Loulé

12.º Festival MED com milhares de visitantes e atuações únicas dos melhores artistas da World Music

World Music e fusão de manifestações culturais atraíram milhares à Zona Histórica de Loulé, reforçando o papel do Festival no roteiro musical nacional e europeu

Durante três dias sons, cores, cheiros e sabores de todo o mundo estiveram presentes na Zona Histórica de Loulé, naquela que foi uma das melhores edições do Festival MED, evento de World Music que assinalou 12 anos de existência. Tal como em 2009, ano em que os cubanos Buena Vista Social Club foram cabeças-de-cartaz atraindo uma verdadeira multidão, também na presente edição a lotação do MED esteve esgotada, sobretudo na noite de sábado, ficando assim para a história deste festival.

O ambiente mediterrânico das típicas ruas e ruelas e as temperaturas elevadas que se registaram nos últimos dias, a par do cartaz artístico de elevada qualidade, criaram a atmosfera ideal para concertos com o que de melhor se faz actualmente na área das músicas do mundo. E o público respondeu a estas atuações com muita animação.

Ao contrário dos tradicionais festivais de música que acontecem em Portugal durante o verão, o Festival MED assenta no factor surpresa já que muitas das bandas são desconhecidas do público. Daí que, mais uma vez, os espectáculos deste festival tenham correspondido plenamente à curiosidade de quem aqui veio, proporcionando-lhes experiências únicas aos milhares de espectadores que encheram por completo os espaços.

Em termos musicais, o grande destaque da primeira noite, quinta-feira, vai para a fadista Carminho, Ano após ano, o Fado tem passado pelo Festival MED, assumindo-se claramente como uma “música do mundo”, daí que o espetáculo de Carminho tenha tido cada cheia, com uma plateia composta não só por portugueses mas também pelos muitos estrangeiros que estiveram no recinto.

À semelhança do que aconteceu em 2014, com uma presença explosiva da Ásia representada pelos japonses Turtle Island, este ano coube ao grupo sul-coreanos Jambinai representar o continente asiático. A mistura singular de antigos artefactos sonoros asiáticos como o haegeum (um parente próximo do violino), o piri (um instrumento de sopro) e o geomungo (uma cítara atacada por paus que ora servem de baqueta como de palheta) com um rock puro e duro, criaram um momento verdadeiramente entusiasmante junto do público.

De destacar ainda nesta noite o regresso dos Babylon Circus ao Festival MED, uma verdadeira festa em palco que se estendeu à plateia, tal como os Skip&Die, com a vocalista  Cata.Pirata a juntar-se ao público para celebrar esta festa de sonoridades.

Também de regresso a Loulé, pela terceira vez, os israelitas Balkon Beat Box foram os protagonistas daquele que foi considerado por muitos como o melhor concerto desta edição. Máquina de ritmos e de uma multiplicidade de sonoridades onde a música cigana dos Balcãs e o klezmer judaico, a música árabe e grega, o rocksteady e o dub, o house e o tecno, o rock e o funk ou o gnawa e o bhangra convivem livremente, os Balkon Beat Box não deixaram ninguém indiferente. Passado nove anos, com mais experiência adquirida nos palcos mundiais, os Balkon Beat Box superaram todas as expetativas dos muitos fãs que já conquistaram em Loulé.

Na noite de sexta-feira o destaque vai também para os peruanos Cumbia All Stars, que tão bem representaram o ritmo quente e sensual da cumbia. Formado por elementos de bandas proeminentes da cena musical peruana, muitas vezes comparados à Orquestra Buena Vista Social Clube, o grupo composto por músicos experientes e com uma média de idades a rondar os 55 anos teve a energia que se estendeu ao público com muita dança latina à mistura.

A nigeriana Nneka era, à partida, um dos nomes mais sonantes do cartaz musical deste ano do Festival MED. Com a responsabilidade de ser considerada uma referência no panorama das músicas do mundo, com concertos e vários galardões, a artista atuou no sábado no Palco Matriz e fez jus à sua notoriedade, levando a Loulé a sua música mas também os eus propósitos políticos e sociais.

E porque o MED não é só música mas uma fusão cultural onde há espaço para as artes plásticas, gastronomia, artesanato ou animação de rua, este ano a organização do evento quis também prestar homenagem a três Patrimónios Imateriais da Humanidade – Fado, Cante Alentejano e Dieta Mediterrânica – criando para tal novos espaços e momentos únicos. Os Claustros do Convento transformaram-se numa típica cada de fados onde o público pôde assistir a espetáculos protagonizados por fadistas locais e, ao mesmo tempo, degustar petiscos bem portugueses. Esta foi, de resto, uma das zonas mais concorridas do festival.

Integrado na animação de rua, o Cante Alentejano marcou presença através de quatro grupos que levaram os sons e indumentárias desta tradição do Alentejo.

Por outro lado, a Dieta Mediterrânica esteve representada sobretudo no Open Day, domingo, dia de entrada livre dedicado especialmente à gastronomia, em que os espaços de restauração apresentaram criações originais com base em ingredientes e produtos genuinamente mediterrânicos.

A título de balanço, o diretor do Festival, Hugo Nunes, sublinhou os fatores que contribuíram para o sucesso desta edição: “um cartaz fabuloso e o tempo que deu uma ajuda e que fez com que as pessoas tivessem vindo em massa”. E porque não é só o público que ganha com o Festival MED, o vice-presidente da Câmara Municipal de Loulé salientou a importância do evento para a dinamização da economia local e regional, nomeadamente nas áreas da hotelaria e restauração.

Depois do sucesso deste ano, as expetativas estão elevadas para a próxima edição e, nesse sentido, Hugo Nunes adiantou que a organização está já a trabalhar para que em 2016 o Festival MED continue com os mesmos níveis de adesão do público e a mesma qualidade artística.

Por: Município de Loulé

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