Quarteira

Antigos combatentes de Quarteira em convívio de recordações

Numa iniciativa de Filipe Viegas, decorreu hoje, no Restaurante O Farnel, em Quarteira, um almoço de convívio de antigos combatentes nas antigas Guerras do Ultramar, tendo reunido 24 camaradas de armas: Jaime Correia; Manuel Possolo Viegas; Manuel Rossas; Marceliano Alambre; Amílcar Rita; Manuel André; Luís Zacarias; Cândido Pacheco; Américo André; Joaquim Rosa; Frankelim; Filipe Viegas; Zé  Gonzaga Vairinhos; Julião  Rosa; Horácio Salvador; Zeca Encarnação; José Batista Cabrita; Ilídio Jacinto; Manuel Cavaco; Joaquim Coelho; Luís Pinto; Valeriano Cabrita; José de Brito.

Segundo Filipe Viegas, “este encontro serve para recordarmos os bons e os maus momentos que passámos naquelas terras desconhecidas. Naquela altura, quando alguém era mobilizado para ir para o Ultramar, havia lágrimas, choro, sentimento dos nossos familiares e amigos na hora da partida porque não se sabia se voltaríamos ou não. Nós que estamos aqui, graças a Deus, voltámos. Uns de uma maneira, outros de outra, uns foram lá feridos. Esse regresso é recordado hoje, aqui, neste almoço de recordações, umas boas, outras menos boas, mas todas sentimentais. Cada um de nós passou por alguns acidentes de colegas e amigos nossos que lá faleceram, pertencentes aos nossos batalhões ou às nossas companhias. Quem passou por essas situações sentiu o coração apertar-se, aquele desgosto de vermos mais um colega, mais um amigo partir sem saber porquê. Fomos para aquela guerra, que era mais uma guerrilha, em terras desconhecidas, onde o inimigo nos esperava naquelas picadas, naquelas veredas, naqueles trilhos que eles bem conheciam. Também por isso tivemos muita sorte em regressarmos vivos. Nos sítios por onde andámos, eles também tinham pouca experiência. Quando rebentou a guerra em Angola, já estavam bem mais preparados e melhor equipados com G3 e tanques de guerra, com armamento bem mais sofisticado. Portanto, o importante aqui é cada um recordar o que lá passou neste convívio de 24 colegas e amigos, a maior parte dos quais somos desprezados, até às vezes em termos familiares. Nem lhes passa pela cabeça aquilo que fomos e aquilo por que passámos. Fomos jovens atores de uma guerra, confrontados com situações que, oxalá que não, os novos nunca irão enfrentar. Não fazem ideia daquilo que os pais tios e avós passaram naquelas guerras. A vida é assim e irá continuar assim porque está feita desta maneira”, pedindo “um minuto de silêncio por todos aqueles queridos amigos soldados que por lá ficaram”.

A terminar, Filipe Viegas declamou um poema de sua autoria feita para assinalar a ocasião:

“É nestes dias que recordamos os bons e maus bocados

Que lá passámos naquelas terras desconhecidas

Recordamos com saudade aquela grande irmandade

Onde muitos perderam as vidas”

Após o almoço, houve música ao vivo com Luís Pinto e fados com José de Brito e Zé Gonzaga Vairinhos.

Por: Jorge Matos Dias / PlanetAlgarve

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