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Centro Hospitalar do Algarve | ESCLARECIMENTO

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Através da comunicação social os portugueses, principalmente os que vivem no Algarve, foram perturbados este fim de semana, novamente, por notícias que pretendiam passar a imagem de uma ruptura de serviços, nomeadamente de urgência, no Centro Hospitalar do Algarve.

Um conjunto de médicos significativo teria elaborado uma carta ao Conselho de Administração e seu Presidente demonstrando preocupação e indignação pelos cuidados de saúde prestados, nomeadamente por algumas faltas.

Alegava-se falta de medicamentos para doentes oncológicos, antirretrovirais, e ruptura de fornecimento de material de consumo, como sejam agulhas, seringas, etc.

Pelo caminho faziam-se variadas acusações em relação à organização nomeadamente de subordinação da orgânica hospitalar às necessidades do serviço de urgência.

O Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Algarve vem por este meio repor a verdade e produzir alguns considerandos. Assim:

É falso que, para além de algum incómodo, tenha havido prejuízo para doentes fruto de falta de medicamentos ou consumíveis.

Todas as faltas foram, logo que detectadas, de imediato resolvidas quer transferindo de Faro para Portimão quer no sentido inverso. Muitas faltas pontuais, de consumíveis, foram de imediato resolvidas pelos profissionais de enfermagem, nomeadamente a enfermagem de coordenação a quem aqui se presta o necessário agradecimento.

O Conselho de Administração quer igualmente agradecer aos farmacêuticos, nomeadamente aos responsáveis e responsável substituto das farmácias de Faro e Portimão e aos funcionários e responsáveis do Serviço de Aprovisionamento pelo trabalho abnegado até altas horas da noite e ao fim de semana.

São todos estes profissionais credores de agradecimento de todos os residentes do Algarve pelo grau de prontidão que conseguiram manter nos hospitais deste Centro.

Com efeito, as imposições da União Europeia, quer no que respeita à Lei dos Compromissos, quer no que respeita ao Código dos Contratos Públicos, provoca uma pressão burocrática excepcional sobre os serviços de apoio à prática clínica, nomeadamente os serviços financeiros e todos os que se relacionam com as compras, quer de consumíveis, quer de medicamentos. O mês de janeiro é o mês particularmente dramático dado que têm de ser lançados todos os procedimentos (neste caso cerca de sete mil artigos e moléculas diferentes) e não é possível o abastecimento prévio em quantidade suficiente.

Acresce no caso do Centro Hospitalar do Algarve a necessidade que decorreu durante a última quinzena de Dezembro de integração dos sistemas informáticos para que, a partir de 1 de Janeiro, houvesse a centralização absoluta do processo de compras.

Os médicos notaram as dificuldades mas não têm possibilidade de avaliar o esforço e abnegação de todos os que tornam em cada dia possível a sua ação.

O Conselho de Administração está certo que a esmagadora maioria dos médicos que assinaram a carta o fizeram de boa-fé, genuinamente preocupados com as faltas de que se iam apercebendo, imaginando, erradamente, que se tratava de qualquer problema financeiro ou corte deliberado.

A esses, aos médicos bem-intencionados, o Conselho de Administração agradece o empenho e garante que tudo fará para que o financiamento do Centro Hospitalar traduza a sua realidade e permita tranquilidade na sua administração. As dificuldades, reitera-se burocráticas de excesso de carga de trabalho, transitórias e em que tudo tem sido possível resolver, não devem continuar em anos futuros sob pena de esgotamento de todos os profissionais agora sujeitos a tão rude prova.

Contudo, não pode o CA deixar de referir alguns aspectos menos positivos.

Por um lado se, como se disse, a esmagadora maioria assinou a carta por genuína preocupação, uma parte não despiciente fê-lo por puro oportunismo político, por se sentir lesada em direitos que julgava assegurados ou para esconder as suas próprias responsabilidades.

De facto, é inaceitável que médicos que desempenharam elevadas funções de administração nestes hospitais (em governos com que se identificavam politicamente), e que se conformaram com vinte anos de doentes internados nos corredores dos serviços de internamento, e com o terceiro mundista corredor de urgência onde durante anos, tantos doentes sofreram inutilmente, venham agora patrocinar ações do mais puro oportunismo político. Este ato é incompreensível, quando a reformulação da urgência no Hospital de Faro permite pela primeira vez no Algarve atravessar o período grave das doenças respiratórias com tranquilidade e reconhecida qualidade, sendo, das poucas urgências do País que não entrou em rutura, segundo a Comunicação Social.

Também a crítica de o hospital privilegiar a urgência só pode ser subscrita por aqueles que outrora detentores de pequenos poderes, impediam o fluxo livre de doentes dentro do hospital, a mobilidade de todos os médicos para a urgência e o internamento no local adequado.

Esta administração assume-se como defensora exclusiva do interesse público não permitindo que o hospital seja um palco de lutas por pequenos poderes ou vaidades, antes fazendo todos tomar consciência de que se trata de um equipamento ao serviço de quem habita permanente ou transitoriamente no Algarve.

Em resposta ao adiamento de cirurgias por falta de material importa esclarecer que isto só é possível se alguém não cumprir o determinado e não colocar os doentes em programa operatório a tempo de se comprar o material. Já lá vai o tempo em que alguns médicos contactavam diretamente os fornecedores, alegando motivo de urgência e encomendavam, em nome do Hospital o material que bem entendiam. Esse tempo acabou! O País não tem capacidade financeira para tais práticas. Hoje as compras são asseguradas por concurso abastecendo-se o Hospital dos melhores materiais numa relação qualidade/preço, participando os Diretores de Serviço nos júris para escolha de tudo o que se consome nos blocos operatórios.

Por último, não podemos deixar de estranhar e dar uma nota de vivo repúdio pela forma como o processo foi conduzido.

O Conselho de Administração tomou conhecimento do conteúdo da carta pela comunicação social. A única cadeia televisiva que se interessou pelo caso entrevistou exclusivamente uma autarca socialista que se tem distinguido nas críticas ao Hospital de Portimão e ao processo de fusão. O porta voz dos médicos foi assim um líder local da oposição sem curso de medicina que se lhe reconheça.

O Conselho de Administração gostaria de manifestar que não é parte de qualquer luta político-partidária. Somos gestores públicos e não representantes de qualquer Governo ou partido. Defendemos o interesse público e administramos com isenção um Hospital Público para benefício de todos que a ele recorrem com equidade. Não estamos disponíveis para participar em manobras políticas. Já nos chegam as dificuldades que a situação que o País atravessa nos provoca.

Como portugueses gostaríamos de apelar ao sentido de Estado de todos os responsáveis políticos locais. A desconfiança gerada nos hospitais públicos não só é injusta para quem nele trabalha e penosa para quem a ele recorre como destrói em horas o trabalho de anos de todos aqueles que se empenham em atrair residentes e turistas para o Algarve.

O País não se pode permitir este tipo de práticas que destroem a nossa economia e que depois todos pagamos com cortes nos nossos salários de funcionários públicos.

O Conselho de Administração

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