Loulé

Dia do Município de Loulé – Festa da Espiga, em Salir, assinala 50.ª edição | 25 a 27 de maio

A 25 de maio, Dia do Município de Loulé, Salir revive a sua principal tradição – a Festa da Espiga – que este ano assinala a sua 50.ª edição desde que, a 23 de maio de 1968, foi criada por José Viegas Gregório.

A Câmara Municipal de Loulé, em parceria com a Junta de Freguesia de Salir, propõe três dias de festa, com muita música, artesanato, desporto gastronomia, para além do emblemático desfile etnográfico.

O evento arranca no feriado municipal, pelas 9h00, com um Passeio de BTT e Passeio Pedestre “Trilhos da Espiga”, que irão permitir aliar a atividade física ao contacto com a natureza e as belas paisagens da freguesia.

As tasquinhas com manjares e petiscos serranos e a exposição de produtos regionais que por estes dias vão estar na principal artéria da vila abrem portas às 13h00.

O momento alto do programa acontece a partir das 15h00, com o desfile etnográfico em representação de toda a atividade agrícola e artesanal da freguesia, em parte que se encontra em vias de extinção, desde as sementeiras, mondas, ceifas, debulhas, fabricação de pão, apanha do medronho e destilação, apicultura e extração de cortiça, o varejo do figo, amêndoa e alfarroba, artesanato de linho, lã, palma, esparto, cestaria de verga. Os participantes irão trabalhar “ao vivo e a cores”, ao mesmo tempo que poetas populares irão declamar os seus poemas feitos de improviso, com mensagens dirigidas aos responsáveis municipais, em jeito de pedido para determinadas intervenções na freguesia.

O Rancho Folclórico “As Mondadeiras das Barrosas” e o Grupo Etnográfico da Serra do Caldeirão (Cortelha) juntam-se ao desfile, com uma atuação a partir das 18h30.

A música dos Artesãos da Música, o baile tradicional com Fábio Lagarto e a atuação do artista Emanuel irão animar a noite salirense.

No segundo dia de festejos, 26 de maio, a tarde é dedicada aos idosos, com uma Tarde Sénior, com baile tradicional e lanche, atuação do grupo de teatro juvenil Espaço K com a peça “Em alerta para não lhe acontecer” e a atuação do acordeonista Francisco Saboia.

O desfile etnográfico irá realizar-se neste dia numa versão noturna, que acontece a partir das 20h00. A partir das 22h30, a jovem fadista Raquel Tavares sobe ao palco para um concerto onde vão estar também fadistas locais – André Catarino, Filipa Nobre, Miguel Camões Martins e Beatriz Cavaco. Gonçalo Tardão anima o baile tradicional a partir da meia-noite.

No encerramento da 50.ª edição da Festa da Espiga, a 27 de maio, o dia será dedicado sobretudo aos mais novos. A partir das 14h00, decorrem atividades para as crianças: II Torneio de Futebol “Os Espiguinhas”, Tarde das Espiguinhas (animação e muitas surpresas), jogos infantis, lanche infantil e desfile “Miss e Mister Espiguinha”.

A partir das 18h30, o músico Afonso Dias vai animar o ambiente. E às 22h00, Sam Alone&The Gravediggers dão um concerto que irá anteceder o espetáculo final com os Blasted Mechanism, a partir das 23h30. Já depois da meia-noite, o Le DJ Solitaire faz as despedidas da Festa da Espiga.

Refira-se que todas as iniciativas têm entrada livre.

José Viegas Gregório, o mentor da Festa da Espiga

Segundo o calendário litúrgico, na Quinta-Feira da Ascensão comemora-se a ascensão de Jesus Cristo ao Céu, encerrando um ciclo de quarenta dias após a Páscoa. Mas neste dia celebra-se igualmente o Dia da Espiga ou Quinta-Feira da Espiga. Sobretudo no Sul do País é tradição as pessoas irem para os campos apanhar a espiga de trigo e outras flores silvestres, fazendo ramos simbólicos da fecundidade da terra e da alegria de viver; algumas espigas, geralmente de trigo, simbolizam a abundância, as papoilas, rosas, margaridas e malmequeres a beleza e o ramo de oliveira a paz. Este ramo, em número de combinações variáveis conforme as localidades, pendura-se dentro de casa e aí se conserva durante um ano, até ser substituído pela “espiga” do ano seguinte.

Salir, uma das mais típicas freguesias rurais do Concelho de Loulé, faz da Festa da Espiga um dos principais cartazes turísticos e etnográficos da região algarvia.

A Festa Espiga em Salir teve início no dia 23 de maio de 1968, organizada pela Junta de Freguesia, mais propriamente pelo presidente de então, José Viegas Gregório, figura carismática e um grande impulsionador da sua terra natal. O sucesso da primeira edição, à qual presidiram o Governador Civil de Faro, Romão Duarte, e o presidente da Câmara Municipal de Loulé da altura, Eduardo Pinto, ultrapassou todas as expectativas da organização.

Desde então, Salir tem feito do Dia da Espiga um grande acontecimento regional, recebendo milhares de forasteiros que aqui se deslocam para apreciar o artesanato, a gastronomia, o folclore, a etnografia, a poesia e tudo o que há de mais genuíno no interior rural do Algarve. A importância que este evento alcançou como cartaz turístico do interior algarvio foi tal que a Câmara Municipal de Loulé mudou para este dia o seu feriado municipal.

Em Salir o Dia da Espiga, que de certa forma marca o início da época das colheitas, assume uma importância especial, uma vez que se aproveita esta data para levar até ao grande público as manifestações tradicionais mais características desta freguesia rural. Os intervenientes neste espetáculo ímpar no país preparam com certa antecedência os seus carros e durante o desfile vão oferecendo alguns dos produtos que transportam.

O cortejo etnográfico que desfila ao longo da principal rua da vila representa toda a atividade agrícola e artesanal da freguesia, em parte que se encontra em vias de extinção, desde as sementeiras, mondas, ceifas, debulhas, fabricação de pão, apanha do medronho e destilação, apicultura e extração de cortiça, o varejo do figo, amêndoa e alfarroba, artesanato de linho, lã, palma, esparto, cestaria de verga.

Para além disso há ainda a exibição de poetas populares declamando os seus poemas feitos de improviso e uma vasta exposição de maquinaria agrícola das diversas marcas existentes no mercado.

Uma das particularidades da Festa da Espiga é que a população tem ainda a possibilidade de deixar uma mensagem, em forma de poema ou quadra preparada ou apenas de improviso, às entidades governativas presentes, para pedir ou agradecer as obras feitas na terra. Aliás, os executivos da Câmara Municipal de Loulé aproveitam este dia para inaugurar uma estrada, uma escola, uma obra de saneamento básico ou um equipamento de carácter social, contribuindo assim para abrilhantar ainda mais as festividades. Mas quando essas obras não se concretizam, as críticas em tom de brincadeira são lançadas aos responsáveis governativos do município e da região.

 

Categorias:Loulé, AGENDA