Quarteira

Inauguração do mural “À Moda Quarteirense”, pontapé de saída para um museu a céu aberto

O mural “À Moda Quarteirense”, localizado no Parque de Estacionamento da Rua Gago Coutinho, junto ao Centro Autárquico de Quarteira, foi inaugurado esta sexta-feira, 9 de outubro.

Um ato que contou com as intervenções de Vítor Aleixo, presidente da Câmara Municipal de Loulé; Telmo Pinto, presidente da Junta de Freguesia de Quarteira; Naomi Guerreiro, produtora do mural e presidente da Beyond, associação que está por trás do Sou Quarteira; Dino D’Santiago, do Movimento Sou Quarteira; e os três artistas plásticos que realizaram o mural, Nuno Santos, Daniela Guerreiro e Menau.

Vítor Aleixo considerou a arte urbana “um elemento que faz falta à requalificação das terras e das cidades. Quarteira tem qualificado e elevado o seu nível e a sua capacidade de atrair turistas e novos moradores e precisava de um bom pontapé de saída para dar lugar a uma forma artística urbana porque, se há terra aberta às novas dinâmicas mundiais em termos de ideias, correntes de moda e, neste caso, de arte pública, é Quarteira”, destacando as mensagens que os artistas pretendem transmitir neste mural, como os problemas ambientais na arte da pesca, o respeito pelo multiculturalismo e a crítica aos ódios raciais. “Quarteira, nos últimos anos, tem-se qualificado e elevado o seu nível. Precisava de um bom pontapé de saída para uma forma de expressão artística urbana que, aqui, faz todo o sentido. Se há terra cosmopolita, aberta às ideias globais, é Quarteira”.

Na mesma tónica de valorização da identidade cultural de Quarteira, Vítor Aleixo anunciou a inauguração, a 13 de maio de 2021, nas antigas instalações da Lota, da Exposição “Com os pés na terra e as mãos no mar – 6 mil anos de História de Quarteira”.

Nesta ocasião, o autarca falou também do trabalho que o Município tem feito nesta freguesia, a par do forte apoio social dado aos quarteirenses em maiores dificuldades, “Quarteira continua com um ritmo acelerado de desenvolvimento. É muito dinheiro público que aqui tem sido investido”, sublinhou Vítor Aleixo, reportando-se às principais obras realizadas, em curso ou projetadas ao longo deste dois mandatos: Avenida Papa Francisco, Avenida do Atlântico, Passeio das Dunas (ligação de Quarteira a Vilamoura em toda a frente mar), Rua dos Pinheirinhos e Alameda da Marina, em Vilamoura, Parque de Estacionamento Melvin Jones e plantação de árvores, BAL – Base de Apoio Logístico e Quartel dos Bombeiros, Quartel da GNR, Pista de BMX, arranjos na envolvente do Bairro da Abelheira, conclusão da Avenida da Fonte Santa, reconstrução da Escola EB 2,3 D. Dinis, aquisição de terrenos para execução de largo junto ao Mercado, projeto do novo Mercado Municipal adaptado à subida do nível médio da água do mar nas próximas décadas, aquisição do antigo Casino, projeto de edifício que irá integrar Escola de Dança e Centro Cultural ou a requalificação da Avenida Mota Pinto (entre a Rotunda do Polvo e Vilamoura).

O edil louletano sustentou que “este investimento serviu para dar trabalho a uma classe criativa que neste momento atravessa uma fase difícil e esta obra foi importante para a vida destas pessoas”

Telmo Pinto realçou o orgulho desta terra nos talentos que surgem na cidade, “como estes três artistas, que dão cartas lá fora, mas que se afirmam sempre como quarteirenses”, defendendo que “estes talentos têm que ser apoiados por quem está nos cargos públicos”. Falou ainda da dinâmica existente nesta comunidade e a criação de valores ao longo de toda a história de Quarteira. “Estes artistas refletem uma comunidade que sempre foi assim”.

Naomi Guerreiro: “Isto resulta de uma proposta que apresentámos à câmara, que já tinha intenção de fazer aqui um mural. Como o Movimento Sou Quarteira, para além do festival, tem outras atividades, pensaram em nós para criarmos este projeto e começou exatamente assim. Os nossos objetivos sempre foram que este movimento seja uma plataforma para expressar a arte e a criatividade que se faz na cidade. Na altura, tínhamos pensado no Menau, na Daniela e no Nuno. Daqui resultou este mural de três artistas incríveis da cidade”, deixando um agradecimento muito especial à diretora municipal Dália Paulo, sempre disponível e incansável para que nada faltasse e tudo corresse bem.

Nuno Viegas: “Literalmente, aqui estão representadas as duas luvas. São duas luvas de latex que vêm da minha assinatura. Trabalho muito com elementos que trago do mundo do graffiti e as luvas de latex são desses momentos. Depois, temos o origami do barco de papel. Temos aqui um gesto como se as mãos estivessem a segurar uma bola de energia, a proteger o barco, numa relação energia-proteção sobre o barco de papel. O barco é claramente uma referência à cidade de Quarteira, à sua ligação marítima”.

Daniela Guerreiro: “Artista revelação na área do muralismo em Portugal, Daniela Guerreiro, que ainda recentemente criou um mural em Lisboa, no Bairro de Alvalade, em homenagem à escritora louletana Lídia Jorge, aborda nesta obra a questão do plástico nos oceanos. “A poluição é um dos maiores problemas dos nossos dias e a primeira coisa em que eu penso em Quarteira é no mar, nos pescadores, na história desta terra, e que tudo isso precisa de ser cuidado, não só aqui, como em todo o mundo”, considera a jovem que há mais de uma década se fixou na capital, mas não esquece a sua terra. E acrescenta: “As mãos envelhecidas representam a tradição desta terra, o lixo representa as grandes massas que poderão estar a influenciar o descuido das pessoas perante ‘a nossa casa’”.

Menau: “Com esta obra, denominada Nova Quarteira, basicamente, o que quis fazer foi homenagear a cidade de Quarteira em si e os artistas da cidade. Nesta obra, representei o Dino, que é um dos catalisadores da cultura em Quarteira. Nesta pintura, represento igualmente vários motivos da cidade, como a praia, o mar, o vento, o sol, em suma, a Natureza e, ao centro, um simbolismo de esperança e união. Como seriam estes próximos anos com as apostas em que o Sou Quarteira investiu e promoveu e ver o que é que isto desenvolve, ver se as pessoas em si avançam ou assumem a obra daqui para a frente. Tem ali um cravo que pode sugerir o 25 de Abril, a Revolução ou o pós Revolução, como seria a nossa visão neste pós Revolução, quais são as nossas liberdades. Temos liberdades mas agora  temos máscaras que já condicionam um bocado a nossa liberdade nesta pandemia que estamos a viver”.

Dino D’Santiago: “Já recebi tanta coisa no país e até fora, prémios de relevo, mas ver esta homenagem, estar ali representado, foi o melhor que me aconteceu até hoje”, acrescentando: “estes três artistas poderiam estar em qualquer canto do mundo. Quarteira tem muitos talentos, pelo que sou apenas mais um e não uma agulha no palheiro”, desafiando: “Quarteira tem muitas paredes que podem ser trabalhadas. Quem sabe fazermos um museu ao ar livre na cidade”, agradecendo aos artistas e o apoio da autarquia de Loulé.

O projeto, uma iniciativa do movimento “Sou Quarteira” com produção da Associação Beyond, teve um custo de 32 mil euros com IVA incluído, contou com financiamento comunitário, através de uma candidatura da Câmara Municipal de Loulé ao Cresc Algarve 2020, com o programa PARU.

Por: Jorge Matos Dias / PlanetAlgarve

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