Opinião

Estenose aórtica, a doença dos avós

Artigo de Opinião do Dr. Rui Campante Teles, cardiologista de intervenção e coordenador do Grupo VAP-APIC

Dr. Rui Teles

Dr. Rui Teles

A estenose aórtica (EA) é uma doença que afeta 32 mil portugueses, maioritariamente pessoas acima dos 80 anos. É uma doença cardíaca valvular muito frequente nos países desenvolvidos, sendo muitas vezes associada ao envelhecimento e por isso a sua sintomatologia é subvalorizada pelas famílias portuguesas.

Caracteriza-se pelo aperto da válvula aórtica, que impede a passagem do sangue, provocando cansaço, dor no peito e desmaios. Quando existe este estrangulamento, o sangue passa com dificuldade, provocando queixas e diminuindo drasticamente a sobrevivência, pelo que o tratamento passa por colocar uma válvula nova.

Após o diagnóstico, os doentes e as suas famílias têm frequentemente dúvidas sobre se valerá a pena operar o seu coração, uma vez que consideram o risco demasiado elevado, apesar das limitações importantes na qualidade de vida.

O tratamento convencional desta patologia passa por uma cirurgia cardíaca convencional através da abertura do esterno e circulação sanguínea artificial durante a substituição valvular sob anestesia profunda. É uma cirurgia que demora quatro horas e a recuperação prolonga-se, após a alta, até aos 2 meses ou mais.

Felizmente, hoje em dia, o cateterismo – técnica minimamente invasiva utilizada há mais de 30 anos em Cardiologia – permite também implantar uma válvula cardíaca através de um cateter introduzido por uma artéria (geralmente na virilha), sem necessidade de parar o coração. Demora cerca de uma hora e meia e pode fazer-se quase sem anestesia, com recuperação em apenas uma semana.

Esta técnica é, para muitos especialistas, um dos grandes avanços da cardiologia dos últimos 20 anos. Contudo, estudos recentemente publicados indicam que, em Portugal, devíamos realizar quatro vezes mais procedimentos anualmente (400 em vez de 100). Uma das mais reputadas revistas médicas mundiais, o The New England Journal of Medicine, apresentou uma avaliação internacional que evidenciou que o tratamento da estenose aórtica grave através de técnica minimamente invasiva supera o método convencional de substituição cirúrgica da válvula aórtica em doentes de alto risco.

Em média, os países europeus realizam cerca de 45 implantes por ano por cada um milhão de habitantes e Portugal está em último com apenas 11 por ano por cada um milhão de habitantes. Na Alemanha são realizadas cerca de sete mil implantes de válvulas aórticas percutâneas por ano, em Espanha 800 e em Portugal apenas 110.

Recentemente, com o objetivo de disponibilizar informação para doentes e familiares, foi lançado o website www.estenoseaortica.com.

Categorias:Opinião, Saúde

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