Quarteira

QUARTEIRA | FSOE reaviva dia dos Banhos Santos de S. Tiago, padroeiro da Fonte Santa

A FSOE – Associação de Moradores e Empreendedores da Fonte Santa (Fonte Santa Owners & Entrepreneurs) promoveu ao fim da tarde deste domingo, 25 de julho, no local do tanque da Fonte Santa, uma cerimónia simbólica visando assinalar o dia dos Banhos Santos de S. Tiago, seu padroeiro.

Para o efeito, o pároco de Quarteira, Padre Joaquim Campôa, abençoou uma imagem de S. Tiago, adquirida em Fátima para o efeito. Foi ainda descerrada na Fonte Santa uma pequena placa alusiva à efeméride.

Segundo João Barros, da FSOE,

Sendo a Fonte Santa um lugar muito especial para toda a comunidade de Quarteira, a FSOE decidiu promover esta pequena celebração do santo padroeiro da Fonte Santa (São Tiago), que se assinala a 25 de julho, reavivando assim a memória da tradição dos Banhos de S. Tiago.

A iniciativa da FSOE afigura-se de elevado valor para a preservação de um património cultural, material e imaterial que, nestes dias, dá emoção aos sentidos de um sentimento de identidade ímpar em Quarteira.

Recordar a Fonte Santa é lembrar as lavadeiras que durante gerações procuravam estas águas; é lembrar os enfermos que, aquando das festividades associadas ao Dia de São Tiago e Santa Rosa, de todos os lados concorriam em autênticas romarias à Fonte ou, até recentemente, para encher de garrafões desta água cloretada sódica e bicarbonatada cálcica (estudos disponíveis no próprio site da FSOE); para a aplicação em enfermidades que os mais crentes testemunham provocar curas milagrosas.

No entanto, restituir à comunidade da Fonte Santa uma cerimónia em honra de São Tiago é gratificar Quarteira com a elevação da importância dos Locais com História da nossa Freguesia mas também reconhecer a importância Maior da memória Miilenar de uma Comunidade.

Doravante, que este espaço, onde tantos procuraram ajuda e depositaram a sua Fé, seja renovado anualmente pela mão do Centro Paroquial de Quarteira, que atua na verdadeira palavra da Fé mas também enquanto agente perpetuador da memória entre os Homens.

Diziam os Romanos, que também fizeram uso destas águas, por via do seu aproveitamento por via de tubagens em chumbo, as palavras Ex Nihilo Nihil, “do nada vem o nada”, que se dê então um novo começo a um Local e à efeméride que hoje de celebra.

Finalmente, agradeço a contribuição do historiador local João Santos e da Fonte Santa Empreendedores.

O Padre Joaquim Campôa, atraído pelo mistério que envolve a Fonte Santa, fez uma pesquisa sobre o assunto e partilhou alguns elementos:

Hoje, o que sabemos é que vinham aqui muitos. Estavam aqui muitos neste dia. Isto era de todos. Disso temos a certeza. Hoje, não vêm aqui. Estão poucos aqui. Isto é só de alguns. É preciso ter isto em conta. Se há décadas era assim, agora transformou-se nisto. É preciso vivermos de memórias. Havia banhos e havia curas. Este santo é o padroeiro dos peregrinos e tem outra caraterística: era invocado para o tratamento do reumatismo. Então, associaram-no às água curativas. Agora perguntamos: Porquê 25 de julho era o primeiro dia dos banhos na Fonte Santa? Começaram a chamar-lhes Banhos de S. Tiago. Ou seja, havia uma relação muito forte entre aquilo que aqui acontecia, a parte cultural, que eu chamaria profana e a vertente religiosa, a vertente da fé. Vinham, tomavam o banho e curavam-se. E atribuíram o dia 25 aos banhos, precisamente o Dia de S. Tiago, chamando-lhes os Banhos de S. Tiago. Fala-se também nos Banhos de St.ª Rosa. Fui pesquisar e trata-se da Santa Rosa de Lima, no Perú. Esta santa também está relacionada com as coisas termais, com as termas romanas e agora ainda com as termas atuais. Como é que aparecem aqui os banhos de Santa Rosa de Lima, que em Portugal celebra-se no dia 23 de agosto e aqui vinham no dia 30 de agosto, precisamente o dia em que, no Perú, celebram o Dia de Santa Rosa, sua padroeira. Quem trouxe esta data para aqui? Não se sabe mas é possível que aqui também haja intercultura porque só quem conhecia Santa Rosa de Lima é que podia trazer para aqui os Banhos de Santa Rosa no dia 30 de agosto. Isto é outra história também muito interessante e que merece uma pesquisa aprofundada mas o que nos traz aqui hoje é S. Tiago. Estamos aqui para fazer memória para que não fique esquecido algo que marcou muitas gerações. Isso é importante e é preciso que não fique esquecido nem esteja abandonado pelo muito que aqui se realizou na vida das pessoas. Curas. Se calhar, muita gente aqui se curou, através da fé e de outras coisas que não a fé. Mas que acorria aqui muita gente, é um facto.

O Padre Joaquim Campôa defendeu ainda a necessidade da preservação dos azulejos da Fonte Santa como património local.

Por: Jorge Matos Dias / PlanetAlgarve

Categories: Quarteira