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Jorge Sampaio dá “Grande Testemunho” no Cine-Teatro Louletano | 18 de julho

Jorge Sampaio está em Loulé nesta sexta-feira, 18 de julho, pelas 20h45, a coincidir com o Dia Internacional Nelson Mandela. Depois de Ramalho Eanes e de Mário Soares, Jorge Sampaio encerra o primeiro ciclo de“Grandes Testemunhos”, sessões com os ex-Presidentes da República que decorrem no Cine-Teatro Louletano, com entrada livre.

Jorge Sampaio

Jorge Sampaio

Jorge Sampaio será apresentado pelo Reitor do Instituto Universitário D. Afonso III, Ventura Mello Sampayo. Após a intervenção do ex-Presidente, o debate aberto ao público será moderado pelo presidente da Fundação Manuel Viegas Guerreiro, Luís Guerreiro. No final, será entregue a Jorge Sampaio o fac-simile da Ata de Vereação Municipal de 12 de dezembro de 1384, a mais antiga do País e que coloca Loulé como referência incontornável do Poder e da Democracia Local em Portugal.

Depois de dois mandatos como Presidente da República, Jorge Sampaio, foi designado, em maio de 2006, Enviado Especial do Secretário-Geral das Nações Unidas para a Luta contra a Tuberculose, e, em abril de 2007, foi nomeado, pelo Secretário-Geral das Nações Unidas, Alto Representante para a Aliança das Civilizações. No ano passado, Jorge Sampaio fundou a Plataforma Global de Assistência Académica de Emergência a Estudantes Sírios, em parceria com o Conselho da Europa, Liga Árabe, Instituto Internacional de Educação, União para o Mediterrâneo, e vários governos nacionais. A Comissão Concelhia irá propor ao Município de Loulé que se associe a esta grande iniciativa de Jorge Sampaio, sempre votadao às grandes causas internacionais

O ex-Presidente da República irá abordar a sua vivência enquanto estadista mas, de certo, irá também propor reflexões sobre o atual momento e perspetivas futuras do País.

Licenciado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, em 1961, Jorge Sampaio desenvolveu uma relevante atividade académica, iniciando, assim, uma persistente ação política de oposição à Ditadura. Foi eleito Presidente da Associação Académica da Faculdade de Direito, em 1960-61, e Secretário-Geral da Reunião Inter Associações Académicas (RIA), em 1961-62. Nessa qualidade, é um dos protagonistas da crise académica do princípio dos anos 60, a qual esteve na origem de um longo e generalizado movimento de contestação estudantil, que durou até ao 25 de Abril de 1974, e que abalou profundamente o Regime.

Deu, entretanto, início a uma intensa carreira de advogado, que se estendeu por todos os ramos de Direito, tendo desempenhado também funções diretivas na Ordem dos Advogados. Teve um papel de relevo na defesa de presos políticos, no Tribunal Plenário de Lisboa.

Prosseguindo a sua ação como opositor à Ditadura, candidatou-se, em 1969, às eleições para a Assembleia Nacional, integrando as listas da CDE. Desenvolve uma constante atividade política e intelectual, participando nos movimentos de resistência e na afirmação de uma alternativa democrática de matriz socialista, aberta aos novos horizontes do pensamento político europeu.

Após a Revolução de 1974, é um dos principais impulsionadores da criação do Movimento de Esquerda Socialista (MES), do qual se desvincula, todavia, logo no congresso fundador em dezembro do mesmo ano, por discordância de fundo com a orientação ideológica aí definida.

Desempenha, nos anos da Revolução, um importante papel no diálogo com a ala moderada do MFA, sendo um ativo apoiante das posições do “Grupo dos Nove”. Em Março de 1975, é nomeado Secretário de Estado da Cooperação Externa, no IV Governo Provisório.

Ainda em 1975, funda a “Intervenção Socialista”, grupo constituído por políticos e intelectuais, que viriam a desempenhar funções de relevo na vida pública, e que desenvolveu um significativo trabalho de reflexão e renovação política.

Em 1978, Jorge Sampaio adere ao partido Socialista. Em 1979, é eleito deputado à Assembleia da República, pelo círculo de Lisboa, e passa a integrar o Secretariado Nacional do PS.

De 1979 a 1984, é membro da Comissão Europeia dos Direitos do Homem no Conselho da Europa, realizando aí um importante trabalho na defesa dos Direitos Fundamentais e contribuindo para uma aplicação mais dinâmica dos princípios contidos na Convenção Europeia dos Direitos do Homem. É reeleito deputado à Assembleia da República, em 1980, 1985, 1987 e 1991. Em 1987/88 é Presidente do Grupo Parlamentar do Partido Socialista, tendo assumido, em 1986-87, a responsabilidade das Relações Internacionais do PS. Foi ainda copresidente do “Comité África” da Internacional Socialista.

No ano de 1989, é eleito Secretário-Geral do Partido Socialista, cargo que exerce até 1991, e é designado, pela Assembleia da República, como membro do Conselho de Estado.

Eleito presidente da Câmara Municipal de Lisboa, nos mandatos de 1989 e 1993, afirmou uma visão estratégica, com recurso a novas conceções e métodos de planeamento, gestão, integração e desenvolvimento urbanístico, e sobretudo de proximidade com os cidadãos.

De 1990 a 1995, exerce a Presidência da União das Cidades de Língua Portuguesa (UCCLA), sendo eleito Vice-Presidente da União das Cidades Ibero-Americanas, em 1990. Foi também eleito Presidente do Movimento das Eurocidades (1990) e Presidente da Federação Mundial das Cidades Unidas (1992).

Em 1995, Jorge Sampaio apresenta a sua candidatura às eleições presidenciais. Recebe o apoio de inúmeras personalidades, independentes e de outras áreas políticas, com destaque na vida política, cultural, económica e social, e do Partido Socialista. Em 14 de Janeiro de 1996, é eleito, à primeira volta. Foi investido no cargo de Presidente da República, no dia 9 de Março de 1996, prestando juramento solene. Cumpriu o seu primeiro mandato exercendo uma magistratura de iniciativa na linha do seu compromisso eleitoral. Apresentou-se de novo e voltou a ser eleito à primeira volta, em 14 de Janeiro de 2001, para um novo mandato.

Jorge Sampaio manteve, ao longo dos anos, uma constante intervenção político-cultural, nomeadamente através da presença assídua em jornais e revistas (Seara Nova, O Tempo e o Modo, República, Jornal Novo, Opção, Expresso, O Jornal, Diário de Notícias e Público, entre outros).

Em 1991, publicou, sob o título “A Festa de Um Sonho”, uma coletânea dos seus textos políticos. Em 1995, é editado o seu livro “Um Olhar sobre Portugal”, no qual responde a personalidades de vários sectores da vida nacional, configurando a sua perspetiva dos problemas do País. Em 2000, publica o livro “Quero Dizer-vos”, em que expõe a sua visão atualizada dos desafios que se põem à sociedade portuguesa. As suas intervenções presidenciais foram reunidas em seis volumes da colectânea “Portugueses”.

Destaque-se que, numa segunda fase, o ciclo “Grandes Testemunhos” retoma em outubro com a presença dos ex-presidentes da Câmara Municipal de Loulé, encerrando em novembro com um painel integrando os deputados louletanos eleitos para a Assembleia da República e Parlamento Europeu, ambas as sessões igualmente abertas a perguntas do público.

Por: Município de Loulé

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