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Strauss, Schumann e Schubert no Ciclo “Loulé Clásico” | 9 de dezembro

A terceira edição do Ciclo “Loulé Clássico”, promovido pela Orquestra Clássica do Sul e Câmara Municipal de Loulé, chega ao fim esta sexta-feira, 9 de dezembro, pelas 21h30, com um concerto no Cine-Teatro Louletano dedicado a três grandes compositores do século XIX: Strauss, Schumann e Schubert.

Dirigido pelo Maestro Titular Rui Pinheiro, o espetáculo conta como solista com a participação de Paulo Guerreiro (trompa), num ano em que o “Loulé Clássico” é dedicado tematicamente aos Grandes Concertos Românticos.

O crescimento da importância do virtuose no século XIX deu origem a uma procura de obras que lhe fornecessem o cenário impressionante da orquestra sinfónica. O concerto em que se destacava o solista tornou-se uma parte indispensável do programa sinfónico, juntamente com as sinfonias, aberturas, suites e poemas sinfónicos. Em geral, o concerto romântico seguiu a estrutura do concerto clássico tal como foi estabelecido por Mozart: uma obra em três andamentos, o primeiro allegro em forma sonata, ofuscando em importância o andamento lento e o final.

Nestes concertos, em que se revisitam grandes compositores (dos mais aos menos conhecidos do grande público), destaca-se também o espaço “À Conversa com…”, que decorre no período que antecede o espetáculo, no qual o público terá a oportunidade de conviver com o maestro ou o solista.

As entradas têm um custo associado de 8 euros.

Sobre o concerto

A Abertura teria sido inicialmente concebida como uma peça independente tendo Schumann apenas sentido necessidade de incluir o Scherzo e o Finale após a orquestração. De facto, o compositor não chega a atribuir um título adequado aos três andamentos pois encontramos de vez em quando nos documentos as expressões ‘Suite’ e ‘Sinfoneta’, mas nenhuma destas designações chega a vir a público. A peça também aparece ocasionalmente designada como ‘sinfonia’, mas podemos assumir que Schumann nunca atribuiu um verdadeiro estatuto sinfónico ao seu Op. 52. Contudo, e de forma inevitável, o público e os críticos inicialmente compararam Op. 52 com a popular Sinfonia Nº 1 em Si bemol Maior, Op.38  – por vezes de forma desvantajosa, uma vez que Op. 52 em termos de força e de desenvolvimento de ideias é inferior às sinfonias. Schumann também chama a atenção, numa carta datada de 20 de Outubro de 1847, para a necessidade de orquestras de diferentes tamanhos: «As Sinfonias precisam de uma grande orquestra (pelo menos oito primeiros violinos); a Abertura, Scherzo e Finale são mais leves».

Richard Strauss tinha apenas 18 anos e ainda estava a desenvolver o seu próprio estilo, quando completou o seu primeiro concerto para trompa, em 1883. Escreveu para o seu pai, trompista profissional, mas este achou a obra muito difícil. Os solistas de hoje, ironicamente, consideram esta peça para trompa mais fácil que as que escreveu no extremo oposto da sua vida.

Schumann é a influência dominante nesta obra. Após a abertura, a trompa oferece um segundo tema muito mais lírico. O solista assume a liderança através da seção de desenvolvimento, e a orquestra simplesmente vai sublinhando a parte do solo e fornecendo curtas pontes de passagens, incluindo uma que leva suavemente em linha reta ao segundo andamento. Este Andante é uma balada muito lírica para a trompa sobre um acompanhamento orquestral rudimentar, construído a partir de uma figura de quatro notas simples e extremamente repetitivas. No meio, a trompa assume um tema mais extrovertido, sobre um trinado dos sopros; a inspiração agora parece ser de árias de ópera francesa.

O finale é um rondo rápido caracterizado por um tema principal para trompa, que dá lugar a um material mais amplo, mas ainda urgente. Os compassos finais exigem controlo preciso e um toque extremamente leve, como se Strauss estavam a transformar-se em Mendelssohn nas últimas palavras.

Concluída em Outubro de 1816, a “Sinfonia Nº 5” de Schubert – cuja primeira audição teve lugar em Viena, a 17 de Outubro de 1841, sob a direção de Michael Leitermeyer – regressa a um efetivo orquestral modesto (sem trompetes, clarinetes e timbales). Ela regressa, sobretudo, a um ideal que tende a aproximar-se de Mozart: simplicidade e rigor da forma, moderação clássica ao nível da expressão, riqueza melódica. A penúltima das sinfonias de juventude de Schubert é, efetivamente, uma obra-prima.

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