modo desinteressado e discreto ajudar a tudo o que me solicitarem a bem de Faro e do Algarve.

Muitas vezes as coisas não acontecem como desejamos.

Temos que saber viver as realidades, fazer delas experiências positivas, naquilo em que permitem melhor conhecer as pessoas, os comportamentos e as instituições.

Que o interesse público, as causas coletivas, estejam sempre acima dos nossos interesses pessoais e particulares.

E que o nosso caráter nunca oscile em função dos poderes e influências das nossas missões.

Para cada um de vós e para as instituições que representam, para todos um grande abraço de agradecimento pelo prazer que me deram em trabalhar convosco.

Muito obrigado a todos.

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