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Vitaminas, proteínas e exercício melhoram a qualidade de vida e prognóstico dos doentes com cancro

Investigação na área do exercício físico e cancro | ONCOFIT 2022 | 18-19 março 2022 

Os doentes com cancro têm um elevado risco de malnutrição, o que tem um impacto muito negativo nos resultados dos tratamentos, alerta a especialista em nutrição Elsa Madureira. A nutricionista do Serviço de Nutrição do Centro Hospitalar e Universitário de São João, no Porto, reforça que “uma ingestão adequada em energia e proteínas em associação à prática de exercício adaptado, permitem ao doente tolerar melhor os efeitos secundários dos tratamentos”.  

A importância da suplementação nutricional, incluindo a vitamina D, na função do músculo, e a importância do exercício físico ao longo da jornada do doente oncológico são alguns dos temas que vão estar em destaque na 2.ª edição do Symposium ONCOFIT “From Sports Lab to Cancer Clinic” que vai decorrer nos dias 18 e 19 de março, no Centro de Reabilitação do Norte – Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho

Elsa Madureira, uma das moderadoras do simpósio, explica que “tanto por efeito do cancro como dos tratamentos, dão-se alterações na composição corporal, nomeadamente uma diminuição (depleção) da massa muscular, bem como alterações na capacidade do doente de se alimentar ou aproveitar os nutrientes”.  

A especialista alerta que uma alimentação inadequada pode conduzir à malnutrição, aumentando os níveis de toxicidade no organismo, o que tem consequências no plano de tratamento e nos seus resultados práticos. “Daí ser necessária uma intervenção nutricional individualizada e, em algumas situações, ser recomendada a suplementação de alguns nutrientes. É o caso das proteínas, dos ácidos gordos ómega 3 e da vitamina D que ajudam a melhorar a saúde muscular nos doentes que perderam massa muscular”, acrescenta. 

De acordo com nutricionista, a depleção muscular é a característica mais marcante da malnutrição oncológica, a qual está relacionada com a ação das citocinas pro-inflamatórias e outros mediadores tumorais que atuam em vários órgãos, além de alguns fármacos utilizados no tratamento oncológico (quimioterapia e imunoterapia). Por isso, “uma ingestão alimentar inadequada tanto em energia como em proteínas e insuficiente em alguns micronutrientes (ou o comprometimento da absorção intestinal) assim como a inatividade física, também contribuem para esta depleção da massa muscular“, refere Elsa Madureira. 

Na sua opinião, é possível promover o anabolismo muscular nestes doentes através de uma intervenção multimodal. “É necessária a associação de uma alimentação adequada à prática de exercício físico orientado. Esta intervenção deve ser o mais precoce possível, se possível ainda antes do início dos tratamentos, mas durante os mesmos é igualmente importante e eficaz“, salienta. Mas acrescenta que “a intervenção nutricional deve ser sempre individualizada e adequada à situação clínica, sociofamiliar da pessoa e aos gostos/preferências/tolerâncias do doente”

As recomendações nutricionais passam pela adequação do aporte energético e proteico. “Quanto à qualidade das proteínas, as de fonte animal são as que melhores resultados promovem a nível da síntese muscular“. Sugere ainda uma distribuição da ingestão proteica ao longo do dia, repartida em porções relativamente semelhantes pelas várias refeições diárias. Afirma que “os ácidos gordos polinsaturados n-3 (alguns óleos vegetais e de peixes), graças à sua ação anti-inflamatória, parecem ter um efeito positivo no controlo do processo de caquexia (síndrome multifatorial que leva a  perda de massa muscular associada à resposta inflamatória e falta de apetite) e no aumento do apetite, pelo que é recomendada a sua ingestão“. 

PERITOS NACIONAIS E INTERNACIONAIS PARTILHAM CONHECIMENTO 

O conceituado fisiologista do exercício Lee Jones é um dos oradores 

Nesta 2.ª edição do Symposium ONCOFIT “From Sports Lab to Cancer Clinic” – um encontro de partilha de conhecimento sobre o exercício físico enquanto tratamento de suporte em Oncologia, baseado na evidência científica – são esperados especialistas das mais diversas áreas, como do Exercício, Nutrição, Psicologia, Oncologia, Cardiologia, Reabilitação e ainda enfermeiros e fisioterapeutas

Symposium é organizado pela Associação de Investigação de Cuidados de Suporte em Oncologia (AICSO), através do programa ONCOMOVE, que inclui profissionais de diversas áreas para dar resposta à necessidade de cuidados de suporte mais completos e abrangentes, baseados na evidência, na área da Oncologia. 

Um dos oradores convidados é o professor Lee Jones, investigador do Memorial Sloan Kettering Cancer Center, nos Estados Unidos, e um dos mais conceituados fisiologistas do exercício do mundo. Confirmada está também a presença do professor Nicolas Hart, da Flinders University, (Austrália) e membro da Multinational Association of Supportive Care in Cancer (MASCC), que inclui representantes de 70 países. 

As inscrições estão abertas AQUI e o prazo para submissão de resumos termina no próximo dia 14 de fevereiro. Os trabalhos aceites serão publicados na revista Motricidade. 

Consulte AQUI programa científico preliminar. 

ONCOMOVE   

O ONCOMOVE é programa desenvolvido pela AICSO para promoção da reabilitação do doente oncológico, visa otimizar o tratamento da pessoa que vive com e para além do cancro. É multidisciplinar, contando com médicos oncologistas, fisiatras e cardiologistas, enfermeiros de reabilitação e de saúde mental dedicados à Oncologia, psicólogo, nutricionista, fisiologistas e técnicos de exercício físico.    

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AICSO   

A Associação de Investigação e Cuidados de Suporte em Oncologia (AICSO) é uma associação portuguesa sem fins lucrativos de interesse público fundada em 2001. Dedica-se à investigação, implementação e qualificação profissional em cuidados de suporte baseados em evidência em Oncologia. A AICSO promove informações ao público e eventos públicos para aumentar a consciencialização sobre o atendimento interdisciplinar centrado no paciente de pessoas que vivem com e para além do cancro.   

Categorias:AGENDA, Saúde