Algarve

Livro «O Acordeão no Algarve – Um Século de Histórias e Memórias» apresentado no Hilton Vilamoura

 

O livro «O Acordeão no Algarve – Um Século de Histórias e Memórias», numa iniciativa de Francisco Sabóia para comemorar as Bodas de Prata das Galas Internacionais do Acordeão, é o mais recente trabalho do escritor e investigador algarvio Nuno Campos Inácio, foi apresentado no dia 14 de Abril, no Hotel Hilton, em Vilamoura.

A apresentação contou com as intervenções de Fernando Lobo (Arandis Editora), Nuno Campos Inácio (Autor da obra), Francisco Sabóia (Mentor e organizador das Galas Internacionais do Acordeão), Desidério Silva (Presidente do Turismo do Algarve), Vítor Aleixo (Presidente da Câmara Municipal de Loulé), Dália Paulo (Departamento de Cultura da CMLoulé), Paulo Pires (acordeonista e promotor de leitura, ao serviço da Biblioteca Municipal de Silves), aos quais se juntaria depois o presidente da Câmara Municipal de Almodôvar, António Manuel Bota.

Marcaram ainda presença inúmeras individualidades da região, designadamente, o vice-presidente da Câmara Municipal de Albufeira, José Carlos Rolo, o presidente da Junta de Freguesia de Boliqueime, Rui Mogo, o ex presidente da Câmara Municipal de Castro Verde, Rosana Durão e Eduardo Messias, da Assembleia de Freguesia de Quarteira, representantes da associação Mito Algarvio, entre outros.

Destaque ainda para a presença de quatro Campeões Mundiais do Acordeão: Éric Bouvelle e Julien Gonzalez, de França, Petar Maric, da Sérvia e Pietro Adragna, de Itália.

O livro junta documentos, biografias, imagens e histórias do instrumento musical mais emblemático da cultura algarvia.

Apesar de ser um instrumento musical relativamente recente, desenvolvido a partir de uma invenção do austríaco Cyrill Demian, registada em 1829 e desenvolvido com as características mais próximas do tradicional acordeão já na segunda metade do século XIX, a verdade é que no início do século XX o acordeão conquistou um espaço próprio na música algarvia e no folclore regional, principalmente na interpretação do corridinho.

Não se sabe quando terá chegado ao Algarve o primeiro acordeão, nem quem terão sido os primeiros acordeonistas algarvios.

Esse instrumento surge documentado na região a partir do início da segunda década do século XX, sabendo-se que o regresso dos combatentes sobrevivos da I Grande Guerra Mundial na cidade de Faro ficou marcado por uma receção que contava com a presença de acordeonistas, marco histórico que viria a estar na origem das célebres Charolas da zona de Faro.

Entre os primeiros intérpretes na região, contam-se nomes como José Ferreiro, João Bexiga, José Calote, José Granja, «O Ceguinho da Luz», José Padeiro, António de Sousa Madeira, entre outros.

O ano de 1932 fica marcado na História do Algarve pela criação da I Orquestra Típica Algarvia e do primeiro grupo folclórico, o Rancho Regional Algarvio, atual Grupo Folclórico de Faro, ambos nascidos a partir da comitiva algarvia que participou Grande Exposição Industrial desse ano.

Ao longo de perto de 500 páginas enriquecidas por informação e documentação inédita, contendo mais de 800 imagens, mais de uma centena de biografias e referindo perto de 900 nomes de alguma forma ligados ao acordeão algarvio, a obra contou com a participação direta de grandes nomes do acordeão do Algarve, que escreveram textos de cariz histórico, integrados na obra.

Assim, Gonçalo Pescada, o primeiro algarvio doutorado em acordeão, é o autor do prefácio, encontrando-se ainda textos do jornalista Arménio Aleluia Martins, que tem acompanhado e apresentado vários eventos relacionados com esse instrumento musical, ou de Francisco Sabóia, organizador das 25 Grandes Galas Internacionais do Acordeão e fundador da Casa Museu do Acordeão, em Paderne, único no país.

Outros autores presentes no livro são Hermenegildo Guerreiro, acordeonista e professor de acordeão, o único no Algarve que formou um Bicampeão Mundial, um Vice-Campeão Mundial e vários Campeões Ibéricos e Nacionais, João Frade, Bicampeão Mundial e o primeiro acordeonista do mundo a vencer no mesmo ano as três principais provas internacionais de acordeão, bem como João Pereira, o presidente da Associação de Acordeonistas «Mito Algarvio», que é muito mais do que uma simples associação, sendo a entidade acreditada para a seleção de acordeonistas portugueses na representação de Portugal nas Copas do Mundo de Acordeão.

Esta obra surgiu de um desafio lançado à Arandis Editora por Francisco Sabóia, que pretendia comemorar os 25 anos de Galas Internacionais do Acordeão com uma obra que dignificasse o acordeão e os acordeonistas algarvios.

Respondendo a esse desafio, Nuno Campos Inácio encarregou-se de organizar o livro com o material que compõe o espólio do Museu do Acordeão e o arquivo do jornal «a Avezinha».

A estas fontes iniciais foi juntando outras, contactando diretamente com vários acordeonistas e juntando apoios e contributos de outras pessoas, como é o caso dos já referidos Francisco Sabóia, Arménio Aleluia, Hermenegildo Guerreiro, João Frade, João Pereira e Gonçalo Pescada, Paulo Domingues e Nelson Conceição.

Esta é a primeira obra do género editada em Portugal.

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