Loulé

“Lá Fora” de Pedro Mexia recebe Grande Prémio Literário promovido pela Autarquia de Loulé e Associação Portuguesa de Escritores

Pedro Mexia recebeu, esta quinta-feira, das mãos do presidente da Câmara Municipal de Loulé, Vítor Aleixo, e do presidente da Associação Portuguesa de Escritores, José Manuel Mendes, o Grande Prémio Literário Crónicas e Dispersos Literários CML/APE, pela sua obra “Lá Fora”.

“Um livro bem estruturado, não uma antologia aleatória. Um livro sobre o espaço que não é um livro de viagens mas é um livro de viagens com livros, já que não são tanto os locais que contam mas o que deles imaginamos, mesmo quando o tempo os tornou irreconhecíveis”, referiu o autor distinguido. Trata-se de uma obra onde estão reunidas as várias crónicas publicadas, especialmente no semanário Expresso mas também noutros espaços em que Pedro Mexia colabora, no período de 2007 a 2017.

O premiado falou da crónica (jornalística) enquanto género literário marcado pela sua periodicidade regular, a qual despertou nele o “fascínio pelos jornais”, fruto também da leitura dos “autores clássicos e contemporâneos” como Miguel Esteves Cardoso, Manuel António Pina, Agustina Bessa-Luís, Vasco Pulido Valente, José Cutileiro, Abel Barros Baptista ou José Bénard da Costa.

Pedro Mexia, que também tem obra publicada noutras vertentes da Literatura como é o caso da poesia, salientou as principais virtudes da crónica “enquanto grande disciplina por causa dos constrangimentos de espaço e tempo e por não estar sujeita aos caprichos agudos da inspiração”. E, por outro lado, enquanto género que “nos ensina a escrever melhor, a estarmos atentos aos nossos defeitos, às formulações genéricas, às imagens gastas, às repetições não intencionais, ao estilo sentencioso, ao advérbio infeliz, ao adjetivo que o substantivo não necessita”, explicou.

Visivelmente emocionado com esta distinção, Pedro Mexia registou ainda uma particularidade deste género pelo qual foi distinguido: a aproximação dos leitores, nomeadamente através das mensagens deixadas sobre os seus textos.

O responsável da Associação Portuguesa de Escritores, José Manuel Mendes, falou do vencedor desta edição do Grande Prémio Literário como “não apenas um nome maior da sua geração mas alguém que, nos diferentes domínios que cultiva, já há muito merecia ter sido distinguido com prémios desta natureza, na poesia mas também na diarística”.

O presidente da APE sublinhou ainda “a qualidade, o carácter marcadamente pessoal, o que há de inclusividade, de ecumenismo, e um poder imenso de contágio nas crónicas de Pedro Mexia”, bem como o seu “contributo para uma nova afirmação da grandeza da Literatura em Portugal”.

Refira-se que este prémio nasceu há quatro anos, no âmbito do protocolo celebrado entre a Câmara Municipal de Loulé e a Associação Portuguesa de Escritores, com o objetivo de “ dar vigor, no plano das instituições culturais, a uma produção crescente e de afirmada qualidade, na crónica, como em alguns textos dificilmente qualificáveis mas que se enquadram naquilo a que habitualmente chamamos os ‘dispersos literários’”.

Considerado hoje como um dos maiores prémios do género no contexto nacional, José Manuel Mendes frisou que o mesmo continuará a ser uma referência, com o vigor que tem tido desde a sua génese.

Já Carina Infante do Carmo que, em conjunto com Isabel Cristina Rodrigues e Liberto Cruz, enquanto elementos do júri, escolheram por unanimidade “Lá Fora” como a obra vencedora em 2019, sublinhou no trabalho de Pedro Mexia “o domínio exímio da forma breve da crónica, a plasticidade desta forma nas mãos do autor que faz das crónicas nota autobiográfica, poética, crítica, e ainda a cosmovisão do livro, enquanto memória nostálgica dos lugares”. Refira-se que o autor vencedor foi contemplado com um prémio pecuniário de 12 mil euros, e passará a figurar na galeria dos vencedores deste Grande Prémio, ao lado de José Tolentino de Mendonça, Rui Cardoso Martins e Mário Cláudio.

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