Lagos

Estreia promissora dos Barco do Diabo com “O Sul de José Afonso” em Lagos

O Centro Cultural de Lagos esgotou ontem à noite (23 de fevereiro) com o espetáculo “O Sul de José Afonso”, na estreia do novo grupo Barco do Diabo.

No dia em que se pretendeu assinalar, de um modo original, diferenciador e com um cariz declaradamente interdisciplinar, os 30 anos sobre o falecimento de José Afonso e a sua relação afetiva, simbólica e musical com o sul, nomeadamente com o Algarve, o espetáculo “O Sul de José Afonso” é uma abordagem inédita à sua obra, com novos conteúdos, arranjos musicais e muitas curiosidades biográficas.

O grupo Barco do Diabo integra o cantor e músico Luís Manuel Galrito, de Fronteira a residir em Loulé, o cantor e músico João Afonso, sobrinho de José Afonso a residir em Lisboa, o músico Rogério Pires, da Guarda, Sónia Pereira, de Olhão, na leitura de textos sobre a passagem de José Afonso no Algarve, o músico Paulo Machado, de São Brás de Alportel e João Espada, de Quarteira, responsável pela produção e audiovisuais.

Foram assim assinalados da melhor maneira os 30 anos da morte do José Afonso com um espetáculo que pretendeu ilustrar a importância que o Sul teve na sua vida e na sua obra.

No final da atuação, a assistência (entre a qual a presidente da Câmara Municipal de Lagos, Joaquina Matos) pediu um encore, tendo o grupo regressado ao palco para interpretar mais dois temas, regressando aos bastidores.

Não satisfeito, o público começou então a entoar em coro “Grândola Vila Morena”, de José Afonso, pelo que os seis elementos dos Barco do Diabo regressaram mais uma vez ao palco para todos juntos entoarem esse que se viria a tornar o Hino contra a Troika.

Em declarações ao PlanetAlgarve, João Espada disse que “a ideia partiu do Paulo Pires que me convidou para a produção e convidou os restantes elementos do grupo”.

A ideia do nome do grupo, Barco do Diabo, “tem origem num barco que o poeta António Barahona, amigo de José Afonso, tinha em Faro. Eles e outros amigos recuperaram esse barco e costumavam ir nele até à Ilha de Faro e à Ilha da Armona. A bordo, era uma verdadeira festa e os pescadores começaram a chamar-lhe o «barco do Diabo». Daí termos apelidado o grupo com esse nome”, revela João Espada.

Ainda segundo João Espada, “o grupo nasceu em finais de setembro e o primeiro ensaio foi no início de janeiro. Os primeiros ensaios foram na minha casa. Como somos de várias regiões do país, tem sido muito difícil conseguirmos reunir-nos todos mas lá conseguimos e este espetáculo de apresentação é o resultado desse trabalho”.

A terminar, João Espada deixa agradecimentos: “Ver a sala cheia e a forma como fomos tão bem recebidos, posso dizer que valeu mesmo muito o esforço físico e mental para estar presente. A todos, ao Centro Cultural de Lagos, à equipa técnica, à presidente da CM Lagos, aos nossos amigos Jorge Guerreiro e Jorge Matos Dias, de Quarteira e Ana Grácio, de Albufeira, que vieram de tão longe para nos ver e naturalmente ao púbico que tão bem nos recebeu o meu muito obrigado”.

Trata-se de um concerto intimista e envolvente, com forte carga visual, que aposta na tríade música-palavra-imagem que irá percorrer outras localidades do Algarve e do Alentejo, estando já agendado um espetáculo para o Cine-Teatro Louletano e outro em Quarteira, cujos pormenores aqui daremos em breve.

Por: Jorge Matos Dias / PlanetAlgarve

Categorias:Lagos

2 replies »