Entrevistas

Entrevista com Hugo Costa Ramos, um ator com Quarteira no coração

Hugo Costa Ramos, ator e escritor, nascido em Lisboa a 10 de fevereiro de 1985, veio para Quarteira com 9 meses, onde viveu 22 anos. Embora se tenha mudado para Lisboa por motivos profissionais, assume-se quarteirense e continua a amar esta terra como sendo sua. Aqui tem a sua família e os seus amigos.

PlanetAlgarve (PA): Como começou a carreira no mundo da representação?

Hugo Costa Ramos (HCR): Comecei por fazer teatro na Casa da Cultura de Loulé.

PA: Como surgiu a oportunidade das telenovelas da TVI?

HCR: Quando fiz teatro, percebi que o mundo da representação era o que eu queria para a minha vida e tive de ir estudar Teatro para Lisboa. O facto de eu estar a fazer novelas foi na sequência do meu trabalho em teatro, em várias curtas-metragens e acabou por acontecer.

PA: Representação em teatro foi só em Loulé?

HCR: Não, não. Estudei Teatro na Escola In Impetus, fiz formação no Chapitô, fiz vários espetáculos em Lisboa, no Teatro Turim e no Teatro Armando Cortez, onde tenho trabalhado com grandes artistas do teatro português.

PA: A entrada nas novelas de televisão foi através de casting?

HCR: Sim, fiz vários castings para novelas. Fazemos o casting e depois, se há um personagem com um perfil que se adequa ao meu, acaba por acontecer o convite para fazer um personagem durante seis, sete ou oito meses, depende do projeto.

PA: Já são muitos os projetos na televisão?

HCR: Alguns. Em televisão, comecei na RTP e depois faço o Remédio Santo (TVI, 2011), Louco Amor (TVI, 2012-2013), Plano X (2013), a série Bairro (TVI, 2013-2014), depois faço o Mundo ao Contrário, I Love It (TVI, 2013), Mulheres (TVI, 2014-2015),  39 Semanas e Meia (Canal Q, 2015), estive a gravar há pouco tempo Poderosas para a SIC e, neste momento, estou a gravar Santa Bárbara, a nova produção da TVI que estreia em setembro e dessa é que é importante falar que é a atual. Estou no 3.º mês de gravações e devo gravar até outubro.

Pelo meio, fiz diversas curtas-metragens, alguns filmes (Cachecol Vermelho; Amor Vadio) e publicidade (Santal). Depois, quero ver se faço teatro porque já não faço teatro há um ano porque entretanto surgiram 3 projetos em televisão.

Confira a carreira de Hugo Costa Ramos no seu IMDb.

PA: Quarteira tinha o Grupo de Teatro Amador de Quarteira, o chamado Teatro do Sr. Alvarinho, com amadores mas alguns com uma qualidade interessante. Estarão todas essas pessoas perdidas para o teatro?

HCR: Eu acho que não se perderam. Eu estou no grupo que está a tentar criar uma Casa da Cultura em Quarteira. Têm havido algumas reuniões, estive presente nalgumas delas e espero que esse projeto ande para a frente.

PA: No Orçamento Participativo 2014, essa proposta ficou em segundo lugar. O OP 2015 é uma nova oportunidade. Será desta?

HCR: Seria excelente porque nós temos em Quarteira inúmeros bons artistas nas mais variadas áreas. Eu, por acaso, recebo centenas de mensagens de miúdos de Quarteira e de Loulé que querem ser artistas e, como sabem que sou de cá, perguntam-me como é que eu fiz para chegar onde estou e acho que o teatro faz falta em Quarteira. Eu tive de ir fazer teatro em Loulé porque não havia teatro em Quarteira e, quando entendi que queria fazer teatro profissional, tive de ir para Lisboa. Portanto, com uma Casa da Cultura, podemos pensar em criar aqui uma Escola de Ofícios e de Artes como há, por exemplo, em Cascais.

PA: Então, fica aqui o apelo aos quarteirenses para votarem em massa na proposta da Casa da Cultura de Quarteira no OP 2015?

HCR: Claro que sim. Eu faço parte do projeto e a proposta tem o meu voto porque Quarteira precisa de um espaço onde os artistas locais possam desenvolver os seus projetos e mesmo como forma de recebermos outros artistas de fora. Não podemos ser só Sol e Praia. A Cultura é o que nos carateriza e nos distingue. Eu nasci em Lisboa mas vim para Quarteira com 9 meses, foi aqui que eu cresci e a primeira vez que eu fiz teatro na minha vida foi em Loulé e não em Quarteira e isso entristece-me. Eu devia ter começado esta entrevista com “Foi aqui que eu comecei” mas foi Loulé que me abriu a porta porque aqui não há teatro.

PA: Esses primeiros passos no teatro foram quando?

HCR: Tudo começou porque eu fiz figuração para um filme com o Gérard Depardieu, O Pacto de Silêncio. Na altura, fazia Capoeira em Quarteira, com o Élvio e com o Ricardo Tamanduá. E é bom referir esse pessoal porque também fazem um trabalho excecional com as crianças em Quarteira. Eu fiz durante muitos anos com o Caxixi, o Hugo, o Mitó e, passados estes anos todos em que estou em Lisboa, chego cá e vejo que esse grupo continua a trabalhar com crianças. Aí, devia eu ter uns 15 anos, houve um casting para um filme francês em Vila Real de Santo António, estavam a simular que era o Brasil, acabei por ficar no casting, era o cinema, o cinema francês, uma mega produção e eu fiquei deslumbrado. Nessa altura, com 15 ou 16 anos, era difícil assumir que queria ser ator e dizer aos meus pais que ia para Lisboa estudar representação. Então, com 22 anos, já com as ideias precisas sobre aquilo que eu queria, sabia muito bem aquilo que queria, nunca me desviei do caminho que achava que era o melhor para mim. Até agora, tem dado alguns frutos e estou na luta.

PA: Em Quarteira há outros jovens que façam novelas para a televisão?

HCR: Sim, temos uma atriz que é aqui das Quatro Estradas mas é como se fosse de Quarteira, a Gabriela Santana, que está no Os Nossos Dias, da RTP. Mas também temos outros valores: o Dino d’Santiago e a Isa Brito na música; o Rui Coimbra, campeão do mundo no futebol de praia, com quem eu cresci, somos amigos desde miúdos e jogámos ténis juntos; o Cristiano de Sousa na moda, entre outros.

PA: Voltando à Gabriela Santana, vocês fizerem o par de padrinhos na Marcha Poeta Pardal nas Marchas Populares de Quarteira. Como surgiu o convite?

HCR: É verdade. O convite surgiu em janeiro pela Delfina Santana, a mãe da Gabriela e quem está à frente da Marcha Poeta Pardal. Eu já tinha andado nas marchas de Quarteira quando tinha 8 anos e agora, passados 22 anos, sou convidado para ser padrinho da Marcha Poeta Pardal. Eu já conhecia a Gabriela desde os 8 anos mas ficámos muitos anos sem nos vermos e fomos encontrar-nos na marcha, ela atriz e eu ator. Foi um projeto muito engraçado que eu gostei muito de fazer. Eu tive de dançar, não sou dançarino, foi o desafio em si, eu não sabia que ia ter alguns projetos em junho e aceitei de imediato. Se é para aprender a dançar, vamos lá.

PA: Para além da representação, há algum projeto paralelo ou algum hobby?

HCR: Gosto muito de desporto e ocupo os meus dias a praticar desporto, estar com os amigos, gosto muito de frequentar bibliotecas, ler em vários sítios, como jardins, quando posso, gosto de viajar, venho muito para o Algarve, que é um dos meus refúgios. Venho cá passar umas temporadas sempre que posso mas a minha vida há 8 anos que está em Lisboa. No entanto, sempre que posso, venho cá porque tenho cá a minha família: o meu pai, a minha mãe, o meu irmão, o meu sobrinho e muitos amigos e vou dividindo assim o meu dia a dia.

PA: Durante estes 8 anos em Lisboa, Quarteira evoluiu muito…

HCR: Bastante. Eu gosto muito de Quarteira, principalmente no inverno, com mais qualidade de vida, abro a janela de casa e estou a ver o mar, não há aquele stresse de estacionar, nem o trânsito e as filas do verão. Quando não estou a gravar, venho sempre cá e obviamente que, em Quarteira, houve uma mudança em tudo, para melhor e tende a melhorar ainda mais.

PA: Uma das mudanças tem sido ao nível dos eventos, como este Mercadinho de Artesanato onde nos encontramos…

HCR: É verdade. É muito engraçado estas iniciativas que estão a fazer com o artesanato. Visto a camisola das Artes da Mena neste Mercadinho de Artesanato em Quarteira e estou a apoiar a minha mãe neste seu segundo mercadinho na mesma semana, depois do Mercadinho de Verão, na Rua Vaco da Gama. Neste momento, a minha mãe faz disto a sua profissão. É uma coisa que começou a fazer mais quando os filhos saíram de casa. Decidiu então apostar mais na ocupação do tempo, através da Internet, do Youtube e de muitos Workshops que fez em escolas, desenvolveu uma qualidade artística muito interessante e até tem página no Facebook, Artes da Mena. Inclusive, já tem algumas lojas onde tem as suas criações. Também costuma vender para França, onde tem muitos emigrantes a comprarem através da Internet. É uma mulher que gosta de fazer tudo perfeitinho, pesquisa na Internet, vê novas técnicas no YouTube e faz. Eu tiro as fotos, partilho na Internet, o meu irmão ajuda a partilhar e as coisas vão correndo bem.

Por: Jorge Matos Dias / PlanetAlgarve

Categories: Entrevistas, Quarteira

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