Algarve

Nova entidade regional AlgFuturo diz que a região perdeu 10 mil milhões em receitas em seis anos

O Algarve sofreu, entre 2008 e 2014, uma quebra acumulada de cerca de 10 mil milhões de euros em transações e consumo. É o equivalente a mais de 30% do produto interno bruto (PIB) anual da região e corresponde a 30 vezes mais do que os 327,3 milhões de euros de fundos comunitários que o Algarve deverá receber nos próximos sete anos.

Os cálculos constam do “Estudo de Tendências Estruturais da Economia e Sociedade: Bloqueios e Respostas”, divulgado esta quarta-feira pela nova associação AlgFuturo. A associação algarvia, que conta com centena e meia de membros, vem dissecar várias estatísticas do turismo e outros sectores económicos, para propor soluções para os desafios da região.

No estudo agora publicado, a AlgFuturo aponta que esta quebra nas receitas foi a maior registada em todo o país e apresenta várias razões que justificam esta diminuição.

“É o resultado do elevado do aumento do IVA da restauração, quebra de atividades com a sazonalidade, quebra no turismo e redução dos gastos médios por turista/dia”, refere o estudo.

A estimativa, esclarecem os autores do estudo, é feita com base numa quebra de 2 mil milhões de euros no total das receitas fiscais. No caso do IRS, as perdas totalizaram 1000 milhões, enquanto no IVA ultrapassaram os 700 milhões, quando, a nível nacional, houve aumento de receita. Já no caso do IRC, considerando apenas as empresas com sede social no Algarve, a quebra nas receitas foi de cerca de 300 milhões de euros.

Sobre a AlgFuturo – União pelo Futuro do Algarve

A Região do Algarve tem uma nova entidade para defesa dos seus interesses. Chama-se “AlgFuturo – União pelo Futuro do Algarve” e foi apresentada publicamente na quarta-feira, dia 27 de maio, no Hotel Eva, em Faro, arrancando com o “Estudo de Tendências Estruturais da Economia e Sociedade: Bloqueios e Propostas”.

A Algfuturo tem caraterísticas únicas no país, pela abrangência geográfica de uma região e globalidade da economia e sociedade. Assume-se como parceiro regional e já está juridicamente registada, com a aprovação da Denominação e Objeto Social pelo Registo Nacional das Pessoas Coletivas, em 27 de Abril deste ano.

A ideia de formar esta nova organização de direito privado surgiu de forma natural porque, embora o potencial do Algarve seja excecional, a presente fase é difícil e o futuro preocupante, constatado pelo contato direto com a realidade, profundas reflexões com múltiplos agentes e confirmado pelo “Estudo de Tendências Estruturais da Economia e Sociedade: Bloqueios e Propostas”. Este Estudo revela dados, projeções e conclusões, em vários casos vindos a público pela primeira vez.

A criação institucional da Região do Algarve na orgânica político-administrativa é a base nuclear da “Reforma do Estado”, assumindo a União AlgFuturo expressamente o compromisso por uma persistente cruzada democrática pela sua conquista. Por outro lado, a intensificação das relações com a Andaluzia merece atenção estratégica.

A União AlgFuturo já tem centena e meia de aderentes e arrancou com uma Comissão Instaladora de 32 membros, entre os quais, dois terços são ou foram dirigentes associativos. Conta no seu seio com empresários, autarcas e ex-autarcas, professores universitários e do ensino secundário, profissionais de saúde, profissionais liberais, quadros superiores de empresas, etc., cobrindo todos os setores da vida económica e da sociedade. De referir também a percentagem significativa de mulheres na Comissão Instaladora (30%).

Propõe-se mobilizar e agregar forças, vontades e propostas dos cidadãos residentes, dos naturais e investidores e ser um parceiro social ativo na defesa e afirmação da região, contribuindo para vencer a descrença e fazer renascer a esperança, superando velhos e novos desafios e estrangulamentos estruturais, com salvaguarda da identidade e raízes histórico-culturais e bom acolhimento dos turistas, imigrantes e Comunidades Estrangeiras.

Compromisso de Cruzada pela Conquista da Região Administrativa do Algarve

Com vista à construção do futuro, a criação institucional da Região do Algarve na orgânica político-administrativa é a base nuclear na Reforma do Estado (sempre adiada), o que torna imperativo a ALGFUTURO assumir o compromisso por uma persistente cruzada democrática pela sua conquista, de modo a que o povo algarvio passe a legitimar diretamente os representantes para o guiar, garantindo mais participação, aproveitamento dos recursos, melhor gestão e substancial redução dos gastos do pesado e desajustado aparelho público imposto pelo centralismo asfixiante do poder central. Por outro lado, é relevante a efetiva descentralização de competências do Governo nos Municípios, num quadro nacional e flexibilidades específicas.

Ideologicamente Plural, Independente, Isenta e Cooperante com Entidades Oficiais e Organizações da Sociedade Civil

ALGFUTURO orientar-se-á pelo escrupuloso respeito e defesa do Estado de Direito Democrático, é ideológica e religiosamente plural, independente e isenta nas suas tomadas de posição. Desenvolverá iniciativas próprias ou interagindo em diálogo, cooperação e parceria com entidades oficiais nacionais, regionais e locais, bem como representações diplomáticas e, ainda, associações empresariais, sindicatos/ordens/câmaras de comércio/ outras instituições da sociedade civil no país, União Europeia e Comunidades Portuguesas.

Desenvolvimento Sustentável, com Criação de Emprego, Combate à Sazonalidade, às Desigualdades Sociais e Outras

ALGFUTURO tem por objeto social supremo alcançar o desenvolvimento sustentável através do (a): adequada valorização e aproveitamento dos recursos humanos; criação de emprego; atração de investimentos e novos mercados; boa aplicação dos fundos europeus a que a região tem direito e dinamização da participação no aproveitamento das oportunidades previstas nas várias medidas; quebrar a continuada falta de aproveitamento dos excecionais recursos terrestres e marinhos e garantir a sua preservação; e combate ao periferismo, à sazonalidade, às desigualdades sociais e aos profundos desequilíbrios territoriais do interior, serra e extremos barlavento e sotavento.

Abordar a Realidade e Soluções de Forma Global, Sustentadas em Planos e Medidas na Economia, Saúde, Educação, Solidariedade, Etc.

ALGFUTURO abordará a realidade e soluções de forma global e integrada, sustentadas em planos e medidas nos domínios económico, saúde, solidariedade, juventude, justiça, cultural, desportivo, transportes e comunicações, infraestruturas, segurança, ordenamento e ambiente, etc., processo em que os jovens terão um papel relevante como agentes e destinatários.

A nível económico – empresarial, a oferta turística em sentido geral tem que ser qualificada, diversificada e com forte promoção externa; e para a agricultura, pescas/aquicultura, indústria e comércio tradicional, face às acentuadas debilidades ou constrangimentos, terão de ser feitas intensas apostas estruturantes específicas.

Será dada especial atenção à investigação, ensino, formação profissional e novas tecnologias, contexto em que se dinamizará a cooperação com instituições que já atuem na região ou que se proponham fazê-lo.

Cooperação internacional aberta, em especial com a União Europeia, Países Lusófonos e Comunidade Autónoma da Andaluzia

No plano internacional, a associação procurará detetar oportunidades a nível global, mas será dada prioridade às relações no âmbito da União Europeia, países de língua oficial portuguesa e norte de África, em especial aqueles com quem se têm intensificado relações através de representantes diplomáticos na região.

As relações e cooperação com Andaluzia assumirão uma prioridade estratégica, em todas as vertentes.

Sem fins lucrativos e cargos dos órgãos sociais exercidos de forma não remunerada

ALGFUTURO não tem fins lucrativos, está aberta a todos os indivíduos que comunguem os princípios expressos e os membros dos órgãos sociais desempenharão os seus cargos em regime de absoluto voluntariado sem qualquer remuneração. Até às primeiras eleições, a associação terá uma Comissão Instaladora e um Coordenador, órgão colegial a quem compete a direção, a representação, a organização administrativa e a convocação do ato eleitoral no prazo máximo de seis meses após a sua apresentação pública.

Nota: O Objeto Social e denominação estão conforme o Certificado de Admissibilidade do Registo Nacional das Pessoas Coletivas de 27 de Abril de 2015.

Objeto social e Comissão Instaladora

Categories: Algarve, Turismo

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