Entrevistas

Daniela Oliveira Guerreiro: «Toda a gente conhece imensos valores de Quarteira, que tem imenso potencial»

Daniela Oliveira Guerreiro veio de Quarteira e tirou Artes Visuais em Faro durante 1 ano e meio. Após essa época fui para a Faculdade de Belas Artes em Lisboa para estudar Pintura.

Daniela Oliveira Guerreiro

É uma dos 3 artistas plásticos que concretizaram o mural À Moda Quarteirense no Parque de Estacionamento da Rua Gago Coutinho, junto ao Centro Autárquico de Quarteira, numa encomenda da Câmara Municipal de Loulé ao movimento Sou Quarteira. Foi este o ponto de partida para esta entrevista.

Daniela Oliveira Guerreiro trabalha com a premissa de viver só da Arte. “Ainda trabalho a part time no Museu Berardo. Estou sempre a consumir Arte, sempre a inspirar-me e tenho lidado também com muitas pessoas do campo artístico. A partir daí, consigo trabalhar mais arduamente e fluidamente”.

Dentro da pintura, tem realizado vários projetos. “O projeto mais recente que fiz, antes deste, foi uma homenagem à escritora Lídia Jorge. Para além disso, tenho realizado pequenos murais mas só para o meu portfólio. Ando a pensar em realizar  agora uma exposição coletiva solidária para apoio a muitas associações ligadas ao apoio humanitário. Digamos que a partir deste ano é que eu comecei a participar em algo importante e que eu me sinta verdadeiramente orgulhosa disso. Até agora, tenho feito projetos para mim, fazendo parte a minha primeira exposição individual no Art Room, em Lisboa”.

O feedback “tem sido muito bom. Como saí do Algarve há já 9 anos, as pessoas já não me conhecem e quando sabem que sou de Quarteira ficam surpreendidas”.

Daqui se conclui que Daniela Oliveira Guerreiro envolve-se na Arte ligada às causas. “Exato. Tenho dois projetos, os murais e a pintura a óleo. Na pintura a óleo, tento pintar sobre algo mais individualista, mais pessoal, em que as pessoas, por si só, se consigam identificar. Nos murais tento abranger temas mais ligados à sociedade”.

O ADN muito forte de Quarteira não podia ficar de fora desta conversa. Daniela não fica indiferente a este boom de talentos com notoriedade pública. “É verdade. Acho que esta terra é uma terra cheia de pessoas com potencial, só que estamos aqui no fim de Portugal mas é incrível o que se consegue. Estou a morar em Lisboa e sempre ouvi dizer muito bem das pessoas de Quarteira. Não sei se elas têm essa noção. Toda a gente conhece Quarteira, toda a gente vem de férias a Quarteira. Sinto mesmo um grande orgulho em fazer parte daqui e são eventos como este (o mural no Parque de Estacionamento da Rua Gago Coutinho) que valorizam a cultura de Quarteira e do Algarve porque este movimento Sou Quarteira, tenho a certeza absoluta que vai chegar a algo mais”.

O mural em Alvalade de homenagem a Lídia Jorge

“A  Junta de Freguesia de Alvalade precisava de alguém para pintar um mural e fazer uma surpresa à Lídia Jorge. A partir daí, a ideia foi fluindo. Foi mesmo um grande desafio, principalmente por reproduzir a obra de uma pintora como a Luzia Lage. Foi muito bom e gostei imenso”, recordando que “eu estava no trânsito quando a Lídia Jorge viu o mural e começaram todos a ligar-me, a perguntar-me onde estava, dizendo que a Lídia estava lá e muito emocionada. Quando lá cheguei, (…) fiquei tão contente que nem sabia o que dizer”.

Para o futuro, “estou a desenvolver vários projetos, envolvendo uma exposição individual mas ainda não convém levantar muito a ponta do véu. Posso adiantar que vai estar relacionado com pequenas ajudas. Gostava de interligar as minhas pinturas para ajudar os demais porque as minhas pinturas individuais são sobre aquelas pessoas que necessitam de ajuda, tanto psicológica como física e ainda estou à procura do sítio perfeito que tenha a ver com esse tema. É um assunto muito sensível e por isso está um pouco demorado”. Mas Daniela não fica por aqui. “Agora vou para a Covilhã fazer um mural ao pé da UBI. Para o ano, também já tenho alguns projetos em vista, passando também por alguns murais, um dos quais, mais uma vez, vai ser para retratar a Literatura e outro sobre a História da Aviação mas isto ainda não é cem por cento de certeza. Estamos a magicar. A partir daí, espero que venham a surgir mais oportunidades”.

Toda esta visibilidade que os talentos de Quarteira podem igualmente ser um incentivo para os mais novos. “Espero bem que sim. Acho que todos aqueles que tenham um dom ou uma vontade no mundo das Artes e não só, nunca deveriam desistir. Aliás, há tanta gente aqui com talento e muitas vezes o problema é que eles caem uma vez e já não se conseguem levantar. É preciso muita persistência mas eu sou muito feliz no que faço. Dou graças por ter estado a lutar até aqui. A Arte é um dos maiores prazeres que temos hoje em dia. A Música, a Pintura, a Literatura, isso, para mim, é a coisa mais importante e acredito que também o seja para as outras pessoas”.

A terminar, Daniela Oliveira Guerreiro agradece “muito, muito toda a ajuda que tenho tido. Quero agradecer ao Nuno Viegas, ao Menau, à Naomi Guerreiro, ao Rúben, ao Rafa, ao Iuri, que tiveram a acompanhar este projeto ao fim. Têm sido pessoas fantásticas e agradeço a confiança que depositaram em mim porque, para mim, foi muito importante ter feito isto. Agradeço também à Junta de Freguesia de Quarteira e à Camara Municipal de Loulé, pedindo-lhes que façam mais projetos como este porque não foi só uma semana de pinturas. Deu uma esperança a todos os artistas quarteirenses de todas as áreas”.

Por: Jorge Matos Dias / PlanetAlgarve

Categories: Entrevistas, Quarteira