Lagos

Ministro da Cultura visitou Lagos

O ministro da Cultura João Soares visitou, no dia 01 de fevereiro, o Município de Lagos e ficou a conhecer as obras de conservação e restauro que, durante cerca de um ano, foram levadas a cabo na Igreja de Santo António, e o futuro Núcleo Museológico dedicado ao tema da Escravatura.

Na sua passagem por Lagos nesta que foi a sua primeira deslocação oficial à região, o responsável pela pasta da Cultura começou por tomar conhecimento e ver “in loco” as obras de conservação e restauro que decorreram neste último ano, e que contaram com o apoio da Direção Regional de Cultura, naquele que é o segundo monumento mais visitado do Algarve – a Igreja de Santo António.

Na mensagem de boas vindas a Presidente da Câmara Municipal, Maria Joaquina Matos, mostrou-se agradecida pelo facto desta visita ministerial se ter iniciado pelas Terras do Infante (Aljezur, Lagos e Vila do Bispo). A propósito, a autarca lembrou que estes municípios são “orgulhosamente o território da 1ª globalização e que este foi o mote para a preparação de uma candidatura à UNESCO, que está atualmente em curso, e que, ainda que esteja a contar com toda a dedicação da Direção Regional de Cultura do Algarve, precisa de toda a atenção e apoio do Ministro”. João Soares, que começou por referir que nesta sua primeira visita como Ministro da Cultura o grande objetivo é “conhecer um conjunto de obras nesta área que estão em curso em toda a região algarvia”, reafirmou “o respeito que tem desde sempre manifestado pelo património e tradições históricas”. Recordando a sua experiência de 16 anos na vida autárquica diz agora ter “reencontrado o seu gosto pela conservação e restauro”, manifestando o seu “regozijo pelo trabalho que tem estado a ser desenvolvido nesse sentido”.

No que diz respeito às obras que foram levadas a cabo na Igreja, e depois de um enquadramento histórico sobre a mesma, feito pelo Conservador do Museu, António Carrilho, seguiu-se uma explicação sobre as obras que tiveram lugar na Igreja e que foram apresentadas pelo colaborador da entretanto extinta Empresa Municipal FuturLagos, Frederico Paula.

Recorde-se que esta mesma explicação já havia tido lugar no dia 30 de janeiro, quando (e a encerrar o programa das Comemorações da Elevação de Lagos a Cidade), estas obras foram inauguradas e apresentadas publicamente à população, dia em que a Igreja de Santo António reabriu as suas portas ao público sem condicionamento nas visitas.

O arquiteto começou por explicar a metodologia utilizada recordando que o primeiro “passo” foi dado em finais de 2013, quando observadas deformações no intradorso da abóbada da Igreja levou a Câmara Municipal, na sua qualidade de entidade gestora do imóvel, a FuturLagos EM. SA., na sua qualidade de entidade responsável pela elaboração do projeto de recuperação da cobertura e a Direção Regional de Cultura do Algarve, na sua qualidade de tutela do imóvel, decidiram encerrar o imóvel a visitas públicas enquanto não fosse realizado o diagnóstico que determinasse se o mesmo tinha ou não condições de segurança. Depois de realizar uma série de ensaios a conclusão do diagnóstico foi a de que não existiam anomalias de caracter estrutural na abóbada, pelo que o imóvel foi reaberto ao público, mas de forma condicionada. Nessa altura começou a ser desenvolvido um projeto integrado de reabilitação, incluindo as vertentes de reforço estrutural e recuperação da cobertura, pintura do exterior do imóvel, consolidação e restauro do intradorso da abóbada, reformulação dos sistemas de iluminação interior, exterior e de segurança, limpeza e reparação da talha dourada e recuperação dos vãos do edifício, concretamente do óculo de iluminação da nave e das portas de entrada na mesma. Este projeto, iniciado em 2014, está agora muito perto da sua conclusão, sendo que das obras elencadas, e que arrancaram em Fevereiro de 2015, falta apenas a recuperação do óculo de iluminação e das portas.

Refira-se que o projeto, desenvolvido em várias fases, foi candidatado ao Programa POA 21, tendo a intervenção obtido uma comparticipação a fundo perdido de 65%. Em números redondos, o valor total da intervenção atingiu os cerca de 340 mil euros, dos quais cerca de 215 mil foram comparticipados a fundo perdido e cerca de 125 mil foram suportados por fundos municipais, através da FuturLagos EM. SA.

Depois destas explicações, tomou a palavra Pedro Gago, Técnico de Conservação e Restauro, que acompanhou toda a obra na Igreja no que a esta vertente diz respeito. Este técnico referiu dois conceitos que julga fundamentais neste tipo de intervenção: um sobre o objetivo fundamental destas intervenções, que segundo o mesmo, “deve ser o restauro e a devolução da obra de arte para usufruto do público”. Pedro Gago reforçou que “as obras devem sim, sofrer conservações, não para fiquem depois fechadas, mas que possam ser apreciadas por toda a comunidade”. Na sua breve explicação das técnicas utilizadas, principalmente na abóbada da Igreja, aproveitou para salientar um outro conceito, defendendo que “o importante é conseguir preservar o momento original da execução de terminada obra de arte, ou seja, tentar preservar o exato momento em que os artistas pensaram, pintaram ou entalharam as suas obras”.

No final da passagem do Ministro da Cultura por Lagos ainda houve tempo para se visitar a primeira fase das obras do futuro Núcleo Museológico dedicado à Rota da Escravatura em Lagos, que se prevê que seja inaugurado nos finais do mês de abril.

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