Quarteira

QUARTEIRA | Apenas 4 corajosos reviveram este ano a tradição do Banho Santo de S. João

Ontem à noite (23 de junho), depois do desfile de S. João das Marchas Populares de Quarteira, foi uma vez mais revivida a tradição do “Banho Santo de S. João”, num desafio lançado há já alguns anos pelo Cantinho da Amizade. Devido ao muito frio para a época, este verão estranho fez com que apenas 4 corajosos tivessem decidido aventurar-se nas águas gélidas do oceano Atlântico mas, à cautela, apenas até aos joelhos.

A ‘aventura’ foi protagonizada por Maria Bernardo, do Cantinho da Amizade, Nelson Horta, apresentador dos Santos Populares de Quarteira, Noélia Pinto, da Academia do Saber – Quarteira e Hermínia.

De referir que o Cantinho da Amizade está integrado na APROMAR, associação responsável pela promoção das Marchas Populares de Quarteira.

O “Banho Santo de S. João” no Algarve

Em anos idos, 29 de junho era o dia em que as gentes oriundas da serra algarvia se deslocavam até à praia, acompanhadas dos seus animais de carga, para “dar banho”.

Em Quarteira, a tradição tem sido recriada por elementos das marchas depois do desfile de S. João. Este ano, a iniciativa partiu do Cantinho da Amizade.

A tradição do “Banho Santo” é típica, não só na praia de Quarteira como em outras localidades do Algarve, como a praia da Manta Rota. Diz a tradição, que remonta ao século XIX, que a população da serra desce ao litoral para se “purificar” no mar.

Na praia da Manta Rota é denominado São João da Degola, por se realizar a 29 de agosto, dia em que, segundo a tradição católica, São João Baptista foi degolado. O “banho Santo” levava à praia da Manta Rota pessoas da serra algarvia, que passavam a noite nas imediações e, na manhã seguinte, banhavam-se no mar com os seus animais num ritual de “purificação”, revela a Associação “A Manta”, organizadora da iniciativa. Depois de mais de um século a realizar-se ininterruptamente, esta tradição foi interrompida por algumas dezenas de anos, até que a Associação “A Manta” a recuperou na viragem do século XX para o XXI, recriando a iniciativa que conta com a colaboração com a Câmara de Vila Real de Santo António.

Por: Jorge  Matos Dias / PlanetAlgarve

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