Algarve

Presidente da ACRAL diz que o Algarve tem que passar a falar a uma só voz

Víctor Guerreiro, presidente da Associação do Comércio e Serviços da Região do Algarve (ACRAL), considera que “este é o momento para alterar o paradigma do movimento associativo algarvio”.

“Está na hora das associações do Algarve decidirem se querem ter uma voz forte e credível a nível regional e nacional e garantirem a sua existência num horizonte de longo prazo, ou se se ficam por uma atitude de dispersão da sua capacidade de influência e por uma acção que pouco mais é do que o desenvolvimento de programas de formação,” defendeu o líder da ACRAL numa intervenção feita no âmbito do seminário “Culturas Tradicionais do Algarve – Tradição e Inovação”, que decorreu hoje – quarta-feira, 30 de Abril – no auditório da Expoalgarve / NERA em Loulé.

O responsável da ACRAL interveio no âmbito do seminário dedicado a debater a valorização dos produtos provenientes das culturas tradicionais do Algarve, nomeadamente, a alfarrobeira, a amendoeira, a figueira e a oliveira.

Associações no centro do debate das questões transversais da região

“Não há mais tempo para ambivalências, unir tem de ser a palavra de ordem”, diz Víctor Guerreiro, para quem “as associações algarvias têm, de uma vez por todas, de ser capazes de estar no centro do debate das questões fundamentais para a região e que são transversais à sociedade e aos diversos sectores da economia”.

Segundo o dirigente associativo algarvio “em questões de fundo e cuja dimensão ultrapassa as divisões sectoriais, as associações têm de conseguir falar a uma só voz e ter posições concertadas”, sublinhando que, “a tomada de posição das associações nestas matérias tem de passar a estar assente no domínio efectivo do conhecimento da realidade e na credibilidade das propostas apresentadas”.

Defendendo que esta proposta “não tem em si mesma nada de novo” o que Víctor Guerreiro enfatiza é que “nesta matéria está na hora de deixar de lado a mera boa vontade e intenção e passar definitivamente à acção”.

Sem defender “um modelo pré-concebido” para a união das vozes associativas regionais, o dirigente da ACRAL prefere antes “um trabalho feito de factos e conquistas, com as associações a sentarem-se e a desenharem estratégias efectivas conjuntas”, deixando-se para “a altura certa a análise de qual a melhor forma prática de dar representatividade à voz unida das associações algarvias”. “Primeiro temos de decidir o que é prioritário e como fazê-lo e depois tratar das questões de forma, o que importa é a substância”, diz.

“Unidos no que é possível defender unificadamente temos mais força e somos mais representativos e é exactamente isso que o Algarve tem de ter e ser face aos seus interlocutores, seja o Governo ou os órgãos regionais”, refere o presidente da associação algarvia, reforçando a ideia de que “uma região com o peso e o potencial do Algarve não pode ser um parente menor na resolução das questões que lhe dizem respeito e muito menos pode delegar a defesa dos seus interesses somente nos órgãos regionais e locais da Administração Pública, sem que os privados tenham em todas essas matérias uma posição inequívoca e audível”.

Marcar agenda

Para Víctor Guerreiro, “as associações, nomeadamente as representativas das forças económicas da região, têm de ser capazes de acompanhar a ordem do dia do debate político, económico e social no Algarve”.

Mas mais do que isso, advoga o líder da ACRAL, “as associações representativas do sector privado têm de marcar a agenda do debate regional, trazendo para a discussão pública todas as temáticas, em particular aquelas que eventualmente possam não interessar aos poderes públicos debater alargadamente”.

“Onde é que estão as associações e a sua posição unida e credível nas diversas matérias regionais como as portagens na Via do Infante, a requalificação da E.N. 125, ou a construção do Hospital Central do Algarve”, questiona o dirigente da ACRAL.

“Como é que se vai levar a cabo a gestão dos portos entregue à Administração dos Portos de Sines e do Algarve, ou a gestão das zonas da responsabilidade do IPTM e que agora passaram para a esfera da Docapesca”, continua Víctor Guerreiro, deixando claro que “nestas matérias a posição das associações algarvias peca por ser difusa e por ter pouco ou nenhum peso junto dos órgãos decisores”.

“Como se vão na prática aplicar os fundos comunitários entre 2014 e 2020; em que termos se fará a exploração das reservas de gás natural ao largo da costa algarvia; ou como se trabalhará a certificação dos produtos algarvios e a implementação da classificação da Dieta Mediterrânica no terreno”, questiona o responsável associativo, numa enumeração que, como refere, “é apenas exemplificativa do muito que há a fazer e onde as associações devem desempenhar um papel fundamental”.

Uma questão de afirmação e sobrevivência

Segundo Víctor Guerreiro, “o associativismo algarvio tem de decidir se quer de facto ter voz e em que termos e deixar-se de pequenas quintas onde cada um faz o melhor que sabe e pode, mas cujos resultados efectivos de pouco ou nada valem”.

“Se nada fizermos neste capítulo e se pela união não formos definitivamente mais fortes, às associações resta navegar à vista e desenvolver uma ou outra formação ou candidatar-se a este ou àquele fundo de apoio para garantirem a sua própria sobrevivência, numa posição de dependência dos poderes instituídos que em nada prestigia o movimento associativo e que pouco acresce ao bem comum regional que deve ser sempre o objectivo das associações do Algarve”, diz Víctor Guerreiro.

O responsável da ACRAL reforça a sua posição afirmando que, “não podemos deixar de ter uma palavra cabal a dizer em projectos da dimensão do IKEA em Loulé, em matérias como a regionalização e em áreas como o desenvolvimento da aquicultura, a integração do know-how universitário no tecido empresarial, ou nos grandes projectos turísticos, bem como, na promoção e estratégia da região nos mercados emissores e nas questões ligadas àquele que é o principal sector regional, o turismo”.

“Para sermos capazes de o fazer de forma efectiva e credível, com dados concretos e fiáveis, é essencial a criação de um gabinete de estudos regional capaz de dar dados reais a todos os operadores regionais que lhes permitam defender o Algarve e os seus interesses, bem como, criar um ambiente informado e transparente para os potenciais investidores na região”, refere Víctor Guerreiro como o exemplo de uma acção absolutamente essencial à afirmação da região algarvia nos mais diversos planos.

“A hora de agir é esta, o momento e as condições propícias estão criadas e é nesta fase que é determinante agir”, remata Víctor Guerreiro, sublinhando que “mais do que a sobrevivência do associativismo privado, o que está em causa é a economia e a sociedade algarvias, que não podem esperar nem mais um minuto pela união de todos em torno de fazer o Algarve ocupar o lugar a que tem legitimamente direito a nível nacional e mesmo no enquadramento mais lato da Europa das regiões”.

Por: ACRAL

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