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Vilamoura Atlantic Tour | 300 cavaleiros, mil cavalos e 21 milhões de euros de retorno | 17 de fevereiro a 5 de abril

Vilamoura recebe, entre 17 de fevereiro e 5 de abril, o Atlantic Tour 2015, o maior evento equestre nacional. A competição vai trazer ao Algarve 300 cavaleiros, entre os quais alguns dos melhores do mundo, 1000 cavalos mas também muitos benefícios para a economia, sendo estimado um impacto positivo na ordem dos 21 milhões de euros.

As potencialidades económicas deste Atlantic Tour foram um ponto central da apresentação do evento, realizada esta quinta-feira no Centro Hípico de Vilamoura, que contou com a presença de António Moura, organizador do evento, Desidério Silva, presidente da RTA e Vítor Aleixo, presidente da Câmara Municipal de Loulé.

Combater a sazonalidade, fazendo a ponte entre outubro e março

António Moura começou por frisar que este evento está “integrado na Loulé Cidade Europeia do Desporto 2015”, sustentando que “tem havido um grande desenvolvimento e evolução do hipismo no Algarve. Havia a ideia que este era um desporto de alta sociedade mas é, acima de tudo, uma indústria que cria, na Europa, 100 mil milhões de euros e 400 mil postos de trabalho. Por cada 4 cavalos há um emprego que se gera”, justificando que o programa equestre existe em Vilamoura “porque o Algarve tem condições únicas na Europa. Daí, a grande adesão de cavaleiros de toda a Europa; daí, a razão de sermos procurados”, pelo que este concurso “serve de pré-época para os cavaleiros”, destacando igualmente “o aeroporto a 20 quilómetros e as condições climatéricas excecionais fazem de Vilamoura uma zona de excelência. Não há na Europa melhor sítio para a prática de desporto equestre”m sustentando: “Temos aqui um diamante em bruto de interesse nacional. Vamos ter outro evento em outubro que vai ter quatro semanas. O nosso objetivo é ‘ligar’ o evento de outubro ao de março”, perspetivando que os cavaleiros venham a ficar na região, fazendo a ponte entre ambos. “Acaba por funcionar também como um investimento imobiliário porque, se os cavaleiros ficarem aqui por seis meses, compram ou constroem aqui as suas casas, porque é uma região com condições ideais”, acrescentou. “Já estamos a 50% para chegarmos ao mesmo nível dos EUA, onde a componente imobiliária é muito grande em torno das provas equestres e prevejo que o mesmo se venha a verificar aqui”, sustentando que as pessoas ligadas ao desporto equestre “são as pessoas ideais para investir na parte imobiliária. Este é o 2.º maior evento da Europa, sendo estratégico para o Algarve”, até porque tem “uma singularidade que o torna único: É uma bandeira contra a sazonalidade” e “este tipo de evento é um modelo que se pode repercutir noutras modalidades”.

Vilamoura montra de venda do Cavalo Lusitano

O Vilamoura Atlantic Tour durará “seis semanas, vai haver saltos de obstáculos e há uma novidade, que é a dressage, uma prova de ensino, em que temos já os ecos numa expetativa para alargar a mais uma ou duas semanas, podendo vir a ser o maior evento de sempre”.

António Moura destacou a importância desta variante que “também ela pode trazer benefícios para a economia portuguesa. O cavalo lusitano é muito utilizado para esta modalidade e a ministra da Agricultura vai estar presente num desses dias porque aposta muito na venda do Cavalo Lusitano e o evento acaba por funcionar como uma montra” para esse fim.

2 Grandes Prémios de qualificação para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, 1.º GP de Angola e SPA para cavalos

O grande mentor do Vilamoura Atlantic Tour disse ainda que a prova terá “um impacto direto de 21 milhões de euros, terá um prize money de 825 mil euros e, este ano, tem o reconhecimento a nível internacional por parte da Federação Equestre Internacional (FEI). Em março, haverá dois grandes prémios qualificativos para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Temos aqui os mais elevados padrões de exigência e, este ano, vamos ter outra novidade só existente nos EUA, que vai ser um SPA para os cavalos. Montámos, pela primeira vez, uma clínica com SPA e laboratório para análises de sangue”.

Haverá ainda o “1.º Grande Prémio de Angola, aceite pela FEI. Será integrado nas comemorações dos 40 anos da Independência de Angola, terá lugar no dia 4 de abril, o Dia da Paz em que foi assinado o tratado entre o MPLA e a Unita e teremos cá o ministro do Desporto angolano”.

Hotelaria em alta com o Vilamoura Atlantic Tour

No total, durante as sete semanas, estimam-se mais de 70 mil dormidas na hotelaria algarvia relacionadas com o Atlantic Tour, números que têm atraído o apoio de hotéis da região, pelo que, para o presidente do Turismo do Algarve, é uma boa forma de combater a sazonalidade na região: “É uma valorização que não posso deixar de fazer. Porque tem uma credibilidade acima do normal. Este produto é importantíssimo para o Turismo do Algarve e num período deficitário em termos de dormidas e isso tem de ser alterado para a sustentabilidade da região. Este evento contribui para isso e tenho procurado transmitir aos responsáveis deste país essa importância. É regional mas de interesse nacional”, revelando que a RTA está, neste momento, “a focar-se nas respostas a dar entre outubro e março” com o objetivo de atenuar os efeitos da sazonalidade.

Vítor Aleixo concordou com Desidério Silva quanto à necessidade de um apoio oficial ao mais alto nível e de uma forma mais robusta. “A Câmara Municipal de Loulé é, desde a primeira hora, sponsor e co-organizadora das provas equestres em Vilamoura e não posso deixar de manifestar o meu regozijo por este evento ter duas edições repartidas” durante a época baixa da atividade turística, pelo que a autarquia louletana continuará a apoiar e “olha cada vez com mais entusiasmo para o crescimento deste evento”, partilhando “o desconforto que o presidente da RTA manifestou por as altas instâncias do país ainda não se terem inteirado da importância e do impacto deste evento. Juntarei a minha à sua voz e esperemos que outras se juntem nas instâncias próprias”. Os governantes “têm de ver com mais consciência e lucidez. O Turismo continua a ser a principal atividade económica da nossa região e ligar o fim de um ano ao início do seguinte é muito interessante. Era bom que o Turismo de Portugal, a RTA e a CMLoulé dessem as mãos para que o apoio possa ser mais substancial. Estarei nessa luta numa lógica regionalista. Não pode ser só receber portagens e depois não se investir no turismo do Algarve para gerar mais receitas para a economia nacional”, até porque o Vilamoura Atlantic Tour, “em termos turísticos, é um evento marcante para o país, não apenas para o Concelho de Loulé e para o Algarve”. Logo, “tem de ser reconhecido pelo Ministério da Economia e pelo Turismo de Portugal”.

O Vilamoura Atlantic Tour é o 2.º maior evento de hipismo da Europa e traz ao Algarve os melhores cavaleiros do mundo. Durante 6 semanas, em plena época baixa, uma ‘entourage’ de milhares de pessoas transforma Vilamoura numa autêntica cidade equestre.

Por: Jorge Matos Dias / PlanetAlgarve

Categories: AGENDA, Desporto, Quarteira

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