Aljezur

Praia do Telheiro e Odeceixe: dois maus exemplos neste verão

A falta de sensibilidade ambiental dos responsáveis pela gestão do território vai-se tornando cada vez mais preocupante, sobretudo em locais com valores naturais particularmente valiosos.

Na Costa Vicentina, tivemos recentemente o caso da Praia de Odeceixe onde a Polis – Litoral Sudoeste, com conhecimento dos responsáveis da autarquia e do parque natural, resolveu “inventar” uma nova praia, já do lado alentejano, à custa de areia extraída da frágil duna existente naquela praia emblemática e com direito a parque de estacionamento completamente renovado. Depois de gastas largas dezenas de milhares de euros com esta obra, colocou-se um sinal à entrada do parque a proibir o estacionamento de autocaravanas, que sempre foram os principais utilizadores da zona. Resultado: o parque e a nova praia mantêm-se quase vazios e as autocaravanas continuam a ocupar, de forma descontrolada, as margens da ribeira de Seixe.

Agora, em Vila do Bispo, a Câmara Municipal resolveu melhorar as vias secundárias de acesso ao litoral à custa de materiais de duvidosa qualidade. Restos de pneus, plásticos, entulhos de construção, resíduos verdes, tudo tem servido para tapar buracos e delimitar melhor os caminhos. Como aparentemente não é feita qualquer análise e triagem prévia dos materiais utilizados, está-se a pôr em risco a qualidade do ambiente no interior de um parque natural.

Por exemplo, na Praia do Telheiro, estão a ser empregues entulhos com restos de acácias, uma planta exótica e invasora que tem vindo a ocupar vastas zonas do nosso litoral e que, com este tipo de intervenções, continuará certamente a proliferar. Neste caso, os responsáveis pela obra de suposta melhoria do acesso à praia chegaram mesmo a cortar vegetação natural e a arrasar alguns troços de duna fóssil, num espaço considerado, desde há muito tempo, como importante monumento geológico.

Em face da ocorrência de mais esta situação, a Almargem considera urgente que os concelhos que ostentam a bandeira do ‘Turismo de Natureza’ se empenhem efetivamente na preservação do que ainda resta de um “Algarve Natural”, cada vez mais raro, sob pena de perderem em definitivo um produto turístico único – alternativo ‘ao sol e praia’, que nos distingue enquanto destino, e o qual motiva a que tantos turistas nos visitem.

Mas para que assim possa continuar a ser, não podemos esquecer que o Turismo de Natureza atrai um público que é exigente e responsável, e que em oposição ao turismo de massas, aquele impõe limites à capacidade de carga dos espaços naturais e, consequentemente, de alguns locais icónicos da região.

Numa altura em que se vêm registando cada vez mais crimes ambientais no Algarve, a Almargem apela assim à sensibilidade dos Municípios para esta causa, promovendo boas práticas nas suas intervenções em espaços naturais, em respeito pelos valores em presença, e pelos planos de ordenamento em vigor, e em concertação com os restantes agentes (ICNF, entidades regionais do turismo).

A Almargem está disponível, como sempre esteve ao longo dos últimos 27 anos, para se sentar à mesa com todos os intervenientes por forma a evitar que se continuem a praticar este tipo de crimes que são em última instância lesivos do que mais valioso tem a região – o seu património natural.

Por: Associação Almargem

Categories: Aljezur, Vila do Bispo

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