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Destruição do Litoral do Algarve – 2.ª fase em marcha já em Vila Real de Santo António

Com o aparente abrandamento da crise económica, as nuvens negras dos interesses especulativos voltam a pairar sobre o Algarve. A Associação Almargem receia que um novo e epidémico surto de destruição e ocupação de zonas costeiras ou interiores esteja à beira de eclodir, pelo que pretende alertar a opinião pública para esse facto, começando pelo litoral do concelho de Vila Real de Santo António.

Zona Norte

Para a frente ribeirinha norte da cidade de Vila Real de Santo António, entre a Avenida da República e o rio Guadiana, está prevista a ocupação do espaço, até agora detido pela Docapesca, por um empreendimento turístico de contornos ainda pouco conhecidos, o qual incluiria várias unidades hoteleiras e até um cais para iates. Iria ocupar uma faixa entre o actual Porto de Pesca e a antiga estação de caminhos de ferro, numa extensão de cerca de 500 metros. Do outro lado da avenida, permanecem vários armazéns e antigas fábricas de conservas abandonadas, cuja área está também disponibilizada para construção (Plano de Pormenor do Cemitério), a qual até seria aceitável se fosse de dimensões e arquitectura adequadas, embora estejam previstos edifícios com pelo menos 8 pisos.

Porto de Recreio

Actualmente com 360 postos de amarração, está prevista a ampliação do Porto de Recreio de Vila Real de Santo António para mais 200 lugares.

Esta expansão seria totalmente realizada frente ao Jardim Sul da Avenida da República, cujas belas panorâmicas hoje abrangem apenas o rio Guadiana e a sua margem espanhola, as quais seriam assim substituídas por uma barreira visual de barcos de recreio. Por outro lado, o próprio Jardim Sul seria parcialmente destruído para dar lugar a mais espaço de estacionamento e  estabelecimentos de restauração de apoio ao porto de recreio.

Zona Sul

Na zona a sul da Rotunda dos Atuns, hoje essencialmente ocupada por armazéns em grande parte abandonados e por instalações de construção e manutenção naval, está previsto o Empreendimento Turístico do Passeio de Santo António, abrangendo a construção de 3 hotéis, de volumetria desconhecida.

Ponta da Areia

Há muitos anos que se prevê aqui a construção de uma Marina com hotéis, apartamentos e campo de golfe, projecto que permanece pouco claro mas sempre omnipresente. Iria ocupar uns 100 hectares de terreno, incluindo uma faixa da Mata Nacional e a zona húmida existente na Ponta da Areia, sistematicamente ignorada e abandonada ao longo dos anos, justamente para não se tornar um obstáculo ao avanço deste projecto. Cerca de 40% da frente marítima da Praia de Santo António e da Mata de Monte Gordo seriam gravemente afectados.

Monte Gordo Nascente

Prevê-se a construção de alguns empreendimentos turísticos na zona fronteira aos hotéis Vasco da Gama e Dunas Mar, pelo menos um deles ocupando previsivelmente uma parte dos terrenos hoje integrados no Parque de Campismo.

Praia de Monte Gordo

A reabilitação em curso tem alguma justificação, sobretudo no que respeita os aspectos de salubridade dos restaurantes e apoios de praia existentes. No entanto, o carácter tradicional destes equipamentos deveria ser mantido, ao invés de serem substituídos por edifícios de traça modernista com qualidade muito duvidosa, alguns dos quais nem sequer poderão ser assumidos pelos actuais proprietários devido aos custos inerentes às obras em causa. Pior ainda é o projecto de construção de um passadiço sobrelevado com 2 kms de extensão, uma autêntica aberração que vai introduzir uma nota dissonante e uma barreira visual para os banhistas e utentes dos apoios de praia.

Monte Gordo Poente

Este é talvez um dos pontos da pretensa requalificação do litoral do concelho de Vila Real de Santo António que tem merecido mais atenção mediática. O actual Plano de Pormenor de Monte Gordo Poente prevê a ocupação de dois espaços vazios na frente urbana da extremidade ocidental da Avenida Infante D. Henrique por edifícios de 9 pisos, um pouco na linha dos que já lá existem. Do outro lado da avenida apenas estão previstos a construção de um novo apoio de praia e a manutenção dos espaços desportivos e sociais actualmente existentes. No entanto, a Câmara Municipal vendeu há tempos precisamente nesta zona e por vários milhões de euros um lote com cerca de 0,8 hectares, ao grupo Hoti, para construção de um hotel de luxo com 4 pisos, no lugar onde hoje se situam um pequeno complexo desportivo a céu aberto e o bar da associação de mariscadores. A área em causa encontra-se integrada numa faixa de 7 hectares desafectada, em 2010, do Domínio Público, na altura com alegada intenção de construir apenas um parque de estacionamento e outros equipamentos sociais. Isto é, ao arrepio do que está previsto no PDM, no Plano de Pormenor e no próprio processo de intenções associado à alienação do Domínio Público, o Executivo Municipal quer agora permitir a construção de um hotel praticamente dentro da praia e em cima da área tradicionalmente utilizada pelos pescadores e mariscadores de Monte Gordo, em vez de utilizar para esse efeito espaços disponíveis na actual malha urbana. Daí a proposta de alteração do PDM que, em breve, irá ser apresentada, como forma de procurar limpar toda esta incrível ilegalidade, a qual já provocou a apresentação de uma providência cautelar por parte de residentes locais.

 

Associação Almargem

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