Loulé

Nova infraestrutura vai integrar Unidade de Saúde Familiar Lauroé e sede da ACES Central

O Secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, esteve ontem em Loulé para presidir à cerimónia de celebração de um memorando de entendimento entre a Autarquia e a Administração Regional de Saúde do Algarve que vai permitir criar nesta cidade um novo equipamento onde ficarão integrados dois serviços distintos: Unidade de Saúde Familiar Lauroé e sede do Agrupamento de Centros de Saúde do Algarve I CES Central.

Este novo edifício ficará localizado num terreno cedido pelo Município, junto ao Tribunal de Loulé, com uma área total de 607,50 m2, e irá melhorar substancialmente uma Unidade de Saúde Familiar que tem funcionado em condições muito deploráveis, com grande esforço e dedicação por parte dos profissionais”, referiu o presidente da ARS, Moura Reis, relativamente a um serviço que funciona em contentores no Centro de Saúde de Loulé. O equipamento “terá área suficiente para a assistência médica e clínica às populações”.

Manuel Delgado falou desta “parceria virtuosa” entre a administração central e a administração local tendo em conta “a criação de um serviço de proximidade para os cidadãos de Loulé e também a sede do ACES Central, uma componente importante para os equipamentos de saúde na região e que tem a ver com a centralidade que Loulé representa na região”.

O presidente da Câmara Municipal de Loulé, Vítor Aleixo, sublinhou o facto de tratar-se de “mais um passo na construção de uma Unidade de Saúde Familiar que tardava” mas aproveitou esta oportunidade para dar nota de algumas das necessidades em termos dos serviços prestados no Concelho em termos de saúde pública.

“Temos uma situação muito crítica, os cuidados de saúde são prestados em condições que se degradaram muito nos últimos anos, há défices a vários níveis”, referiu o autarca para quem a falta de médicos é uma das questões mais pertinentes. Dos utentes inscritos nas estruturas de prestação de saúde no Concelho, apenas 54% têm médico de família. Por outro lado, durante os últimos dias, a extensão de Benafim, uma aldeia do interior com uma população maioritariamente idosa, tem funcionado sem médico. Situação que será solucionada com a admissão de um médico nos próximos dias, segundo o Secretário de Estado.

Vítor Aleixo relembrou as manifestações públicas realizadas em Loulé de insatisfação para com a falta de médicos e ameaça de encerramento de estruturas de saúde, mas também a falta de enfermeiros, de pessoal administrativo e de materiais.

Este protocolo é para o autarca “um sinal da administração, em muitos anos, de que esse desinvestimento na saúde pública na região possa ser estancado e que possamos dar um sinal de esperança aos cidadãos”.

Relativamente ao memorando de entendimento, Vítor Aleixo manifestou o desejo que esta empreitada tenha um desenvolvimento rápido para resolver o problema das instalações deficitárias atualmente existentes e, por outro lado, que a cidade de Quarteira possa igualmente beneficiar da construção de uma Unidade de Saúde Familiar, até porque essa é também uma prioridade para as políticas de saúde na região.

Perante a presença do novo presidente do INEM nesta cerimónia, o edil disse que a Câmara Municipal está disponível para que as instalações deste serviço de socorro e emergência médica possam ficar em Loulé dada a sua centralidade, até porque esta foi uma matéria que já esteve em cima da mesa.

Por último, Vítor Aleixo voltou a abordar a construção do Hospital Central do Algarve como uma das grandes necessidades para os algarvios. “A crise impõe restrições mas os algarvios gostariam de não deixar cair esta bandeira. Temos de encontrar a altura própria para reiniciar esse processo”, concluiu.

Em resposta ao autarca, o Secretário de Estado disse que o Ministério está “muito atento à evolução das condições e dos equipamentos de saúde no Algarve e a fazer os esforços para arranjar soluções para a falta de médicos e de enfermeiros”.

Relativamente aos cuidados primários, este responsável anunciou que a partir de julho o Algarve irá receber mais 30 médicos de medicina geral e familiar que estão a sair da sua formação. Esses médicos serão distribuídos de forma “equitativa e proporcional às necessidades”, sendo que é no Barlavento e no ACES Central onde existem as maiores carências.

Relativamente aos enfermeiros, este responsável adiantou que o Ministério irá abrir “formas excecionais de admissão” de enfermeiros como também de médicos especialistas para o Centro Hospitalar do Algarve, tendo em conta as necessidades prementes em várias especialidades.

Finalmente, Manuel Delgado anunciou ainda que já este ano será criada uma unidade para doentes com problemas de saúde mental em cada ACES do Algarve.

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