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Morreu o militar mais condecorado da História do Exército Português

O Estado-Maior-General das Forças Armadas dirigiu hoje as mais sinceras condolências a todos os familiares e amigos do Tenente-coronel Comando Marcelino da Mata, militar do Exército Português, nascido na Guiné Portuguesa a 17 de maio de 1940 e falecido hoje, 11 de fevereiro de 2021.

Segundo o EMGFA, Marcelino da Mata “ficou conhecido pelos seus atos de bravura e heroísmo praticados durante a Guerra do Ultramar, sendo o militar mais condecorado da História do Exército Português”.

Biografia

Tenente-coronel Comando Marcelino da Mata

Acidentalmente incorporado em lugar do irmão no CIM-Bolama em 3 de Janeiro de 1960, ofereceu-se como voluntário após cumprir a primeira incorporação.

Integrou e foi fundador da tropa de operações especiais, no Regimento dos Comandos Português dos Comandos Africanos, atuando no cenário de guerra da sua Guiné, com operações no Senegal e na Guiné Conacri.

A 2 de Julho de 1969 foi feito Cavaleiro da Antiga e Muito Nobre Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito.[3]

Apesar de várias vezes ferido em combate apenas teve que ser evacuado da Guiné por ter sido alvejado, por acidente, por um companheiro, assistindo ao 25 de Abril de 1974 em Lisboa.

Após a independência da Guiné foi proibido de entrar na sua terra natal.

Em 1975 foi detido no quartel do RALIS, Lisboa, e sujeito a tortura e flagelação praticada e ordenada por Manuel Augusto Seixas Quinhones de Magalhães (capitão), Leal de Almeida (Tenente Coronel), João Eduardo da Costa Xavier (capitão tenente) e outros elementos do MRPP [4][5][6], num dos episódios mais pungentes, pela sua barbaridade e violência, no pós revolução dos cravos.

No decurso das perseguições de que foi alvo no ano de 1975 conseguiu fugir para Espanha, de onde regressou a quando o Golpe de 25 de Novembro, participando activamente na reconstrução democrática e no restabelecimento da ordem militar interna, agindo sempre com elevada longanimidade para com os seus opressores.

Justificou a sua luta no exército português com a frase “A Guiné para os Guinéus”, querendo significar que a guerrilha actuava no interesse da União Soviética.

Faleceu no Hospital Amadora-Sintra à data de 11 de fevereiro de 2021, vítima de doença prolongada.

Operações notáveis em que participou

  • Operação Tridente na ilha do Como
  • Operação Cajado
  • Resgate de 150 soldados portugueses cativos em território senegalês
  • Operação Mar Verde
  • Operação Ametista Real

Condecorações

  • Cruzguerra 2kl.png Medalha Militar de 2.ª Classe da Cruz de Guerra (26 de Julho de 1966)
  • Cruzguerra 1kl.png Medalha Militar de 1.ª Classe da Cruz de Guerra (9 de Maio de 1967)
  • PRT Military Order of the Tower and of the Sword – Knight BAR.png Cavaleiro da Antiga e Muito Nobre Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito (2 de Julho de 1969)
  • Cruzguerra 1kl.png Medalha Militar de 1.ª Classe da Cruz de Guerra (21 de Abril de 1971)
  • Cruzguerra 3kl.png Medalha Militar de 3.ª Classe da Cruz de Guerra (9 de Junho de 1973)
  • Cruzguerra 1kl.png Medalha Militar de 1.ª Classe da Cruz de Guerra (22 de Agosto de 1973)

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