LIDE Portugal salienta o evento como uma referência a nível nacional
O II Fórum Empresarial do Algarve, uma iniciativa do LIDE Portugal – Grupo de Líderes Empresariais, que decorreu dias 4, 5 e 6 de Outubro em Vilamoura, encerrou com uma marca de sucesso. Miguel Henrique, presidente executivo do LIDE Portugal destaca este evento como um espaço de reflexão sobre a realidade económica e empresarial em Portugal e no mundo, que é já uma referência como maior encontro empresarial do País. Este ano dedicado ao tema “Um Portugal Europeu ou um Portugal Atlântico?”, reuniu mais de 300 empresários de 13 países.
«Este evento foi, é e queremos que continue a ser um sucesso», afirmou Miguel Henrique na sessão de encerramento que decorreu ontem, domingo, dia 6 de Outubro, agradecendo a presença dos mais de 300 participantes e oradores que deram o seu contributo ao evento. «O LIDE tem tentado surpreender positivamente as pessoas, com grande trabalho e dedicação, grande imaginação e criatividade e com enorme espírito de união, e acho que isso está claramente demonstrado no Fórum, que é um exemplo do que se consegue fazer com recursos muito limitados, recorrendo a parcerias», explicou o presidente executivo do LIDE Portugal.
Miguel Henrique, que é igualmente vice-presidente do LIDE Internacional, apresentou aquele que será o seu sucessor, Carlos Miguel, que até à data exercia funções de diretor comercial, desejando-lhe os maiores sucessos à frente dos destinos deste Grupo de Líderes Empresariais. Chamou igualmente Nasser Sattar, presidente do Comité de Gestão do LIDE Portugal, com quem partilhou os últimos momentos do evento.
Nesta sessão foi atribuído o prémio “Lifetime Achievement” a Francisco Pinto Balsemão, pela sua vida e pela sua carreira, um exemplo a nível social e empresarial, que este agradeceu considerando o seu valor muito significativo, uma vez que o LIDE que «tem uma atividade muito meritória em prol do empresariado e da economia portugueses», assim como dos restantes 12 países em que está presente. Pinto Balsemão destacou os valores que considera fundamentais na sua vida, e que têm guiado todos os seus dias: como a coerência, a persistência e a integração na sociedade civil. «Interpreto este prémio como um estímulo para dar mais e fazer mais, e é isso que vou tentar continuar a fazer», afirmou.
Ao longo de três dias de fórum, foram dezenas os oradores que partilharam a sua experiência, a sua estratégia e o seu sentimento acerca da economia e do País. Entre as personalidades convidadas destacam-se nomes do panorama político e empresarial nacional como José Manuel Durão Barroso, Pedro Passos Coelho, Paulo Portas, Fernando Pinto, Luís Marques Mendes, José Maria Ricciardi, Francisco Murteira Nabo e Mira Amaral; além de ilustres convidados internacionais como os governadores brasileiros dos Estados do Amazonas, Pará e Goiás, Luiz Fernando Furlan e Paulo Rabello de Castro, também do Brasil, Guillermo de La Dehesa, de Espanha, Mário Machungo, de Moçambique, e Ana Paula Godinho, de Angola.
Na sexta-feira, dia inaugural do Fórum, o destaque foi para a presença de Paulo Portas, vice-Primeiro-Ministro de Portugal, que salientou que o crescimento económico do País se faz com as empresas e com o espírito da iniciativa privada. O governante falou dos indicadores positivos que começam a dar sinais de retoma em Portugal, e deixou uma mensagem de esperança, defendendo que este é claramente «um sinal de que os anos do chumbo da economia portuguesa estão a ficar para trás».
Neste dia foram igualmente atribuídos os prémios “Líderes de Portugal” em quatro categorias: a “Governança Corporativa” para o Banco Espírito Santo; “Inovação e tecnologia” para a Vision Box; “Mercados Internacionais” para a Sogrape; e “Empreendedorismo” para a Introsys.
O segundo dia, sábado, começou com a intervenção de José Manuel Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, que salientou que «estabilidade e confiança são também as duas palavras de ordem em Portugal», alertando que «a cultura de diálogo político e social e o comprometimento de todos os poderes do Estado com as obrigações internacionalmente assumidas são essenciais para a reconquista de credibilidade». Foi um apelo ao consenso nacional que Durão Barroso quis deixar aos empresários presentes, alertando que, tendo em conta os progressos que foram feitos, «não podemos deitar tudo a perder agora, a menos de um ano do fim do programa».
Ainda na manhã de sábado decorreu a conferência “Que futuro para os países do Sul da Europa?”, com as intervenções de António Nogueira Leite, presidente do subcomité LIDE Economia após falecimento do Prof. António Borges, seu antecessor no cargo; Guillermo de la Dehesa, antigo ministro do Desenvolvimento de Espanha; Vitor Bento, presidente da SIBS – Sociedade Interbancária de Serviços; e Paulo Rabello de Castro, presidente do subcomité de Economia do LIDE Brasil. Neste debate, os oradores foram unânimes em defender que Portugal deve encontrar formas de se financiar no exterior para que a economia possa retomar o seu crescimento.
Apesar dos sinais ainda pouco significativos de retoma, todos concordaram na necessidade de apostar no crescimento sustentável para Portugal poder avançar definitivamente e não correr o risco de regredir no futuro. A conferência encerrou com a intervenção de Leonardo Mathias, secretário de Estado das Finanças.
A tarde foi dedicada a reuniões bilaterais na “Ronda de negócios do LIDE Internacional”, terminando com a conferência “Relações internacionais Europa/África/América”, em que participaram Francisco Murteira Nabo, membro do Comité de Gestão do LIDE Portugal, Mário Machungo, antigo Primeiro-ministro de Moçambique e presidente do comité de Gestão do LIDE naquele país, Luís Labardini, empresário mexicano, e Jorge Cruz Morais, administrador e um dos responsáveis pela internacionalização da EDP. Os países próximos do mar e o eixo Atlântico são o grande destaque nesta conferência que, segundo afirmaram os oradores, devem estar no centro das atenções no que respeita à atração de investimento e à exploração de mercados comerciais. A conferência terminou com a entrega do prémio LIDE Turismo e Gastronomia – ”Welcome to Portugal” à iniciativa “Serralves em Festa”.
A noite de sábado, um dos momentos mais esperados do Fórum, contou com as intervenções de Pedro passos Coelho, Primeiro-Ministro, e Luís Marques Mendes, membro do Comité de Gestão do LIDE Portugal. Falando da atual situação económica do País, e por ocasião do encerramento das 8.ª e 9.ª avaliações da Troika, Pedro Passos Coelho relembrou que «o imperativo do resgate económico é de todos os governos» e não depende da cor partidária de quem governa.
O esforço é, como salientou o Primeiro-Ministro, de todos os portugueses, «independentemente das convicções programáticas ou ideológicas que cada um de nós tenha sobre sociedade e sobre a evolução do nosso país, quem quer que governe Portugal terá nos próximos anos, largos anos, de responder a este imperativo de resgate da autonomia nacional que impõe obrigações que não aliviarão as responsabilidade de nenhum governo», alertou. Na sua intervenção, Passos Coelho lembrou ainda que os empresários têm um papel muito importante a cumprir para ajudar a alavancar a economia do País, dinamizando o comércio e captando investimento externo. A noite terminou com uma noite de fado protagonizada por Cuca Roseta.
O último dia do Fórum abriu com a intervenção de Manuel Rodrigues, secretário de estado das Finanças, e a manhã prosseguiu com o debate “Modelos de Financiamento para Portugal e empresas portuguesas para o triénio 2014/2016”. Nesta conferência, José Maria Ricciardi, presidente do BES Investimento, defendeu que o papel do mercado de capitais tem de crescer na Europa e em Portugal. Os oradores, José Maria Ricciardi, Miguel Lucas, Luís Mira Amaral, Nigel Vooght, Vitor Nunes, Diogo Gomes Araújo e Maria Conceição Lucas, defenderam que Portugal necessita neste momento de conseguir maior credibilidade para ultrapassar o nível de risco que impede um maior financiamento, quer interno quer externo. Neste aspecto, o Estado tem o papel fundamental de garantir a estabilidade financeira, mas a banca terá que se adaptar às novas estruturas, estratégias e necessidades das empresas, alertaram.
A segunda edição do Fórum Empresarial do Algarve reuniu mais de três centenas de participantes, entre líderes políticos e empresariais de Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Alemanha, China, EUA, Reino Unido, México, Marrocos, Espanha, Grécia e Chile. Após a primeira edição, em 2012, dedicada aos desafios da crise europeia e internacional, a organização afirma agora o evento como um espaço privilegiado de networking de altíssima qualidade, e uma oportunidade para a discussão de assuntos fundamentais para as economias nele representadas e para o respectivo tecido empresarial. A terceira edição está já prevista para início de Outubro de 2014.
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