Loulé

Mais de 300 pessoas na manifestação de defesa do Serviço de Urgência Básica de Loulé (8 fotos)

O Movimento de Cidadãos em Defesa dos Serviços de Saúde de Loulé promoveu ontem, dia 28 de maio, uma marcha de protesto popular a favor do funcionamento da Urgência do Centro de Saúde de Loulé a 100%. A marcha teve início a partir do passeio em frente à Câmara Municipal de Loulé e terminou no Centro de Saúde local.

‘Queremos as urgências a funcionar a 100%’, ‘Exigimos mais profissionais de saúde’, ‘Não brinquem com a nossa saúde’, ‘Por um serviço de Saúde de qualidade’, ‘O abandono das Urgências de Loulé serve os interesses… privados’, ‘A nossa saúde não é o vosso negócio’ ou ‘As Urgências ficam em Loulé, o Governo que emigre!!!’ foram algumas das frases escritas em cartolinas exibidas pelas mais de três centenas de participantes.

Já à porta do Centro de Saúde de Loulé, o Movimento de Cidadãos exigiu ser recebido por um responsável para entregar uma carta aberta exigindo que o SUB Loulé não encerre e funcione a 100%, pondo fim ao impasse entre a ARS Algarve e o Centro Hospitalar do Algarve sobre quem manda mas foi dito que não havia ninguém para os receber.

João Rosado (Movimento de Cidadãos) disse à RTP que o Centro de Saúde de Loulé “parece que está abandonado. Não é terra de ninguém e nós queremos ver resolvido este assunto com o máximo de urgência”.

Já Nuno Manjua, do Sindicato dos Enfermeiros do Algarve, igualmente em declarações à RTP, disse que “o Centro Hospitalar do Algarve empurra para a ARS e a ARS empurra para o Centro Hospitalar com todas as consequências para os profissionais e para os utentes”.

De megafone em punho, Catarina Guerreiro (Movimento de Cidadãos), dirigindo-se aos manifestantes, leu o teor da referida carta reivindicativa: “Este Movimento quer a garantia governamental que as Urgências de Loulé usufruem de todas as condições materiais e humanas para servir com dignidade a população do concelho de Loulé”.

A carta foi entregue na receção do Centro de Saúde e ao presidente da Câmara Municipal de Loulé, presente na Manifestação, para ser reencaminhada para o Ministro da Saúde.

O autarca Vítor Aleixo explicou à Lusa que as respostas que tem recebido por parte das entidades competentes sobre a gestão da SUB de Loulé são ambíguas e não afastam a preocupação com o funcionamento daquele serviço.

Vítor Aleixo adiantou que já há algum tempo que a Câmara de Loulé tem disponibilizado consumíveis para a impressão de receitas médicas, viaturas para serviços médicos externos e postos de atendimento nas freguesias do concelho.

“A autarquia faz o que pode mas não tem, nem pode, contratar médicos, enfermeiros e pessoal administrativo”, sustentou o edil.

Relativamente ao eventual encerramento do SUB de Loulé, Vítor Aleixo é peremptório: “É um risco que está em cima da mesa e nós não podemos, de modo nenhum, permitir uma coisa dessas”.

O protesto terminou com um cordão humano formado pelos manifestantes.

De referir que, durante a marcha de protesto, a Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve assegurou, em comunicado, que o SUB de Loulé está a funcionar “normalmente” e conta com “o número de profissionais adequado e necessário”.

A posição da ARS do Algarve surge depois de sindicatos, partidos políticos e utentes terem alertado para a falta de profissionais em determinados turnos no SUB de Loulé, situação que seria causada por um diferendo entre a ARS e o Centro Hospitalar do Algarve sobre a tutela e a responsabilidade de contratar profissionais para prestarem serviço nos Serviços de Urgência Básica.

No comunicado, a ARS Algarve refere que compreende a preocupação da população mas salienta que adotou “todas as medidas necessárias para fazer face a eventuais carências de recursos humanos”, garantindo que “não existe qualquer motivo para apreensão por parte da população do concelho de Loulé”.

Por seu lado, o PS/Loulé saudou e manifestou a sua solidariedade para com os manifestantes, saudando igualmente “o Executivo Municipal da Câmara, o qual tem, nos últimos tempos, acompanhado esta situação, reclamando junto da Administração Regional de Saúde (ARS) medidas efetivas de reforço dos meios humanos de médicos, enfermeiros e pessoal administrativo, de modo a que as urgências do Centro de Saúde de Loulé possam continuar abertas e disponíveis para servir a população do Concelho”, considerando a situação “muito preocupante, pelo que só a indignação de todos nós, bem expressa no apoio à manifestação pode travar as intenções do Governo de abandonar à sua sorte populações que têm o direito constitucional no acesso aos serviços de saúde”.

O PS/Loulé aproveitou ainda para lembrar que “também pode estar em causa a continuidade de algumas extensões do Centro de Saúde do concelho de Loulé, como seja os casos da de Benafim, Ameixial, Tôr e Querença”, considerando a presença dos manifestantes “fundamental para que seja garantida a continuidade das respostas do Serviço Nacional de Saúde, pelo qual tantos lutaram no passado e que agora o Governo PSD nos quer tirar”.

Recordamos que o ministro da Saúde, Paulo Macedo, havia garantido em agosto de 2012 que, tanto o SUB de Loulé como o de Lagos, não seriam encerrados, isto após a proposta de encerramento destas urgências ter sido criticada por Mendes Bota e pelo PS/Algarve.

O ministro da Saúde assegurou então que as unidades de urgência básica em Lagos e Loulé não seriam fechadas, contrariando um relatório técnico que propunha este encerramento: “Apesar da recomendação de um estudo técnico, não temos intenção de fazer alterações nessas duas unidades”, afirmou na altura Paulo Macedo.

A proposta de encerramento foi feita pela Comissão de Reavaliação da Rede Nacional de Emergência e Urgência.

Por: Jorge Matos Dias / PlanetAlgarve

Fotos: Pedro Monteiro / PlanetAlgarve

Categories: Loulé, Saúde

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