Opinião

O CALDO E O RESCALDO DAS EUROPEIAS, por Mendes Bota

Mendes Bota

Mendes Bota

Não vale a pena iludir as questões. O PSD e o CDS-PP tiveram uma pesada derrota eleitoral nestas eleições europeias. Ponto final, parágrafo. Nada de surpreendente, mas a história não acaba aqui. Foi apenas um combate com risco de perder, numa guerra que está ao seu alcance vencer. E também convirá que não se alimentem outras ilusões, nem se atirem foguetes para lá dos limites da festa. O Partido Socialista obteve uma vitória amarga, tão estreita foi a vantagem, tão curto o progresso eleitoral, tão evidente a incapacidade de atrair um oceano de descontentes. O rosto de Francisco Assis na noite da “grande sondagem”, era o espelho indisfarçável da frustração, depois de tanta prosápia e auto-convencimento num resultado dilatado, que não se verificou. No seu discurso, António José Seguro mais não fez, que tentar segurar o lugar. O PCP obteve mais um eurodeputado. Parabéns pela façanha. Mas não deixa de ser um crescimento demasiado tímido, passar de 10,66 para 12,68%, do partido mais mobilizador da sua militância, escasso ganho (36.000 votos em cinco anos!), para quem tira tanta vantagem em ambiente de elevadíssima abstenção. Do Bloco de Esquerda, só sobram estilhaços, no meio do estado de negação em que se encontram os seus dirigentes. Considerar a eleição de Marisa “Só”, uma grande vitória, perdendo dois outros lugares e mais de metade do eleitorado, roça as raias da alienação. As solenes exéquias deste bloco de areia, ficam agendadas para o próximo embate. O Livre, morreu na casca, paz à sua alma.

O resto, não conta para o campeonato, é uma quarta divisão regional, que para nada mais serve que conceder dois minutos de glória e alguma publicidade de borla a uma meia dúzia de figurantes, à boleia de uma lei eleitoral que consente absurdos como o POUS da senhora Carmelinda. O grande vencedor da noite de 25 de Maio de 2014, chama-se Marinho e Pinto. Não foi o MPT, cuja função se limitou a ser barriga de aluguer. Goste-se ou não do antigo bastonário dos advogados, nada será como dantes. Daqui para a frente, tê-lo-emos todos os dias nas televisões, mais do que até aqui. Ganhou mais palco e um estatuto político acima das guerrinhas partidárias. Para falar da Europa? Talvez, às vezes. Mas o seu olhar não está virado para Bruxelas. O ponto de mira está em Belém. As legislativas serão um mero apeadeiro, para quem quer vir de TGV para as presidenciais.

Duas notas finais, impressionantes. Nestas eleições europeias, falou-se de tudo menos da Europa. Uma oportunidade perdida, a cidadania europeia ficou mais fraca. E Sócrates, sempre Sócrates, mostrou que permanece igual a si próprio. Num PS a clamar por mudança, ele próprio não muda, nem no estilo, nem no conteúdo. Truculento, malcriado, agressivo. Continua a confundir um coveiro com um salvador. O bombeiro com o incendiário. Apareceu pela campanha, fugaz, na cervejaria Trindade, para comer bife do lombo. O suficiente para fazer perder muitos votos ao PS. Se tivesse descido na arruada à Baixa de Lisboa, quem sabe, o PS teria perdido as eleições. Como bem disse Nuno Melo, Sócrates “não tem medo da direita”, mas é o País que tem medo dele.

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