Quarteira

Comício do Bloco de Esquerda em Quarteira (com discurso integral de Maria Baião)

O Passeio Marítimo de Quarteira, vulgo Calçadão, acolheu na noite de segunda-feira, 22 de julho, o tradicional comício de verão do Bloco de Esquerda, com as intervenções de Catarina Martins, José Manuel Pureza, João Vasconcelos e Maria Baião.

Catarina Martins

A coordenadora bloquista começou por fazer referência aos incêndios no país. Catarina Martins salientou que “Portugal conhece bem de mais as consequências dos incêndios” e frisou: “E sabemos que quando olhamos para os incêndios estamos a olhar também para consequências políticas de décadas que não fomos ainda capazes de reparar”.

Décadas de “políticas de abandono do território”, de “falta de ordenamento florestal”, “de falta de serviços públicos”, criticou a coordenadora bloquista.

Abordando depois a evolução política nos últimos quatro anos, Catarina Martins afirmou: “Orgulhamo-nos de ter sido possível em quatro anos aumentar o salário mínimo nacional em 95 euros”, assinalando o aumento de pensões a 3,5 milhões de pensionistas, a descida do IRS, o início de um caminho de vinculação de trabalhadores precários, o apoio às famílias com mais abono ou com os manuais escolares gratuitos, a descida das propinas nas universidades a partir do próximo ano letivo e os passes sociais de transportes mais baratos.

A estrutura de Quarteira do Bloco de Esquerda foi representada por Maria Baião, que integra, como independente, a lista de candidatos pelo Algarve nas próximas eleições legislativas. Aqui fica o seu discurso integral:

Maria Baião

Boa noite Quarteira. Boa noite camaradas e companheiros da Assembleia Municipal de Loulé, Carlos José Martins e Rogério Rochinha. Boa noite turistas e residentes, amigos e amigas.

É com enorme satisfação que respondi afirmativamente ao pedido que me foi formulado por vários camaradas para integrar a lista de candidatos pelo Algarve nas próximas eleições legislativas.

Pesou nesta minha decisão o facto de fazer parte de uma lista encabeçada pelo camarada deputado João Vasconcelos pelo trabalho reconhecido que tem desenvolvido em prol do algarve, do país e das suas populações, daqueles que mais precisam.

Estou aqui na qualidade de independente pelo Bloco no Concelho de Loulé, Freguesia de Quarteira, Distrital de Faro.

Em primeiro lugar, gostaria de agradecer a presença esta noite aqui das nossas musas inspiradoras e líderes do BE, 2 guerreiras natas e indefetíveis, Catarina Martins e Mariana Mortágua:

Elas recolocam a mulher no centro da politica e da ação governativa. Defendem a igualdade de oportunidades, salário igual para trabalho igual e lutam permanentemente contra a corrupção, a indignidade, os mais fracos dos fracos. Nós precisamos de vós.

Bem vindo José Manuel Pureza, deputado na Assembleia da República. Bem vindo Jorge Costa, jornalista de formação e membro da mesa nacional do BE desde a sua fundação. Li os livros de que é co-autor com Francisco Louçã: Os donos de Portugal e os donos angolanos de Portugal. Mas tenho para mim que os donos são outros e pertencem todos ao clube de Bilderberg embora não apareçam no encontro e mandem testas de ferro, cuja vontade de se demarcar socialmente contrasta ferozmente com a sua total discrição, insegurança e ancestral sabedoria.

A propósito das carências do nosso concelho, elas não diferem muito das carências nacionais:

Estamos em 2019 e persiste uma resposta social muito tímida e inadequada por parte do Partido Socialista e da Câmara Municipal de Loulé a questões fundamentais para o Bloco de Esquerda, como o combate à pobreza, a precariedade no trabalho e as atividades sazonais; sensibilizando os empresários para as vantagens dos contratos permanentes verdadeiramente impactantes na vida comunitária; a habitação social ou habitação a preços e custos controlados é praticamente inexistente e afeta particularmente os jovens que pretendem autonomizar-se, os trabalhadores emigrantes que suportam a atividade turística sazonal e os idosos que são expulsos do seu alojamento habitual pela sangria do alojamento local. A inexistência de um regulamento, dois anos após a publicação da lei, impede qualquer controlo da concessão de licenças. Não são pesados os impactos ambientais e é perdido o sentimento de bairro e de pertença à comunidade.

Há imensa carência de equipamentos colecivos como creches, centros de dia, lares, salas de pré primário, ajuda psicológica aos sem abrigo e cidadãos com adições, ajuda aos portadores de deficiência, ou com mobilidade reduzida.

Até hoje, 22 de julho do ano da graça de 2019, há milhares de passeios sem rampa para deficientes, idosos, grávidas, famílias com crianças e isso também configura mobilidade; não são só a ridícula ciclovia, os quase inexistentes transportes públicos e a ausência de um terminal rodoviário em Quarteira com horários flexíveis e apropriados para dar resposta a quem trabalha por turnos, só para dar um exemplo.

As freguesias do interior, com a intervenção prevista no âmbito do PDM, deverão manter a população nos 26 a 29 habitantes por km², em alto contraste com Quarteira, que, como estância balnear que é, se apresenta com 571 habitantes por km².

O envelhecimento da população é outra enorme preocupação, com todas as exigências ao nível dos cuidados de saúde primários, mobilidade e transportes e comunicações.

Na pitoresca aldeia de Nave do Barão, freguesia de Salir, os residentes perdem a hora e a paciência em busca de locais com rede de telefone para os seus telemóveis e qualquer pedido de auxilio urgente pode tornar-se numa tragédia sem limites porque as operadoras não encontram rentabilidade no número de utilizadores para lá colocar antenas e a camara municipal não encontra votantes suficientes para lá colocar um simples amplificador de sinal em permanência. É uma vergonha.

Por tudo isto, o Bloco de Esquerda em Loulé se mobiliza. Muitas das conquistas deste concelho devem-se à ação continuada do nosso deputado á assembleia municipal, Carlos Martins, na casa na casa da democracia e do povo, cujo grupo de trabalho integro.

O PS, com o seu controle sobre os media (ou máquina de propaganda) e a sua esmagadora maioria, tem falta de criatividade mas poder de executar, pois está carregado de poder aquisitivo – várias dezenas de milhões de euros no banco – e não luta pela reconversão dos precários, pois não pressiona os empresários e, pelo contrário, em nome da criação de novos postos de trabalho, o que é uma ideia falsa, os beneficia em sede de IRC (derrama).

Precisamos de um centro de saúde que se compagine em estrutura, profissionais e horário com a crescente e ondulante população de Quarteira e Almancil

Precisamos urgentemente de estacionamentos verticais

Precisamos de creches – só a Fundação António Aleixo, financiada pela SS e pela CML tem cerca de 300 crianças em lista de espera. 300 famílias em estado de ansiedade.

Precisamos de habitação e não precisamos de mais hipermercados e grandes superfícies.

Precisamos de um novo porto de pesca e de uma nova doca, moderna, acessível e que nos reconcilie com os pescadores, que são a nossa tradição

Precisamos de preservar a nossa identidade e a nossa fauna e flora. O concelho já está dotado de magníficos campos de golfe e centrais de betão.

Precisamos de combater o abandono rural e tomar medidas para a geração jovem se interessar pelo barrocal e pela serra, preservando os valores ambientais e contribuindo com determinação para a redução, reutilização e reciclagem. Na água, no lixo, na poluição sonora e visual.

Estas são as nossas lutas locais. Obrigada por nos terem escutado. Nós não fomos talhados para desistir e não vamos desistir. Bem hajam.

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