Opinião

Celebrar o Dia Mundial do Médico de Família para ganhar a Prevenção

19 de Maio, Dia Mundial do Médico de Família

O contributo do especialista de MGF para a prevenção do AVC

Artigo de Opinião da Autoria do Dr. Rui Cernadas

Médico especialista em Medicina Geral e Familiar

Membro da Comissão Científica da SPAVC

Dr. Rui Cernadas

Julgo que desde 2010 que, aquando da realização em Cancun (México) do Congresso Mundial da WONCA (Organização Mundial de Médicos de Família), se passou a celebrar a 19 de maio o Dia Mundial do Médico de Família.

A formação e vocação comunitárias permitiu a estes médicos, um pouco por todo o lado, uma inserção fácil junto dos indivíduos, das famílias e das comunidades locais, num padrão de acessibilidade e proximidade que os transformou, também em Portugal e no Serviço Nacional de Saúde (SNS), naquilo que parece uma enumeração de um qualquer dicionário: Guardião, porteiro, farol, pivot, referenciador, primeira linha, sinaleiro, sinalizador, “tapa-buracos”, “médico da caixa”, enfim um rol infindável de cognomes próprios de reis sem trono, nem poder.

Mas é verdade que, a sua distribuição progressivamente mais alargada, ainda que não bem dimensionada em função das necessidades do país e das suas capacidades reais de prestação assistencial, produziu ou contribuiu, no mínimo, para uma maior igualdade no direito constitucional à saúde.

Houve um nome que nunca me chamaram e que, para vos ser franco, desejaria que os vários Ministros da Saúde que “servi” me tivessem dirigido: prevencionista!

O papel dos médicos de família, até pela sua posição na estratégia da formação das listas de utentes, deveriam reunir condições adequadas à prevenção da doença e à promoção da saúde, obviamente em articulação clara, contínua e continuada com os outros níveis assistenciais.

Nenhum médico de família poderá ser “especialista” na infindável vastidão do conhecimento médico e das patologias que, com naturalidade, não poderá nem dominar, nem aprofundar.

Mas a necessidade de assumir uma actividade clínica mais prevencionista do que curativa, não encontrou infelizmente carinho nem apoio, nem estímulo, nem ajuda.

É por isso que, o meu apelo, dirigido aos colegas médicos de família é claro e único. Esqueçam as ingratidões e as omissões de quem pode. Sublinhem o que há de melhor entre nós – médicos e os nossos utentes e doentes – a confiança! As doenças crónicas são um paradigma que não podemos escamotear e que, de resto, num contexto de envelhecimento acentuado, vão pôr em causa a sustentabilidade do SNS.

Mas em Portugal e o acidente vascular cerebral (AVC)?

A prevenção primária radica em conhecer e rastrear condições que aumentem a probabilidade ou o risco da ocorrência de determinada doença ou situação clínica.

Assim, conseguiremos evitar o AVC, primeira causa de mortalidade e incapacidade permanente no nosso país, fazendo a prevenção primária. Diagnosticar precocemente, tratar e/ou referenciar bem e depressa os quadros de hipertensão arterial, controlar a obesidade e a diabetes, detectar as estenoses carotídeas ou a fibrilação auricular…

Pensar e lutar contra os factores de risco modificáveis de AVC, como por exemplo, hipertensão arterial, o tabagismo, a diabetes mellitus, o sedentarismo e a hipercolesterolemia.

E pugnar por uma boa adesão terapêutica, estimulando e motivando os doentes para os sucessos, a obtenção das metas colocadas, o ganhar dos desafios lançados.

Comemorar o Dia Mundial do Médico de Família só poderá ter um sentido e um significado: Ganhar a Prevenção!

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