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Exposição de Fotografia “A Vida No Ninho”, de José Carlos Lopes

Entre os dias 5 de outubro e 9 de novembro, estará patente no espaço multiusos da Sala de Estudo da Junta de Freguesia de Monchique a exposição de fotografia intitulada “A vida no ninho”, da autoria do fotógrafo monchiquense José Carlos Lopes.

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“A vida no ninho” é uma exposição composta por uma série de fotografias que retratam de forma emotiva e dedicada o quotidiano de uma família de Águias de Bonelli, espécie considerada em perigo no território nacional, desde o momento da nidificação dos progenitores até aos primeiros voos das pequenas crias nascidas nos princípios de 2013.

O talento retentivo de José Carlos Lopes, excecionalmente complementado por excertos do diário que o acompanhou ao longo do período em que observou as aves de rapina, leva-nos a conhecer um pouco melhor as imagens que definem o milagre da vida e outros segredos de um dos mais discretos, majestosos e emblemáticos representantes da riqueza ecológica da Serra de Monchique.

A exposição encontra-se aberta ao público de terça-feira a sábado, entre as 11h00 e as 13h00, e entre as 14h30 e as 18h00.

Sobre o autor:

José Carlos Lopes é natural de Monchique, onde reside e trabalha. Entre vários trabalhos premiados e exposições de fotografia bastante elogiadas, destacam-se: 2012 Exposição Individual “Encontros” – Casa Manuel Teixeira Gomes, Portimão.
2010 Exposição Coletiva “III Arte Algarve” – Ferragudo.
2009 Exposição Coletiva “Impressões do Algarve” – Lagoa.
2008 Exposição Coletiva “Proximidades” – Monchique.
2007 Registo de rosa-albardeira na Serra de Monchique.
2006 1º Prémio no tema “Sorrisos” – 2ª Corrida Fotográfica de Monchique.
1998 Registo da Banda OCDM nos programas de televisão “Acontece”, “Jardim das Estrelas” e “Concurso 1,2,3”.
1997 Fotografia da banda OCDM, em estúdio, durante a gravação do CD “Portela Baixa”.

Sobre a exposição:

“A VIDA NO NINHO”

A nidificação da Águia de Bonelli na Serra de Monchique era já conhecida e despertava-me um interesse particular. Queria descobrir, através de observações pela Serra, a sua presença e a área de reprodução, para mais tarde a fotografar.

Sabia que esta ave de rapina nidifica muito cedo (janeiro/fevereiro), ocorrendo o acasalamento normalmente entre novembro e janeiro.

A emoção tomou conta de mim em dezembro de 2012, ao avistar um casal de Águia de Bonelli em plena Serra, planando lentamente e deslizando por um vale adentro.

Depois de alguns dias no terreno, observei, sempre de binóculos e a grandes distâncias, uma das águias voando em direção a um pinheiro, pousando, seguidamente, no seu interior. Constatei mais tarde que era exatamente aí que estava o ninho.

A 7 de janeiro de 2013, e na ausência das águias, chego muito próximo do pinheiro onde está o ninho, forrado com frescos ramos de eucalipto, dando sinal de um possível restauro para a nidificação.

A 11 de janeiro, estando a cerca de 300 metros do ninho, assisto a uma cópula das águias nuns eucaliptos próximos. Mais tarde, o macho transporta ramos de eucalipto para o ninho. A nidificação parecia-me certa.

Uns dias depois, iniciei a montagem de um abrigo de onde poderia fotografar a vida no ninho. As águias, que não foram incomodadas nem se aperceberam deste abrigo, passados 60 dias, a 15 de março, já tinham um filhote, talvez com 2 dias de vida. A 18 de março, já se encontravam dois filhotes no ninho.

Em dois meses e dez dias, fiz 20 sessões fotográficas, registando o crescimento dos filhotes. Foram várias horas em cada sessão, com longas esperas e muita ação em momentos muito curtos.

dedicada, transportava ramos frescos de eucalipto e pinheiro, purificando e refrescando assim o ninho, enquanto aconchegava e alimentava, muito delicadamente, os filhotes com as presas que o macho trazia. Apreciei também o modo como protegia os filhotes nos dias chuvosos e a forma como fazia a limpeza do ninho, eliminando os restos de alimentos. Deixei-me deslumbrar pelo comportamento da fêmea: o estar sempre alerta, as entradas e saídas muito discretas do ninho, a relação quase silenciosa com o macho quando ele estava por perto ou chegava ao ninho.

Mais tarde, com os filhotes mais crescidos, a fêmea ausentava-se do ninho por períodos mais longos, participando com o macho no transporte de alimento, mantendo, todavia, a mesma dedicação ao ninho. Notei também a tolerância com grupos de pombos torcazes que conviviam no mesmo espaço, e com dois casais de perdizes que nidificavam nas proximidades.

Toda esta atividade foi anotada num diário que me acompanhou em cada dia da sessão fotográfica.

Com a exposição “A vida no ninho”, que resulta de uma parceria com a Junta de Freguesia de Monchique, pretendo transmitir alguma da emoção que vivi observando e fotografando a Águia de Bonelli.

José Carlos Lopes

Categories: AGENDA, Monchique

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