Algarve

Almargem: «Abacates não, pomar de sequeiro sim!»

Numa das últimas notas de imprensa da Associação Almargem foi contestada a posição da Direção Regional de Agricultura do Algarve relativamente à crescente substituição de zonas de pomares de sequeiro tradicionais por cultivos intensivos, nomeadamente de abacateiros.

Em recente entrevista ao jornal O Barlavento, o Diretor Regional de Agricultura, Fernando Severino, afirma que “temos de mexer no pomar tradicional e há espaço para tudo (…) as alfarrobeiras são arrancadas para dar lugar a outras culturas, quer seja abacate, quer seja citrinos”.

O contexto da entrevista tinha a ver com a propriedade de 76 hectares da empresa CITAGO, numa área a oriente do Barão de S. João, onde há três anos foram arrasados sobreiros e outras espécies autóctones, para aí instalar a “maior plantação de abacates da Europa”. Circunstância que, a ser verdade, o será certamente por muito pouco tempo, tendo em conta a febre causada por este novo “ouro verde” a nível mundial, que até já provocou a entrada no negócio dos cartéis de droga latino-americanos.

Alguns dos residentes locais queixaram-se à GNR-SEPNA que, de forma competente, como é hábito, atuou em conformidade e possibilitou o avanço de um processo relativo ao abate de sobreiros mas que, alegadamente, resultou apenas numa reduzida coima à empresa.

Atualmente a CITAGO está empenhada em ampliar a plantação de abacates para mais 50 hectares, igualmente ocupados por espécies autóctones, atingindo as vizinhanças do campo de golfe de Espiche, cujo lema central afirma estar “inserido na natureza intacta do local”.

A natureza “intacta” não inclui certamente herbicidas como o perigoso glifosato (neste caso da marca Montana Sapec) e diversos insecticidas utilizados pela CITAGO que, nos últimos anos, provocaram uma baixa significativa de insectos e aves em toda a região, nomeadamente borboletas e andorinhas. Para além, como é óbvio, do aumento do consumo de água armazenada nos aquíferos subterrâneos.

A Associação Almargem lamenta a irresponsabilidade da Direção Regional de Agricultura, ao permitir a destruição da paisagem mediterrânica tradicional do Algarve, estando neste momento a preparar uma queixa à UNESCO no contexto da integração do Algarve na área classificada como património cultural da humanidade da Dieta Mediterrânica.

Associação Almargem

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