Quarteira

QUARTEIRA | Mural “À Moda Quarteirense” já está concluído

Menau, Nuno Viegas, Naomi Guerreiro e Daniela Oliveira Guerreiro

Cumprindo o prazo inicialmente previsto, ficou concluído no dia 30 de setembro o mural “À Moda Quarteirense”, pelas mãos dos artistas plásticos Daniela Oliveira GuerreiroMenau Nuno Viegas. Uma iniciativa que não tem deixado ninguém indiferente e tem merecido,da comunidade quarteirense, os mais rasgados elogios e um sentimento de orgulho pelos jovens talentosos que esta terra vê nascer.

Uma iniciativa do movimento “Sou Quarteira” que pode ser apreciado por todos no Parque de Estacionamento da Rua Gago Coutinho, junto ao Centro Autárquico de Quarteira, com inauguração agendada para o dia 6 de outubro.

Naomi Guerreiro: «Quarteira tem artistas incríveis e um potencial gigante»

Naomi Guerreiro

Em declarações ao PlanetAlgarve, a produtora do projeto, Naomi Guerreiro, refere que “foi uma proposta que apresentámos à câmara, que já tinha intenção de fazer aqui um mural. Como o Movimento Sou Quarteira, para além do festival, tem outras atividades, pensaram em nós para criarmos este projeto e começou exatamente assim. Os nossos objetivos sempre foram que este movimento seja uma plataforma para expressar a arte e a criatividade que se faz na cidade. O objetivo passa por trabalhar com artistas locais, que faz todo o sentido, mas também trazermos outros do exterior, nacionais como internacionais, para poder haver esta mistura de pontos de vista que possa enriquecer a comunidade local. Na altura, tínhamos pensado no Menau, na Daniela e no Nuno, só que o Nuno, antes da pandemia, tinha muitos pedidos porque já está com uma ascensão internacional só que o covid trocou um pouco as voltas e ele acabou por poder vir. Então, representa aqui o nosso local mas com visibilidade mais externa e com experiência lá fora. Daqui resultou este mural de três artistas incríveis da cidade”. Por outro lado, “a Daniela também foi uma surpresa muito boa por ser mulher e fazer um trabalho incrível. Para a equipa do Sou Quarteira e para a comunidade está a ser uma descoberta muito bonita”.

Para além de produtora do projeto, Naomi Guerreiro é igualmente a presidente da Beyond, “a associação que está por trás do Sou Quarteira. É a nossa estrutura, a nossa base para trabalharmos na comunidade. Eu faço produção e temos o Miguel Mouska, o Dino D’Santiago e a Inês Oliveira que também estão na direção e na criação do projeto. Desta vez, estive aqui também com o Rúben Guerreiro a fazer produção”.

Naomi Guerreiro salienta que “este projeto Sou Quarteira surgiu da perceção da quantidade de jovens e outras pessoas que estavam a fazer feitos gigantes, inclusive nós fizemos um documentário, que ainda não saiu mas vai sair, sobre estes jovens e este trabalho incrível que está a ser feito e criámos o Sou Quarteira precisamente para ser uma plataforma para que se torne visível o que é realmente esta Quarteira, uma Quarteira que não acontece só sazonalmente, de verão, mas sim 365 dias por ano. Esta realidade já existe e o objetivo é dar-lhe uma maior visibilidade lá fora, para as pessoas terem uma visão diferente e conhecerem o que é realmente esta Quarteira do ano inteiro e para as pessoas cá dentro acreditarem que é possível fazer. No fundo, é só querer, mexer os cordelinhos e fazer andar para que as coisas aconteçam”.

Portanto, pressupõem-se que no Sou Quarteira cabe tudo. Naomi Guerreiro confirma: “Exatamente. Arte, Música, Teatro e outras vertentes. No fundo, estamos a falar de cultura e poderemos ampliar um pouco mais porque, no fundo, isto vai mexer com tudo, com a Economia e com tudo o que tem a ver com a vida das pessoas”, esclarecendo que se trata de um “projeto aberto. Ou seja, não nos focamos apenas na música ou na arte. É um projeto que se vai criando e é moldável. Como somos da cidade, há sempre alguém que conhece alguém e as vão acontecendo. O Miguel e a Inês estão em Londres e eu e o Dino estamos em Lisboa mas sempre com a ligação a Quarteira, sempre passando muito tempo cá e também conseguimos ter a visão de quem está fora, de quem foi para fora, em contacto com os vários projetos que existem lá fora e vemos um potencial gigante do que se pode fazer aqui. Estes murais acontecem em cidades por esse mundo fora. Já é uma coisa normal e nós temos tantas paredes boas e tantos artistas bons e espero que isto seja um ponto de partida para uma outra dimensão. Hoje em dia, as galerias são a céu aberto. As galerias fechadas já não têm tanta relevância”.

Quanto a projetos para o futuro, “fiquem atentos. Fizemos agora o disco À Moda Quarteirense, com 32 artistas da cidade e muito em breve iremos ter novidades em relação a esse disco”.

Nuno Viegas

Falando do seu mural, Nuno Viegas diz que, “geralmente, não falo muito sobre as minhas peças. Não sou muito específico, não gosto de limitar a leitura. Literalmente, aqui estão representadas as duas luvas. São duas luvas de latex que vêm da minha assinatura. Trabalho muito com elementos que trago do mundo do graffiti e as luvas de latex são desses momentos. Depois, temos o origami do barco de papel. Temos aqui um gesto como se as mãos estivessem a segurar uma bola de energia, a proteger o barco, numa relação energia-proteção sobre o barco de papel. O barco é claramente uma referência à cidade de Quarteira, à sua ligação marítima”.

Daniela Oliveira Guerreiro

Por seu turno, Daniela Oliveira Guerreiro sustenta que “esta obra é uma sensibilização para as pessoas, alertando para a necessidade de sermos cautelosos, termos cuidado com as ações que praticamos, principalmente numa cidade tão bonita como esta. Estamos numa era em que a poluição é enorme e temos que zelar mesmo pela nossa cidade. Estamos a poluir a nossa cidade mas também nós próprios estamos a ficar muito poluídos e, se não cuidarmos do nosso sítio, da nossa casa, também estaremos a ficar sujos”.

Menau

Menau sublinha que, com a sua obra, denominada Nova Quarteira, “basicamente, o que quis fazer foi homenagear a cidade de Quarteira em si e os artistas da cidade. Nesta obra, representei o Dino, que é um dos catalisadores da cultura em Quarteira. Nesta pintura, represento igualmente vários motivos da cidade, como a praia, o mar, o vento, o sol, em suma, a Natureza e, ao centro, um simbolismo de esperança e união. O tema em si é ‘Nova Quarteira’, ou seja, como seria esta Nova Quarteira, como seriam estes próximos anos com as apostas em que o Sou Quarteira investiu e promoveu e ver o que é que isto desenvolve, ver se as pessoas em si avançam ou assumem a obra daqui para a frente. Tem ali um cravo que pode sugerir o 25 de Abril, a Revolução ou o pós Revolução, como seria a nossa visão neste pós Revolução, quais são as nossas liberdades. Temos liberdades mas agora  temos máscaras que já condicionam um bocado a nossa liberdade nesta pandemia que estamos a viver. Uma liberdade condicionada. Portanto, esta obra questiona muitos pontos, a leitura penso que é explícita, muito fácil mas depois, cada um faz a sua leitura. Só assim a Arte faz sentido”.

“Nova Quarteira” é o título desta última obra que tive o prazer de realizar com bastante honra e orgulho na cidade que me viu nascer, Quarteira. Foi com um enorme gosto e responsabilidade que representei um irmão de infância nesta pintura, um dos mais talentosos portugueses da atualidade, Dino D’Santiago, músico de alma e coração que tantos inspira pelo mundo fora, não só pelas suas canções sublimes, como pela sua personalidade e forma de ser”.

Menau concretiza que o título “Nova Quarteira nasce de um dos singles do cantor, “Nova Lisboa”. Tal como a música representa um hino à esperança e à cultura nacional, assim vejo o Dino e assim o representei”.

Voltando ao cravo, Menau complementa: “É a cara da revolução cultural portuguesa… a luta continua e os cravos ainda se plantam por terras nacionais. Hoje, em que tanto se fala de racismo, desigualdade e de isolamento social, esta obra vem contra todos esses tópicos  mundiais. Paz, igualdade e união são as palavras mais declamadas para esta nova revolução! Basta de ouvidos ocos, comecemos a debater o “Como Seria”!”

A finalizar, Menau considera ter sido “um enorme prazer ter participado neste projeto  À Moda Quarteirense. O meu muito obrigado a toda a equipa incansável do Sou Quarteira por todas as atividades que tem vindo a fazer ao longo dos últimos anos na nossa cidade e pelo convite para este projeto”, deixando “um especial agradecimento a Naomi Guerreiro e Rúben Artt por todo o acompanhamento, como também ao meu mano Nuno Viegas e à Daniela Guerreiro pelas fantásticas obras que realizaram, sem esquecer o trabalho incansável dos homens por trás das câmaras, Iuri Policarpo e Rafael Duarte. O meu muito, muito obrigado a todos!”.

É desta forma, através da arte urbana, que o movimento Sou Quarteira pretende sensibilizar as novas gerações pelas visões de Daniela Guerreiro, Menau e Nuno Viegas, dando continuidade a este movimento que acontece 365 dias por ano.

Por: Jorge Matos Dias / PlanetAlgarve

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